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8h de aflição, tumulto e dedicação: como era o cenário dentro e fora do César Cals após o incêndio - Ceará

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 14/11/2025 às 06:00 · Atualizado há 23 horas
8h de aflição, tumulto e dedicação: como era o cenário dentro e fora do César Cals após o incêndio - Ceará
Foto: Reprodução / Arquivo

Primeiro a falta de robustez elétrica. Depois, ela voltou e rapidamente faltou de novo. Em seguida, o odor da fumaça invadiu corredores e salas. A partir daquela hora, por volta de 10h45 da manhã de quinta-feira (13), a rotina dos pacientes - bebês, gestantes e puérperas - acompanhantes e profissionais de saúde do Hospital Universal Dr. César Cals, no Meio de Fortaleza, foi completamente alterada. A unidade, que sofreu um incêndio, foi completamente esvaziada, às 18h54, quando o último bebê foi retirado sob aplausos, em seguida mais de 8 horas de um cenário de tortura, tumulto e dedicação dos profissionais. 

Nesta sexta-feira (14), uma reunião - que incluirá a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) e a direção da unidade - irá definir onde os funcionários irão atuar nos próximos períodos até que a situação da unidade seja restabelecida. O encontro ocorre um dia em seguida a movimentação no interno e entorno do hospital ter sido de gritos, correria e pânico diante do incêndio que atingiu os geradores de robustez do hospital.

O indumentária trágico foi marcado também por uma tentativa generalizada de salvar vidas. Ao final do dia, quase 8 horas em seguida o incêndio, mais de 117 bebês e 153  mães e acompanhantes foram transferidos para ao menos 6 outros hospitais, tanto da rede estadual, quanto da municipal de Fortaleza. 

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O incêndio, que durou murado de 25 minutos, conforme o Corpo de Bombeiros, ficou restrito à vivenda de geração de robustez do hospital, que é o mais vetusto da rede estadual do Ceará, com quase 100 anos. A superfície atingida fica localizada nos fundos da unidade, onde há também um estacionamento e uma saída para a Avenida Tristão Gonçalves. Foi por lá que os bombeiros entraram para debelar o queima.  Com o incêndio, a unidade foi completamente esvaziada. 

A reportagem do Quotidiano do Nordeste passou horas no sítio com chegada ao interno da unidade e também ao entorno do prédio. Na secção da frente, na Avenida Imperador, pacientes tentavam transpor da unidade por duas entradas - a emergência e a ambulatorial - e seguiram rumo ao “Beco da Poeira” e ao Dentro do César Cals, na mesma via.

Gestantes com crianças, mulheres puérperas e bebês acompanhados por profissionais da saúde passavam rapidamente para fora sob efeitos ainda da fumaça. Comboios de ambulâncias chegavam e saíam. 

Legenda: Foram mais de 8 horas de uma operação para retirar e transferir todos os pacientes do Hospital César Cals em seguida incêndio

Foto: Fabiane de Paula

Outro ponto de escape foi a ingressão do serviço de imagem pela Rua Galeria Professor Brandão, na lateral, que separa o hospital da Terreiro da Lagoinha, sítio inclusive onde gestantes e puérperas foram colocadas, em cadeiras de rodas, mal saíram da unidade em meio ao incêndio. A cena atípica comoveu e mobilizou. Na rossio tão famosa pelo negócio ambulante de itens diversos, pacientes ficaram sentadas aguardando um desfecho.  Abaladas, emocionadas e apreensivas. 

Na frente da unidade, muita gritaria e solidariedade. Bebês foram “socorridos” para dentro do famoso “Beco da Poeira”, núcleo de negócio popular. Incubadoras foram ligados dentro do box do sítio. Era preciso deixar o hospital e essa saída dos bebês se deu em meio à povaréu que tentava agilizar o processo. Os pequenos pacientes deixavam a unidade amparados e sob monitoramento de enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem nos equipamentos ou nos braços das próprias mães.

Comerciantes, moradores de ruas, ambulantes, transeuntes do Meio e funcionários do hospital, em uma correria intensa, se colocaram em missão para ajudar a salvar centenas de pacientes. Guarda-sóis das bancas de ambulantes foram usados para bloquear o sol no trajeto dos recém-nascidos. 

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Do lado de dentro, susto, susto e tumulto. “Eu vim seguir minha filha porque meu neto está internado, e ela vem todos os dias visitar ele. Ele nasceu prematuro e tá na UTI. Ela entrou para o banco de leite e aí começou o tumulto, a fumaça. Eu fiquei desesperada do lado de fora. Tudo muito escuro, um terror”, relatou a dona de vivenda Medris Pereira que acompanhava a filha Aline Pereira na visitante ao neto. 

Médicos, enfermeiros, técnicos, socorristas, assistentes sociais, maqueiros e diferentes trabalhadores da unidade compartilhavam cuidados e esforços na operação de base e retirada dos pacientes. Um entra e sai de macas, incubadoras e cadeiras de rodas marcava o ritmo do processo de transferência - alguns internados há dias, outros há meses. 

'Salvar o fruto'

Na correria, Aline, que estava no banco de leite, se direcionou à UTI para “salvar o fruto”, mas ele já havia sido retirado, registra a avó. “Não tinha mais nenhum (bebê) quando ela chegou lá. Aí saímos procurando fora olhando para todos os bebês para encontrar ele”. 

