Publicidade
Capa / Última Hora

Brasil, Rússia, Índia e China: Uma nova coreografia de poder global - Colaboradores

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 24/10/2025 às 06:00 · Atualizado há 2 dias
Brasil, Rússia, Índia e China: Uma nova coreografia de poder global - Colaboradores
Foto: Reprodução / Arquivo

A nova dinâmica dos BRICS em 2025 reflete um cenário marcado pela  intensificação da guerra comercial e tarifária desencadeada pelo governo de  Donald Trump contra o bloco. Em especial, Rússia, China, Índia e Brasil  assumem posições estratégicas para redefinir os rumos da governança global,  ampliando o peso do grupo como alternativa ao modelo ocidental.

A Rússia, apesar das sanções ocidentais, consolidou-se como fornecedor  energético e parceiro militar indispensável, estreitando vínculos com China e  Índia. Essa aproximação fortaleceu a resiliência russa diante do isolamento  imposto e tem projetado o bloco como espaço de autonomia estratégica.

A China mantém-se como eixo articulador dos BRICS. Ao enfrentar tarifas  norte-americanas mais duras em 2025, reforçou cadeias de suprimentos no Sul  Global e tem acelerado a internacionalização do yuan. A Iniciativa Cinturão e  Rota foi reposicionada para convergir com os interesses do bloco, criando  corredores econômicos capazes de rivalizar com rotas dominadas por EUA e  União Europeia.

A Índia passou a fortalecer sua inserção no grupo após a ofensiva tarifária  americana. Nova Deli tem tentado equilibrar a manutenção de laços ocidentais  com maior engajamento no BRICS, destacando-se em setores como tecnologia  da informação, farmacêutica e transição energética.

O Brasil emergiu como elo político e econômico vital. Ao assumir a  presidência rotativa do bloco, articulou pautas de sustentabilidade, inclusão  social e reforma das instituições multilaterais. Além disso, aproveitou a disputa  geopolítica para ampliar mercados para o agronegócio, energia renovável e  minerais estratégicos, reforçando sua condição de ponte entre América Latina e  o Sul Global.

Portanto, o BRICS tem rapidamente deixado de ser apenas um fórum de  diálogo para se consolidar como frente de contraposição econômica e  diplomática ao unilateralismo norte-americano. O protagonismo compartilhado  entre Rússia, China, Índia e Brasil tem garantido coesão interna e fortalecido o  bloco como polo alternativo de poder no comércio, nas finanças e na política global.

Bruno Lessa é professor

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade