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'Sucessão de erros', denuncia pai de Benício após prescrição errada de adrenalina - País

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/12/2025 às 12:23 · Atualizado há 1 dia
'Sucessão de erros', denuncia pai de Benício após prescrição errada de adrenalina - País
Foto: Reprodução / Arquivo

Os pais de Benício Xavier, menino de 6 anos que morreu posteriormente receber uma ração errada de adrenalina na veia, em um hospital de Manaus, denunciaram uma sucessão de erros no atendimento, em reportagem do Fantástico exibida nesse domingo (7). 

A petiz foi levada ao Hospital Santa Júlia com tosse seca e febre no dia 22 de novembro, e a suspeita era laringite. "Eu falei para o meu marido: 'vamos levar ele na emergência?' Porque eu acredito que seja a gasganete dele que está muito inflamada", relatou a mãe, Joice Xavier de Roble.

As imagens exibidas pelo Fantástico mostram que Benício chegou andando ao hospital na companhia dos pais. "Nenhum pai, nenhuma mãe, leva seu fruto para um hospital para morrer. Ainda mais da forma que o Benício morreu. Dessa sucessão de erros, dessa negligência que a gente verificou", disse o pai, Bruno Mello de Freitas. 

Joice afirma que o quadro do fruto não foi considerado grave. "Só podia entrar um no consultório, eu entrei com ele. E aí, ela (a médica Juliana Brasil Santos) pediu para calcular ele. Falou que ele ia fazer adrenalina. Ela não explicou o meio, só falou em fazer a adrenalina", disse. 

A mãe disse que Benício tinha sido tratado com adrenalina por inalação no mesmo hospital, um mês antes, quando a petiz apresentou o mesmo quadro.

Ao ver o soro injetável, a mãe afirmou ter questionado. "Cadê a inalação para adrenalina? Sempre foi por inalação". Segundo ela, a técnica de enfermagem respondeu que também nunca tinha aplicado o remédio na veia, mas que isso estaria indicado na récipe médica.

Em seguida receber a adrenalina na veia, os pais afirmaram que Benício ficou pálido e reclamou de dor no coração. Ele foi levado às pressas para a sala vermelha, de emergências, com dificuldade para respirar. Quatro horas depois, foi transferido para a UTI, e horas depois, intubado. "Eu falava com ele internamente: 'bora, fruto. Bora. Melhora essa oxigenação'. Eu rezava muito", afirmou Bruno.

Benício teve seis paradas cardíacas e não resistiu. "É uma dor muito grande que vou levar para a minha vida toda", disse o pai. "Pelo que a gente está analisando, verificando, observando, é uma sucessão de erros."

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Investigação

A investigação sobre a morte do menino ganhou novos desdobramentos posteriormente o procurador Marcelo Martins declarar que ao menos três testemunhas relataram que a médica Juliana Brasil Santos, responsável pela récipe da adrenalina, teria tentado mudar o prontuário para esconder o erro.

Segundo ele, essas pessoas trabalhavam no hospital durante o atendimento e relataram a tentativa de manipulação dos dados, conforme informações do g1.

A médica já havia recepcionado o equívoco em um documento enviado à Polícia e em mensagens trocadas com o médico Enryko Queiroz, embora a resguardo sustente que essa confissão ocorreu "no calor do momento".

A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, que aplicou a medicação, também responde ao questionário em liberdade.

Segundo o procurador, testemunhas afirmaram que Juliana buscou acessar a récipe original para mudar ou suprimir informações. "Essa é uma asserção de algumas testemunhas. Nós temos três testemunhas que indicaram, que apontaram essa situação", disse Martins ao comentar os depoimentos ao g1.

Ele também detalhou a suspeita de tentativa de extinguir o erro no sistema hospitalar. "A médica teria tentado obter entrada à récipe médica original para suprimi-la e editar os dados no sistema para que não aparecesse o trajo dela ter prescrito inexacto a adrenalina pela via endovenosa e não pela via de nebulização", afirmou.

A Polícia do Amazonas analisa se houve dolo eventual, considerando a possibilidade de indiferença ao risco à vida da petiz. "Estamos nos atentando a todos esses detalhes para poder verificar se teve dolo eventual ou se foi só um homicídio culposo", declarou o procurador.

Apesar dos relatos de tentativa de adulteração, um pedido de prisão não pode ser feito por desculpa de uma liminar concedida no habeas corpus da resguardo da médica. "Se não fosse esse habeas corpus, isso seria uma desculpa potente de prisão. Uma vez que existe essa liminar, não pode ser formulado novo pedido", ressaltou Martins.

O que diz a resguardo da médica

A resguardo de Juliana argumenta que o erro pode ter sido provocado por irregularidade no sistema automatizado usado para registrar prescrições, alegando que a via de governo teria sido modificada maquinalmente. "Juliana não escreveu a récipe manualmente. O próprio sistema pode entender que está incorreta e alterá-la maquinalmente", disse o legista Felipe Braga, também ao g1.

A família de Benício contesta essa versão e publicou epístola afirmando que não houve instabilidade no software. "Está demonstrado que não houve qualquer irregularidade de sistema", diz o documento.

O caso é investigado porquê homicídio doloso qualificado.

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