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A representatividade feminina nas eleições municipais no Ceará: Avanços e desafios - Colaboradores

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2025 às 06:00 · Atualizado há 18 horas

As eleições municipais de 2024 no Ceará apresentaram um cenário que, embora demonstre avanços, ainda evidencia as disparidades de gênero no comando dos municípios. A eleição de 38 mulheres para o cargo de prefeita, o que representa cerca de 20% das prefeituras cearenses, revela um crescimento, mas também ressalta o longo caminho que ainda precisa ser percorrido para alcançar uma representação equilibrada no Executivo municipal.

 

O aumento de 26,6% no número de prefeituras comandadas por mulheres em comparação com as eleições de 2020, quando 30 mulheres haviam sido eleitas, é um reflexo do crescente engajamento feminino na política, que vem se ampliando com o tempo. Porém, é inegável que os 38 municípios com mulheres à frente representam apenas uma pequena fração do total de 184 cidades do Ceará, sendo um número ainda tímido, que denota uma sub-representatividade feminina em um contexto no qual a participação das mulheres no eleitorado tem sido cada vez mais expressiva.

 

A realidade de uma sociedade patriarcal ainda se reflete nas urnas. Uma triste evidência dessa desigualdade foi a ausência de mulheres como candidatas à Prefeitura de Fortaleza neste pleito. A capital cearense, que concentra uma significativa parcela do eleitorado do Estado, viu todas as nove candidaturas ao cargo de prefeito serem compostas por homens.

A falta de representatividade feminina disputando cargos de grande visibilidade, como a Prefeitura de Fortaleza, aponta para a necessidade urgente de maior incentivo à participação feminina em cargos eletivos.

 

Em um cenário em que muitas mulheres têm se destacado em várias áreas da sociedade, como na educação, na saúde e em outras frentes de liderança, a política ainda parece resistir a essa mudança. As mulheres enfrentam desafios como o machismo estrutural, a falta de financiamento de campanhas, a escassez de apoio partidário e o preconceito em relação à sua capacidade de liderança, o que dificulta sua ascensão ao poder.

 

Para que a representatividade feminina na política se torne mais expressiva e equilibrada, é necessário que as instituições políticas, partidos e eleitores adotem atitudes mais inclusivas e apoiem as mulheres em sua jornada política.

 

Lívia Chaves Leite é advogada, titular da área eleitoral do RWPV Advogados e mestre em direito constitucional e teoria política

 

 

 

 

 

 

 

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