A decisão do governo Donald Trump de impor tarifas econômicas a países como Colômbia, México, Canadá e China para resolver, na maioria dos casos, questões não econômicas viola o tratado celebrado por estes países no âmbito da Organização Mundial do Comércio.
No caso da Colômbia, o aumento de tarifas aduaneiras deu-se com a não aceitação deste país pela violação dos direitos humanos imposto pelo governo do presidente norte-americano aos nacionais colombianos na política de imigração dos EUA.
Em relação ao México, a justificativa de Trump foi a de que o governo do México “têm uma parceria com os cartéis de narcotraficantes”. O governo mexicano ficou de dar a resposta na mesma medida, e a presidente mexicana afirmou que “não é impondo tarifas que os problemas se resolvem, mas conversando e dialogando.”
O primeiro-ministro canadense Trudeau afirmou que adotaria também a reciprocidade da tarifação aos produtos americanos em 25%.
Quanto ao governo chinês, com o qual Trump já adotara o aumento de tarifas em seu primeiro mandato, disse que iria recorrer da decisão americana junto à OMC.
O fato é que, se as incertezas quanto à política tarifária do governo americano persistirem, haverá inflação nos EUA e aumento dos juros americanos. Estes juros autos atrairia a demanda internacional por dólar, fazendo elevar a cotação desta moeda em relação às do resto do mundo. Esta instabilidade econômica também eleva a procura por dólar em países emergentes como o Brasil, valorizando a moeda americana e causando inflação decorrente de insumos importados, o que, por sua vez, causa aumento da taxa de juros como meio de cessar o aumento inflacionário.
O Brasil não deve ser alvo preferencial das novas taxas americanas, porque ele não tem acordo de livre comércio firmado com os EUA. Além disso, a balança comercial com os americanos é deficitária para o Brasil e, por isso, em tese, teriam os EUA mais a perder em caso de aumento de tarifas. Em todo caso, ele é integrante do BRICs, que pretende adotar outra moeda para fugir das consequências da oscilação do câmbio em relação à demanda pelo dólar.
Este cenário de incertezas deve causar uma redução não pouco significativa na taxa de crescimento da economia global.