A nova dinâmica dos BRICS em 2025 reflete um cenário marcado pela intensificação da guerra comercial e tarifária desencadeada pelo governo de Donald Trump contra o bloco. Em especial, Rússia, China, Índia e Brasil assumem posições estratégicas para redefinir os rumos da governança global, ampliando o peso do grupo como alternativa ao modelo ocidental.
A Rússia, apesar das sanções ocidentais, consolidou-se como fornecedor energético e parceiro militar indispensável, estreitando vínculos com China e Índia. Essa aproximação fortaleceu a resiliência russa diante do isolamento imposto e tem projetado o bloco como espaço de autonomia estratégica.
A China mantém-se como eixo articulador dos BRICS. Ao enfrentar tarifas norte-americanas mais duras em 2025, reforçou cadeias de suprimentos no Sul Global e tem acelerado a internacionalização do yuan. A Iniciativa Cinturão e Rota foi reposicionada para convergir com os interesses do bloco, criando corredores econômicos capazes de rivalizar com rotas dominadas por EUA e União Europeia.
A Índia passou a fortalecer sua inserção no grupo após a ofensiva tarifária americana. Nova Deli tem tentado equilibrar a manutenção de laços ocidentais com maior engajamento no BRICS, destacando-se em setores como tecnologia da informação, farmacêutica e transição energética.
O Brasil emergiu como elo político e econômico vital. Ao assumir a presidência rotativa do bloco, articulou pautas de sustentabilidade, inclusão social e reforma das instituições multilaterais. Além disso, aproveitou a disputa geopolítica para ampliar mercados para o agronegócio, energia renovável e minerais estratégicos, reforçando sua condição de ponte entre América Latina e o Sul Global.
Portanto, o BRICS tem rapidamente deixado de ser apenas um fórum de diálogo para se consolidar como frente de contraposição econômica e diplomática ao unilateralismo norte-americano. O protagonismo compartilhado entre Rússia, China, Índia e Brasil tem garantido coesão interna e fortalecido o bloco como polo alternativo de poder no comércio, nas finanças e na política global.
Bruno Lessa é professor