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Educação: aprovados para improvisar - Colaboradores

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 29/04/2025 às 06:00 · Atualizado há 1 dia

Com o intuito de remodelar a educação médica no Brasil, o Ministério da Educação (MEC) apresentou, recentemente, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O objetivo central dessa iniciativa é estruturar um método nacional e uniforme para medir a qualidade da formação dos médicos no país, permitindo, inclusive, que seus resultados sejam aplicados como critério para ingresso em programas de residência médica.

 

Na prática, a instituição do Enamed revela um esforço para aprimorar os mecanismos de avaliação na formação médica, sugerindo a busca por padrões técnicos mais elevados nos cursos de Medicina. Do ponto de vista simbólico, o exame acaba funcionando mais como uma jogada política, especialmente enquanto o governo faz questão de posar como pioneiro dessas soluções tão “revolucionárias”.

 

Apesar do entusiasmo do Ministério da Educação em avaliar futuros médicos, parece faltar atenção à realidade da saúde pública. No Brasil, testamos competências para depois exigir que o talento se misture com a “criatividade” diante da carência até do básico.

 

Um estudo do Instituto Oncoguia evidenciou a gravidade do quadro: entre 318 hospitais habilitados em oncologia, 69% não entregaram protocolos completos para tratar câncer de mama, pulmão, melanoma, próstata e colorretal. Formamos médicos para sobreviverem ao caos; falta a eles, contudo, condições adequadas de trabalho. Por exemplo, no câncer de mama, a quimioterapia é ofertada, porém, medicamentos essenciais como o Pertuzumabe continuam inacessíveis em muitos locais. No tratamento do câncer de próstata, hormonioterapia existe, mas os remédios modernos são raros, no Nordeste, por exemplo, são encontrados apenas em 28% dos hospitais.

 

No câncer de pulmão, a modernidade terapêutica é exceção: apenas 4,7% das instituições dispõem de inibidores de EGFR ou crizotinibe. O tratamento, assim, se limita, e as esperanças, também. Situação semelhante se vê no câncer colorretal e melanoma, com terapias avançadas restritas e diretrizes pouco claras. Preparamos médicos para o futuro, mas oferecemos uma estrutura presa ao passado, esperando, paradoxalmente, resultados milagrosos.

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