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PM acusado de fazer parte de quadrilha que protegia traficantes do Comando Vermelho é solto - Segurança

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/12/2025 às 11:00 · Atualizado há 12 horas
PM acusado de fazer parte de quadrilha que protegia traficantes do Comando Vermelho é solto - Segurança
Foto: Reprodução / Arquivo

Indiciado de integrar uma organização criminosa formada por 16 policiais militares, o soldado Luan Alberto da Silva Lopes, foi solto na última quarta-feira (3). O PM estava recluso preventivamente há murado de quatro meses, por suposta participação em um esquema de prevaricação e roubo que atuaria nas comunidades do Pôr do Sol, no Coaçu e na Paupina - que ficam na Grande Messejana, em Fortaleza.

Segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE), o soldado Luan Alberto fazia secção de um grupo que utilizava o esplendor estatal (viaturas policiais) para receber vantagem indevida (propina) em troca de proteção a traficantes de drogas integrantes do Comando Vermelho (CV) em bairros específicos de Fortaleza.

Luan Alberto foi recluso em 29 de julho de 2025. A resguardo pediu a soltura do policial alegando excesso de prazo para a formação de culpa - quando há uma vagar injustificada do Estado em concluir a instrução criminal -. Ou por outra, o legisperito alegou que o MPCE ainda não havia disponibilizado à resguardo o chegada integral aos arquivos de mídias do caso. 

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Apesar de estar em liberdade, a Justiça determinou que o militar cumpra medidas cautelares uma vez que: "proibição de exercitar a atividade de policiamento ostensivo, devendo desempenhar exclusivamente funções no setor administrativo da Corporação PMCE, por até 90 (noventa) ou até ulterior deliberação".

A resguardo do policial, representada pelo legisperito Kaio Castro, informou que "recebe com serenidade a decisão do magistrado que relaxou a prisão do policial, ao tempo que enaltece o profissionalismo do magistrado por sua conformidade e proporcionalidade na emprego do melhor recta e justiça no processo penal militar". 

Os 16 policiais presos foram denunciados pelo Grupo de Atuação Próprio de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do MPCE, em maio deste ano. A denúncia foi recebida pela Vara da Auditoria Militar do Ceará e os agentes de segurança viraram réus, no último dia 2 de julho.

Conforme documentos obtidos pela reportagem, no momento da prisão, foram apreendidos com o soldado Luan Alberto, uma revólver, um aparelho celular e dois cartões.

No dia da deflagração da Operação, o coordenador do Grupo de Atuação Próprio de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Adriano Saraiva, divulgou que segundo um balanço parcial, o faturamento da organização criminosa pode ter sido de 300 milénio reais.

Uma vez que atuava a organização criminosa

A organização criminosa se articulava por meio de um grupo no aplicativo WhatsApp. O líder do grupo era um varão identificado uma vez que cabo Alisson Pinto Silva, que dava ordens a militares de patentes superiores, uma vez que sargentos e até um subtenente.

A Operação Kleptonomos surgiu a partir de investigações do MPCE que começaram no termo de 2022, em seguida uma denúncia anônima. Segundo relatório técnico, a quadrilha de policiais militares e social recebia "propina" para ajudar traficantes do Comando Vermelho (CV), na região da grande Messejana. Os agentes também extorquiam traficantes rivais.

"Os valores seriam pagos por traficantes de substâncias entorpecentes, com as finalidades de evitar a ação policial e de possibilitar a livre prática do tráfico de drogas na região"

Para 'proteger o tráfico', os agentes cobravam quantias que variavam de 100 a 600 reais. Por meio de conversas captadas com autorização judicial, a investigação descobriu que o grupo de policiais chegou a atirar em criminosos que reclamaram do valor da 'propina' estar muito cimeira.

Legenda: Policiais atiraram em traficantes que reclamaram do valor das taxas cobradas.

Foto: Reprodução.

Uma das ocasiões de roubo - em que o soldado Luan Alberto estava envolvido - foi revelada a ação ilícita dos policiais através de diálogos e imagens de dentro de uma viatura de patrulhamento, obtidos por meio de captação ambiental.

Policiais em viatura extorquindo dinheiro de traficantes

Legenda: Luan Alberto da Silva e colegas policiais são acusados de extorquir quantia enquanto faziam ronda.

Foto: Reprodução.

Propina era recolhida enquanto faziam ronda 

Segundo a denúncia do MPCE, em 23 de dezembro de 2023, por volta das 10h40, os policiais militares, Roberto Montenegro da Cunha, Luan Alberto da Silva Lopes e Thiago Monteiro solicitaram pagamento da "taxa" a traficantes.

Na conversa captada pela investigação, o tenente Thiago Monteiro desce da viatura e ao retornar responde aos colegas da equipe que não conseguiu "pegar o papel", mas que as 11h00, eles retornariam para "fazer o combinado".

Naquele momento, a equipe passa a discutir sobre a situação e o soldado Luan e cabo Montenegro sugerem que “deve ser o peixe do pessoal das motos”. Eles continuam conversando, até que um deles afirma “já já eles mandam mensagem...pode saber que as motos vêm já já cá”.

De combinação com a investigação, eles se referiam aos policiais militares do moto patrulhamento, que também estariam recebendo 'propina'. "Eles vão manifestar que os caras da viatura já estão querendo pegar (a vantagem)", afirma um dos policiais.

Às 11h00, eles estacionam a viatura em um lugar combinado e o soldado Monteiro desce do veículo e segundo os colegas de profissão "volta todo feliz".

PM líder de quadrilha que protegia traficantes é solto

Legenda: Viatura é vista em mesmo ponto em que varão contava quantia.

Foto: Reprodução.

No processo, a resguardo de Luan Alberto afirma que os acusados usaram a termo 'papel' para se referir a salamaleques de repasto que são normalmente fornecidas por estabelecimentos uma vez que o Assaí Atacadista, por exemplo. Esses vouchers e almoço são distribuídos por meio de senhas/fichas impressas em papel as policiais.

A conversa captada, que o Ministério Público interpreta de forma maliciosa, zero mais era do que o diálogo entre os policiais sobre um contratempo: o "papel" passou a ser entregue somente a partir das 11h. A menção ao "pessoal das motos" e a um "peixe" era uma risota interna sobre a possibilidade de a equipe de motopatrulhamento ter qualquer contato ("peixe") que lhes facilitaria a obtenção das senhas.

O legisperito do policial afirmou que: "toda a construção acusatória contra o indiciado se apoia em um único e solitário incidente, a partir de uma regateira e equivocada leitura da veras operacional".

Veja a lista de PMs denunciados:

  • Airton Uchoa de Sousa Pereira (soldado PM);
  • Alexsandro Barbosa Matias (soldado PM);
  • Alisson Pinto Silva (cabo PM);
  • Dalite Paulo Maia Pinho (soldado PM);
  • Danyvan Robert Souza da Silva (cabo PM);
  • Flauber Pereira Assunção (sargento PM);
  • Israel Rodrigues Costa (soldado PM);
  • José Dantes Barbosa Braga (cabo PM);
  • José Narcellyo do Promanação Santana (subtenente PM);
  • Luan Alberto da Silva Lopes (soldado PM);
  • Marcondes de Oliveira Braga (sargento PM);
  • Márcio Xavier Trigueiro (sargento PM);
  • Raimundo Gleison Ferreira Barbosa (sargento PM);
  • Roberto Montenegro da Cunha Neto (cabo PM);
  • Tiago Daniel Martins Costa (cabo PM);
  • Thiago Monteiro da Costa (soldado PM).

*Estagiária supervisionada pelo jornalista Emerson Rodrigues. 

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