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A proposta ambiciosa que fez o 'pai do Pix' deixar o Banco Central

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 16/11/2025 às 07:34 · Atualizado há 1 dia
A proposta ambiciosa que fez o 'pai do Pix' deixar o Banco Central
Foto: Reprodução / Arquivo
Pix completa cinco anos
Depois de 23 anos no Banco Mediano (BC), Carlos Eduardo Brandt, que liderou o time que desenvolveu o Pix, resolveu há três meses deixar a instituição — e o Brasil. Trocou Brasília por Washington.
A curso no BC era coisa de família. O pai e o avô de Brandt também foram servidores da instituição. Mas, nessas duas décadas em que ele esteve na autonomia, criada em 1964, o Banco Mediano do Brasil assumiu um protagonismo inédito.
E Brandt também. Em 2021, foi o único brasiliano na lista da Bloomberg das 50 pessoas que definiram os rumos dos negócios globais naquele ano. O Pix havia completado de completar um ano e tinha dobrado a base de usuários, de 56 milhões para 113 milhões de pessoas, chamando atenção do mundo.
Desde portanto, o protótipo de pagamentos momentâneo brasiliano, que completa cinco anos em funcionamento neste domingo (16), se tornou referência internacional e, hoje, é o elemento mais visível de um grande ecossistema que o país desenvolveu no segmento de pagamentos digitais.
Hoje, o Pix tem 161,7 milhões de usuários pessoas físicas e 16,3 milhões de pessoas jurídicas. Nestes cinco anos, movimentou R$ 85 trilhões, ou sete vezes o Resultado Interno Bruto brasiliano, mostra estudo da fintech Ebanx com base em dados públicos.
A estudo aponta que o sistema de pagamento já é mais popular que o cartão de crédito e é usado por 93% da população adulta do país.
A estimativa é que o sistema atinja ainda neste ano 7,9 bilhões de transações por mês ainda neste ano e que o valor totalidade movimentado por ano chegue a R$ 35,3 trilhões, um aumento de 34% em relação a 2024.
Os números que atestam o sucesso estrondoso do Pix e a vaga de inovação brasileira que que ele representa levaram o Fundo Monetário Internacional (FMI) a oferecer uma vaga para Brandt na dimensão de pagamentos e infraestruturas de mercados, onde ele atua desde agosto.
Pix porquê referência internacional
O FMI é uma organização global com 191 países, mais sabido na América Latina pelos empréstimos com contrapartidas amargas, porquê cortes de gastos públicos, feitos no pretérito a países em apuros financeiros.
Mas ele também tem entre as atribuições oferecer assistência técnica aos membros e promover cooperação entre eles. E foi com essa perspectiva em mente que Brandt considerou a proposta interessante.
"A minha percepção foi de que eu poderia contribuir com outros países e numa graduação global", diz ele à BBC News Brasil.
A teoria era usar o conhecimento aglomerado com a experiência brasileira para ajudar a melhorar o sistema financeiro internacional — por exemplo, buscando soluções para simplificar a realização de pagamentos instantâneos entre países, ponto sobre o qual o brasiliano tem se debruçado desde que assumiu o novo trabalho.
Esse é um mundo labiríntico, com obstáculos que vão desde a operação com moedas diferentes até as particularidades da regulamentação financeira de cada país e questões de segurança internacional.
"Cada país tem sua legislação, mas também existem os padrões internacionais que todos têm que seguir. É um quebra cabeça um pouco mais multíplice", ele ressalta.
Brandt tem observado de perto iniciativas porquê o projeto de interligação financeira dos 16 países da Comunidade de Desenvolvimento da África Sul (SADC) e o Nexus, do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na {sigla} em inglês), que propõe interligar sistemas de pagamentos de diversos países e permitir transações entre eles de forma instantânea.
O Nexus já foi denominado de "Pix internacional" e está sendo implementado inicialmente em cinco nações asiáticas: Índia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia.
O objetivo, segundo ele, é "tentar estribar na medida que for verosímil essa agenda de pagamentos entre países", para facilitar tanto as trocas entre pessoas quanto as trocas comerciais.
Nessa seara, também está incluída a novidade fronteira das finanças globais, as chamadas Mediano Bank Do dedo Currencies (CBDC), ou moedas digitais dos Bancos Centrais, que estão sendo desenvolvidas em dezenas países com tecnologia semelhante à das criptomoedas com a promessa de simplificar ainda mais as transações financeiras.
Pix se tornou referência internacional de sistema de pagamento do dedo
Marcello Parelha Jr/Filial Brasil/Registro via BBC
Big techs vs. Pix
Os efeitos de iniciativas porquê essas seriam parecidos com os do Pix, mas em graduação maior: redução de dispêndio para consumidores, desburocratização, aumento de eficiência.
Em uma fala recente sobre as CBDCs, o diretor do departamento de mercados monetários e de capitais do FMI, Tobias Adrian, comentou que imigrantes que enviam numerário para a família em seus respectivos países hoje pagam tarifas altas às empresas que fazem remessas de recursos entre países, desembolsando em média 6,5% do valor enviado em taxas.
