Nasry Asfura, candidato à presidência do Partido Vernáculo, participa de entrevista à TV em Tegucigalpa, Honduras, em 26 de novembro
Jose Cabezas/Reuters
Com 34% dos votos apurados, o candidato conservador do Partido Vernáculo, Nasry Asfura, está na frente na corrida eleitoral pela presidência de Honduras, segundo a entidade eleitoral hondurenha. O país latino-americano foi às urnas neste domingo (30) em meio a uma situação de triplo empate entre candidatos da direita e da esquerda, segundo as principais pesquisas de intenção de voto.
Asfura é fruto de palestinos e tido porquê o "candidato" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O conservador concorre pela segunda vez à presidência e recebeu esteio formal de Trump, na semana passada. É o candidato do Partido Vernáculo, {sigla} manchada pela pena do ex-presidente Juan Orlando Hernández. Já foi prefeito de Tegucigalpa e também foi criminado de ramal de fundos e apareceu na lista do "Pandora Papers" de empresas offshore que sonegavam impostos.
Além dele, os outros principais nomes da disputa são:
Rixi Moncada, candidata da situação: Moncada é sucessora do projeto esquerdista de Castro e de seu marido, o ex-presidente Manuel Zeleaya, deposto em 2009 por um golpe militar. Já foi professora, advogada, juíza e ministra da Economia, da Resguardo e do Trabalho. Mas foi acusada de devassidão quando dirigiu a empresa estatal de eletricidade durante o governo de Zelaya e de nepotismo — vários parentes seus ocupam cargos públicos.
Salvador Nasralla, estrela de TV e fã de Milei e Bukele: Narrador de futebol, apresentador de concursos de venustidade e estrela da televisão sítio, Nasralla concorre pela quarta vez à presidência, desta vez porquê candidato do Partido Liberal. Admira o presidente da Argentina, Javier Milei, pela gestão da economia, e o de El Salvador, Nayib Bukele, por sua política de segurança. E diz que copiará ambos.
As eleições presidenciais deste domingo ocorrem em vez único — ou seja, o resultado deste domingo já determinará quem substituirá a atual presidente, Xiomara Castro, que em 2021 levou a esquerda de volta ao poder hondurenho depois 12 anos de governos conservadores.
Propostas
Os candidatos à presidência de Honduras Nasry Asfura, Rixi Moncada e Salvador Nasralla.
Leonel Estrada e Fredy Rodriguez/ Reuters
Os candidatos têm evitado apresentar propostas específicas durante a campanha e preferiram se concentrar em acusar seus rivais de devassidão ou manipulação eleitoral.
Moncada fala em “democratizar” a economia com medidas porquê uma estrutura tributária mais progressiva e chegada facilitado a crédito conseguível.
Nasralla tem focado seu oração de campanha no combate à devassidão. O ex-apresentador de televisão ainda se apresenta porquê um outsider, apesar de ter se coligado a diversos partidos ao longo dos anos. Ele também alertou sobre a possibilidade de fraude eleitoral antes da votação de domingo.
Já Asfura se apresenta porquê um construtor pragmático capaz de atender às necessidades de infraestrutura de Honduras.
➡️ Uma pesquisa do Instituto Gallup apontou que Nasralla tem 27% das intenções de voto, Moncada, 26%, e Asfura 24% das intenções de voto. Outros 18% eleitores ainda estavam indecisos, ainda de combinação com o levantamento.
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Temores de fraude e anulação
A diretora do Juízo Vernáculo Eleitoral (CNE) de Honduras fala à prensa depois o CNE detectar omissão em sistema de enumeração de votos, em novembro de 2025.
Leonel Estrada/ Reuters
Para além das propostas, no entanto, o que preocupa mais os eleitores é o temor de que o pleito seja anulado. Na semana passada, autoridades eleitorais relataram ter encontrado irregularidades durante um teste no sistema de resultados preliminares, que costuma transpor poucas horas depois o fechamento das urnas.
Rixi Moncada ameaçou portanto não reconhecer o resultado, caso o erro persistisse, levantando preocupação de observadores internacionais com a legitimidade das eleições hondurenhas.
