Com capacidade de evoluir rapidamente para óbito, a meningite é uma doença grave, considerada uma emergência médica. Diante de um paciente confirmado, os profissionais da saúde precisam agir de forma rápida e efetiva para salvar a vida. Segundo o médico Marcos Gonçalves*, as meningites mais comuns são as infecciosas, causadas por vírus ou bactérias.
No entanto, um dos desafios de tratamento ocorre no momento de identificar a doença. Isso porque os sintomas são inespecíficos, ou seja, a pessoa pode registrar febre, tontura, vômito ou outros sinais presentes em diversos tipos de infecção.
"Não costumam identificar cedo e, quando identificam, nem sempre tratam corretamente", explicou o Marcos, que realizou uma Masterclass sobre o matéria para evento da biofarmacêutica GSK, em São Paulo. A meningite muitas vezes é confundida com dengue ou virose.
Legenda:
A presença de manchas no corpo pode ser um dos indicativos da meningite.
Foto:
Shutterstock/justkgoomm.
Com atuação na pediatria, Marcos chegou a atender crianças com a doença. Dentre os sinais que chamam sua atenção, estão:
- Estado universal comprometido;
- Rigidez de nuca;
- Sinais em pele;
- Sinais de doença grave.
Apesar da doença ter registrado queda no número de casos durante a pandemia, sua incidência tem gradualmente retornado, o que acende o alerta para os cuidados que devem ser tomados.
O que é a meningite?
A meningite é uma requisito que ocorre quando há um processo inflamatório das meninges que envolvem o encéfalo e a medula espinhal.
Ela é considerada uma doença de difícil diagnóstico, com evolução rápida e subida mortalidade. Conforme Marcos, os sintomas iniciais são inespecíficos, podendo ser confundidos com outras doenças. Ainda assim, um paciente pode morrer em murado de 24 horas.
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Por que é tão grave?
A doença tem algumas características que tornam o quadro tão grave, porquê:
- Rápida e imprevisível: possui uma rápida evolução, com os sintomas se agravando a óbito em 24 horas;
- Subida taxa de mortalidade: a doença possui subida taxa de mortalidade;
- Difícil diagnóstico: os sintomas iniciais são inespecíficos e dificultam o diagnóstico médico nas primeiras horas;
- Sequelas por toda a vida: a doença pode provocar sequelas permanentes nos sobreviventes, porquê amputação.
Quais os tipos de meningite?
Diversos tipos de bactérias, vírus e protozoários podem provocar a meningite. No entanto, as bactérias Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae são responsáveis por 80% dos casos, segundo o perito Marcos Gonçalves.
Os casos de meningites virais costumavam ser os mais comuns, no entanto, depois da pandemia, houve uma queda desse tipo e um aumento de casos das meningites bacterianas.
Vale ressaltar que nem toda meningite é meningite meningocócica.
Diferenças entre os tipos de meningites bacterianas
Apesar de existirem vários tipos, as mais comuns, que representam 80% dos casos, são:
- Pneumococo (Streptococcus pneumoniae): possui mais de 100 sorotipos, costuma ser associado a pneumonia, meningite e sepse;
- Meningococo (Neisseria meningitidis): possui 12 sorogrupos, mas os principais são A, B, C, W e Y.
Por muito tempo, o sorogrupo C foi o mais preponderante no Brasil, sendo meta da vacina do SUS. Atualmente, o sorogrupo B se tornou o principal no País, responsável por provocar surtos de subida mortalidade.
A ocorrência se concentra principalmente em crianças menores de 5 anos, conforme dados do pintura de meningite do Ministério da Saúde.
Veja os primeiros sintomas da meningite
Nas oito primeiras horas, os pacientes apresentam sintomas inespecíficos, porquê:
- Irritabilidade;
- Perda de gosto;
- Febre;
- Náusea/Vômito,
- Coriza;
- Dores em universal;
- Dor em membros inferiores;
- Sonolência.
No entanto, logo depois, entre nove e 15 horas da infecção, os pacientes registram rigidez na nuca, fotofobia, presença de manchas pelos corpos.
Legenda:
A febre pode ser um dos sintomas da meningite.
Foto:
Shutterstock/PeopleImages.
Por término, próximo de 24 horas, os pacientes já apresentam sintomas graves, que podem ser letrais, porquê:
- Confusão/delírio;
- Perda de consciência;
- Convulsão;
- Choque séptico;
- Falência multi-sistêmica.
A meningite pega pelo ar?
A transmissão da meningite ocorre de pessoa para pessoa por meio de gotículas ou secreções respiratórias. Ao contrário da gripe, que pode ter um contágio pelo ar, a meningite ocorre através do ósculo, tosse, esternutação, compartilhamento de objetos ou mesmo de seiva a partir da fala.
Diagnóstico da doença
O diagnóstico é confirmado a partir de exames de sangue, averiguando hemograma, eletrólitos, glicemia, entre outros; inspecção de imagem e punção lombar. A punção lombar ocorre quando extrai o líquido cefalorraquidiano presente entre as vértebras.
Com o líquido tirado, é preciso realizar o:
- Isolamento da bactéria no líquor;
- Isolamento da bactéria no sangue em pacientes com mudança no líquor;
- Detecção da bactéria no líquor por diagnóstico molecular.
Qual o melhor tratamento?
Para tratar meningite, Marcos explicou que o melhor tratamento consiste em utilizar antibióticos, prometer isolamento respiratório, e dar todo suporte médico de emergência — porquê o controle de febre e de convulsões, realizar a hidratação venosa e substanciar o oxigênio.
Sustar a propagação
Em um caso confirmado da doença, os médicos também recomendam outras ações para além do tratamento no paciente. É preciso sofrear a propagação da doença.
Assim, um grupo deve receber um antibiótico profilático. Dentre as pessoas que precisam ser alertadas para isso, estão:
- Contatos familiares e íntimos, porquê creches, orfanatos ou jardim de puerícia;
- Contatos que permaneceram 4 horas por dia por cinco dias;
- Profissionais da superfície de saúde que entraram em contato com secreções respiratórias do paciente.
Possíveis sequelas da meningite
Mesmo realizando todo o tratamento, a meningite ainda pode deixar sequelas nos sobreviventes. O perito afirmou que a doença pode estar relacionada com sofreguidão, dificuldade de tirocínio e dificuldades emocionais.
Ou por outra, os pacientes podem apresentar:
- Perda auditiva;
- Convulsões;
- Deficiência motriz;
- Dificuldade cognitiva;
- Deficiência visual.
Em casos mais graves, quando a doença lentidão a ser identificada, os sobreviventes podem ter amputações, cicatrizes cutâneas e deficiências renais.
Legenda:
A principal forma de prevenção da meningite é por meio da vacinação.
Foto:
Shutterstock/PanuShot.
Prevenção da meningite
A principal forma de prevenção da doença é por meio da vacinação. Não existe melhor forma de cuidar do que manter um esquema de vacinação atualizado. No entanto, o esquema vacinal vai depender de cada gaiato. Os pais precisam respeitar o pausa entre as doses e não olvidar de utilizar as doses de reforço.
É importante lembrar que um só imunizante não protege contra todas as meningites. Existem vários tipos de meningites e de vacinas, por isso, é preciso estar vigilante a qual imunizante o médico se refere.
* A repórter participou da Masterclass de Meningite da GSK, biofarmacêutica multinacional, em São Paulo.
**Marcos Gonçalves, pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP); alergologista e imunologista pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), presidente da Sociedade Alagoana de Pediatria.