Legenda: População se uniu para ajudar no resgate

Foto: Ismael Soares

O recém-nascido que estava na incubadora foi encontrado na superfície externa do hospital. As equipes o haviam levado. Depois, seguiu para o incorporado, voltou para o hospital e mais tarde foi transferido. 

A situação também foi vivenciada pela dona de vivenda Damara Feitosa, mãe de Henry, nascido no César Cals há menos de 1 mês. Prematuro, o neném estava internado na unidade e aguardava por subida na fatídica quinta-feira (13). O incêndio veio antes da liberação, logo mãe e fruto passaram juntos pela ocorrência, 

“Mandaram a gente entrar e permanecer nos quartos, mas com menos de 10 minutos começou a subir a ‘fartum’ de fumaça, porque tava perto de onde explodiu o gerador. E começaram a gritar que era pra segregar o hospital”, descreve.

Depois o tumulto e à medida que a situação foi sendo administrada, os médicos cogitaram manter a internação da menino, relata a mãe. Mas, em seguida apelos dela mesma e avaliações, liberaram os dois para retornar para vivenda. Damara “agradeceu o livramento”, e assim uma vez que outras mulheres, depois do momento de pânico, deixou o hospital para seguir junto ao fruto rumo ao lar. 

Outras gestantes seguiam apreensivas. Durante as mais de 8 horas de transferência, depoimentos de susto, sofreguidão e pavor pela ocorrência se repetiam na ingressão do hospital por onde passaram mais de 100 mulheres, acompanhadas ou sozinhas. 

Legenda: Paciente sendo retirada do Hospital

Foto: Fabiane de Paula

Também nessas entradas passaram dezenas de ambulâncias durante o tempo de transferência em um movimento contínuo de contato dos socorristas com as equipes do hospital. Funcionários do César Cals se revezavam na liberação, elencando nomes, unidades para onde seriam levadas e conferiam se havia materiais necessários em cada veículo. 

“Eu estou muito ansiosa com tudo isso”, relatou ao Quotidiano do Nordeste uma gestante de 5 meses, que vivencia uma gravidez de superior risco e por isso está na unidade. Na tarde de ontem, acompanhada do pai do neném, ela seguiu transferida para o Hospital Universitário, no Itaperi. 

Acompanhantes buscavam notícias

Na mesma ingressão, acompanhantes chegavam de bairros diversos em procura de notícias sobre os bebês ou sobre as mulheres. “Vim detrás da minha nora. Ela está com 8 meses e veio fazer uma consulta ontem e ficou internada. Está assustada. Na hora que começou o incêndio, ela me ligou e eu vim”, relatou a sogra, que não quis se identificar e até o final da tarde aguardou para saber que a nora ia para o Gonzaguinha de Messejana. 

Dois profissionais do SAMU empurram uma incubadora neonatal sobre uma maca em uma calçada, próximos a uma ambulância vermelha estacionada. Um veículo oficial do Governo do Ceará está ao lado, e uma pessoa observa a cena mais ao fundo, na rua movimentada.

Legenda: Várias incubadoras com bebês foram transferidas para outros hospitais de Fortaleza em seguida incêndio no César Cals

Foto: Kir Júnior

Além da tensão pela ocorrência em si, apontou ela, muitas pacientes estavam sem ter uma vez que carregar os celulares, já que secção da unidade ficou sem robustez em seguida o incêndio. Isso fez com que algumas ficassem sem contato. 

No processo, a Enel Ceará instalou geradores para prometer o funcionamento da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo), e de outras alas da instituição para que fosse assegurada a transferência dos pacientes. Esse processo mobilizou mais de 60 ambulâncias. Por volta das 15h, em seguida inúmeras chegadas e partidas de veículos do tipo, mais de 20 ambulâncias estavam enfileiradas nos dois lados da Avenida Imperador. Seguiam em comboio para os demais hospitais escoltados por motos da Polícia Militar. 

Agentes de segurança motorizados, usando capacetes e coletes táticos, circulam e vigiam uma rua onde várias ambulâncias do SAMU estão alinhadas. Ao fundo, moradores aparecem próximos a cadeiras brancas encostadas em uma parede grafitada.

Legenda: Ambulâncias foram escoltadas pela Polícia Militar para atravessa o trânsito.

Foto: Fabiane de Paula

Depois a partida e durante o processo, funcionários também externaram cansaço e emoção. Alguns, inclusive, chegaram a passar mal, uma vez que uma técnica de enfermagem que caiu na saída do hospital e logo recebeu auxílio. Comovidos e abalados, lamentavam a ocorrência que alterou não só a rotina daquele dia, mas que marca a história deles mesmos, da unidade e tantos pacientes sob seus cuidados.     

No sítio, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Nível Médio e Técnico que atuam na saúde do Estado do Ceará (Sindisaúde), Quintino Neto, reforçou que o César Cals não tinha queixas destacadas em relação à estrutura. Mas que esse tipo de ocorrência evidencia a premência de melhora também física dos equipamentos. 

Com o esvaziamento do hospital e fechamento momentâneo, a orientação da Sesa é que as gestantes de superior risco devem buscar atendimento na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac) e no Hospital Universal de Fortaleza (HGF). Já as gestantes de reles risco serão encaminhadas aos Gonzaguinhas de Messejana, José Walter e Barra do Ceará. 

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