A missão de reparo eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Honduras afirmou, no início deste mês, que “também observou ações e declarações, praticamente diárias, que geram incerteza e desestabilizam o processo eleitoral”.
“Todos falaram sobre fraude”, disse à filial de notícias Associated Press María Méndez Dardón, diretora para a América Mediano do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA), uma organização não governamental focada em direitos humanos. “Eles criam ainda mais incerteza no envolvente quando vemos uma classe política que resiste a se sujeitar à vontade popular, mas também ao trabalho das instituições eleitorais".
Forças Armadas
Militares participam de cerimônia de início de distribuição das urnas eletrônicas para as eleições presidenciais em Honduras, em Tegucigalpa, em novembro de 2025.
Leonel Estrada/ Reuters
Eleitores também vêm manifestando preocupação com uma interferência das Forças Armadas no processo eleitoral.
Executores do golpe de Estado de direita que derrubou Manuel Zelaya há 16 anos, os militares solicitaram no mês pretérito ao Juízo Vernáculo Eleitoral (CNE) chegada às atas eleitorais para verificar a enumeração de votos.
Pela Constituição hondurenha, as Forças Armadas estão limitadas à função de velar o material das eleições durante processos eleitorais.
Apesar de rejeitada pelo CNE, a solicitação gerou temores de uma intromissão dos militares em prol do Partido Libre caso surjam alegações de fraude no domingo.
Para a diretora do WOLA, a preocupação maior é com o indumento de, recentemente, os militares terem se aproximado da atual presidente, Xiomara Castro -- mesmo que já tenham tentado derrubar o marido de Castro.
Isso porque a atual presidente, que assumiu com a promessa de virar a tendência de governos hondurenhos de dependerem das Forças Armadas para prometer a segurança no país, acabou convocando os militares em 2022, ao declarar estado de emergência para mourejar com a violência de gangues na capital Tegucigalpa.
Xiomara Castro também cancelou alguns direitos constitucionais por conta do estado de emergência.
Desde portanto, a maioria dos municípios de Honduras ainda opera sobre o decreto de emergência, e as Forças Armadas voltaram a desempenhar um papel médio na segurança do país.
"É preocupante porque atualmente os militares respondem à presidente, e essa extrapolação de funções pode colocar as eleições em um cenário muito oposto", disse Méndez Dardón.
Na terça-feira, em uma reunião da Organização dos Estados Americanos, o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, pediu que se exija em Honduras um processo eleitoral "livre de fraude e violência". Washington advertiu que, caso haja perturbações ao processo eleitoral, responderá "com firmeza".
Taxa de homicídios mais subida da América Mediano
No ano pretérito, Honduras registrou sua menor taxa de homicídios em 30 anos.
Ainda assim, a taxa segue sendo a mais subida de toda a América Mediano, e, por isso, acabou se tornando um dos pilares da campanha deste ano. A corrida eleitoral também foi "contaminada" pela atual operação militar que o governo de Donald Trump conduz no mar do Caribe, perto da costa da Venezuela, e que gerou temores de uma invasão ao território venezuelano.
Nesse ponto, Nasralla foi a voz dominante e repetiu o polêmico oração de que também quer erigir megaprisões porquê a vizinha El Salvador. Mas foi para Asfura que Trump declarou esteio.
Na sexta-feira (28), o presidente norte-americano inclusive disse que, se Asfura não lucrar, "o verba não vai entrar (em Honduras).
O fator Trump
A influência atual de Donald Trump na América Latina também respingou no pleito hondurenho. Só em 2025, os Estados Unidos deportaram 27.000 migrantes de Honduras e revogaram o Status de Proteção Temporária (TPS, na {sigla} em inglês) de 51.000 hondurenhos.
Cada candidato fez, segundo sua ideologia, qualquer gesto a Trump.
Moncada diz que respeitará o tratado de extradição com Washington, questionado por Castro. Nasralla prometeu romper com a Venezuela e, assim porquê Asfura, promover um diálogo melhor com o governo americano.
Todos expressaram disposição de se aproximar de Taiwan, depois que Xiomara Castro restabeleceu relações com a China, em 2023.