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Resultado da COP30 frustra cientistas, ambientalistas e representantes de diversos países

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 22/11/2025 às 23:04 · Atualizado há 4 dias
Resultado da COP30 frustra cientistas, ambientalistas e representantes de diversos países
Foto: Reprodução / Arquivo

Cientistas e ambientalistas declaram frustração com resultado da COP30
Cientistas, ambientalistas e representantes de diversos países declararam frustração com o resultado final da COP30, mas afirmaram que foi o concórdia provável.
Depois de duas semanas de noites mal dormidas, discussões acaloradas e esperança, uma termo se sobressaiu quando a plenária final da COP terminou: frustração.
"A minha maior frustração - e acredito que seja de muitas das pessoas cá - é que a crise climática tem uma velocidade estonteante e o processo e as lideranças que estão participando desse processo, elas estão quase paquidérmicas. Portanto, acho que esse descolamento entre a veras e o que esse sistema está provendo é o que nos frustra, e a gente sabe que não vai ser suficiente para mourejar com a crise que já está instalada”, afirma Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa.
Mesmo assim, Natalie Unterstell, do Instituto Talanoa, não acredita que a COP tenha sido um fracasso:
"A gente tinha muito temor que houvesse um colapso, que fosse prorrogado... Não houve isso cá. A gente viu uma adoção por consenso de um pacote de decisões, que inclui aí o mutirão, esse texto mais político”.
Para diversos órgãos da sociedade social e ONGs, a frustração tem nome e sobrenome: combustível fóssil. Foi assim para o WWF.
"Frustrou porque o tema de combustíveis fósseis pela primeira vez entrou dentro da negociação. Isso foi importante. Mas não entrou no documento final porque as partes, vários países, bloquearam qualquer decisão mais ambiciosa nesse matéria”, diz Mauricio Voivodic, diretor-executivo WWF-Brasil.
E para o Observatório do Clima:
"A principal frustração é que os combustíveis fósseis, que são a motivo da mudança climática, não são mencionados nenhuma vez em nenhum dos 15 textos do pacote de decisões políticas de Belém. A gente deveria ter saído daqui com um roteiro para erigir esses critérios para uma saída manejada dos combustíveis fósseis”, afirma Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima.
Resultado da COP30 frustra cientistas, ambientalistas e representantes de diversos países
Jornal Pátrio/ Reprodução
Mas para o órgão, houve avanços porquê a inclusão, pela primeira vez na história das COPs, de menções diretas a afrodescendentes nos documentos centrais. Claudio Angelo afirma ainda que o texto final foi o que era provável em um mundo fragmentado:
"A União Europeia, que era uma liderança tradicional, desapareceu do processo. E os Estados Unidos, que tinham peso de ser o maior emissor, maior devedor histórico do clima, jogam contra o processo agora. E a China se mantém silenciosa, sem querer assumir um papel muito de liderança. Portanto, isso deixa as coisas meio sem amarração cá".
A avaliação chinesa da COP vale uma citação à secção. Mesmo sendo a segunda maior economia do planeta, o país ainda é considerado em desenvolvimento. Portanto, o representante da China achou que essa COP avançou pouco na questão do financiamento para a transição energética dos países em desenvolvimento.
"Definitivamente, o financiamento climatológico foi menos cobiçoso nesta COP”, diz Liu Zhenmin, enviado privativo para mudanças climáticas da China.
Mas a China também é o maior poluidor do mundo e foi um dos países que alimentaram a frustração de ambientalistas, barrando qualquer referência sobre a redução do uso de combustíveis fósseis.
"Você não pode ter um planta do caminho sobre combustíveis fósseis separado dos acordos da ONU sobre petróleo”, afirma Liu Zhenmin.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que resultados importantes foram obtidos, mas que é difícil chegar a um consenso em um período de profunda repartição geopolítica. E, portanto, não podemos fingir que a COP entregou tudo o que é necessário.
O comissário europeu para o Clima disse que eles queriam mais.
"Nós gostaríamos de ter avançado mais em muitas coisas. As mudanças climáticas exigem mais combate, mais ação, mais resultados, e é por isso que temos insistido em mais, porque a União Europeia precisa de mais, porque o mundo precisa de mais”, diz Wopke Hoekstra, comissário do Clima da União Europeia.
Para todos que esperavam mais, há um ano inteiro pela frente de trabalho até próxima COP, que vai ter um formato inédito: vai ser sediada em um país, mas com um comando dividido. Depois de uma longa disputa, foi o jeito encontrado por Turquia e Austrália para definir a vivenda da COP31. Os turcos vão ser os anfitriões e terão a presidência, mas os australianos é que vão liderar o processo de negociação. O representante turco disse se tratar de uma parceria inovadora que vai dar uma tributo significativa para as ações climáticas.
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