"Para fazer o sistema financeiro global dar perceptível, precisamos nos unir e fazer os pagamentos globais darem perceptível. Secção dos US$ 45 bilhões de dólares pagos anualmente aos provedores de remessas poderiam voltar para os bolsos dos pobres", afirmou na ocasião.
Porquê no exemplo citado pelo diretor do FMI, a simplificação do sistema global de pagamentos implica na perda de bilhões de dólares por quem hoje ganha com a intermediação financeira, porquê bancos e, mais recentemente, as grandes empresas de tecnologia.
Esse efeito é potencializado em um cenário de popularização do protótipo brasiliano construído em torno do Pix, em que o Banco Mediano, e não uma empresa privada, desenvolveu, implantou e opera o sistema.
Essa é, aliás, uma das grandes particularidades do sistema de pagamentos brasiliano. Porquê apontou a BBC News Brasil em reportagem recente, o protótipo adotado em países porquê a Índia, apesar do sucesso, também inspira preocupação.
No exemplo do UPI indiano, a participação de empresas privadas porquê operadoras do sistema acabou levando à concentração da lanço final da calabouço de pagamentos instantâneos nas mãos de multinacionais porquê Google e Walmart.
O protótipo brasiliano, por outro lado, favoreceu o fortalecimento do mercado doméstico e garantiu autonomia ao país, objetivos que, porquê contou Brandt à reportagem, já estavam na perspectiva do Banco Mediano quando a equipe desenhou o Pix.
"Uma das coisas que norteou muito a definição do Banco Mediano porquê orquestrador foi a visão de que, para se entender um ecossistema de pagamentos que fosse realmente inclusivo, o mais favorável seria ter um agente neutro", Brandt argumenta.
"E o agente neutro por primazia, no caso brasiliano, é o Banco Mediano, que é o regulador e não tem nenhum tipo de objetivo de lucro."
É um exemplo prático do que ficou sabido porquê "infraestrutura pública do dedo", a teoria de que algumas soluções na dimensão de tecnologia — porquê a digitalização da economia — são de interesse público e, por isso, não deveriam ser controladas pela iniciativa privada.
Em 2023, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma campanha para impulsionar a adoção dessa infraestrutura em diversos países.
O Brasil aderiu à iniciativa e compartilhou suas experiências, entre elas, a da novidade carteira de identidade pátrio (CIN), vinculada à plataforma gov.br, e da Rede Pátrio de Dados de Saúde, que objetiva reunir e compartilhar os dados do setor de saúde em todo o país.
"O Pix entra porquê essa infraestrutura pública do dedo, ou seja, é um muito público de que a sociedade precisa e que não pode estar dependente de uma solução privada", diz Brandt.
"O Brasil é uma referência mundial, mas vários outros países também têm essa visão e incorporaram essa iniciativa [das infraestruturas públicas digitais]", comenta.
A teoria tem ganhado tração internacionalmente, mas parece não aprazer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Pix recentemente entrou na mira do governo americano, que em julho o colocou na lista de assuntos que seriam investigados pelo Escritório do Representante Mercantil dos Estados Unidos (USTR, na {sigla} em inglês) porquê prática mercantil desleal.
Uma das razões apontadas para a investida seria o impacto do sistema de pagamentos brasiliano no bolso das big techs, as grandes empresas de tecnologia, que deixam de lucrar numerário por conta da forma porquê ele foi desenhado.
Questionado sobre o ponto pela reportagem, Brandt evita polêmicas e diz que, em sua visão, "as infraestruturas digitais públicas são um jogo de ganha-ganha".
"Porque, à medida que você tem um processo de digitalização da economia, você tem um processo de digitalização extenso, em diversos segmentos", ele argumenta, emendando que essa dinâmica também pode penetrar novas oportunidades de negócios para as empresas de tecnologia.
Sobre a investigação contra o Pix, que ainda está em curso, o brasiliano afirma que "cada governo é livre para tentar identificar e formar sua crença em relação a cada feição" no setor de pagamentos.
E completa: "O que eu tenho a proferir é que o Banco Mediano do Brasil foi muito convicto naquilo que foi feito, sempre foi muito fundamentado em objetivos públicos que pudessem se transcrever em benefícios à sociedade brasileira".
'Laboratório global' de finanças digitais
O Pix é a ponta mais visível de uma grande rede de inovação na dimensão de finanças digitais construída no percurso da última dez que acabou tornando o Brasil referência internacional no segmento de finanças digitais.
Em um relatório recente, o fundo de investimento em capital de risco Valor Capital Group, que atua nos EUA e na América Latina, se dedicou a investigar a experiência brasileira nesse sentido, destacando que "o Brasil oferece um exemplo concreto de porquê uma infraestrutura do dedo coordenada e inclusiva pode correr o progresso".
Referindo-se ao país porquê um "laboratório global de finanças digitais", o texto lista, além do Pix, iniciativas porquê o Open Finance, o sistema desenvolvido para permitir o compartilhamento seguro de dados financeiros de clientes entre diferentes instituições financeiras e o sistema unificado de identificação do dedo do governo federalista, o gov.br.
Ex-funcionário de curso do Banco Mediano, Carlos Eduardo Brandt liderou time que desenvolveu o Pix
Reprodução/LinkedIn via BBC

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