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Você acha que é viciado em Instagram? A ciência diz que provavelmente não

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 27/11/2025 às 19:50 · Atualizado há 4 dias
Você acha que é viciado em Instagram? A ciência diz que provavelmente não
Foto: Reprodução / Arquivo

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O Instagram é frequentemente associado à teoria de “vício”, mas um estudo publicado no Scientific Reports, da revista Nature, indica que essa percepção está distorcida. Embora a sentença faça segmento do cotidiano — circulando em memes, conversas e até comunicados oficiais — os dados mostram que a maioria dos usuários confunde hábitos automáticos com submissão clínica.

Entre mais de 1.200 adultos avaliados, unicamente 2% apresentaram sinais compatíveis com risco real de vício, enquanto 18% afirmaram, ao menos parcialmente, sentir-se “viciados”. Isso significa que, para cada caso médico, há pelo menos oito pessoas que acreditam ter um problema inexistente.

Estudo revela por que usuários acreditam estar “viciados” no Instagram

Os pesquisadores conduziram duas etapas de estudo. A primeira avaliou a prevalência real de sintomas clínicos associados a submissão. A segunda investigou porquê a simples teoria de “vício” pode influenciar a relação do usuário com o aplicativo. Em um experimento, voluntários foram convidados a ortografar por dois minutos sobre momentos em que sentiram estar usando o Instagram de forma problemática.

Pesquisa mostrou que rotular o uso excessivo de Instagram porquê “vício” aumenta a culpa e reduz a sensação de autonomia (Imagem: Worawee Meepian/Shutterstock)

O resultado mostrou que, unicamente com esse treino, os participantes sentiram menos controle sobre o próprio uso, lembraram mais de tentativas frustradas de reduzir o tempo de tela, relataram maior sensação de culpa ao passar mais tempo no app e ainda acreditaram que precisariam diminuir o uso no horizonte.

O comportamento real não havia mudado — unicamente a percepção. Para os pesquisadores, rotular o uso porquê “vício” reduz a sensação de autonomia e aumenta a o sentimento de culpa, criando dificuldades que não existiam antes. Essa percepção negativa se fortalece porque o envolvente do dedo reforça o termo: em três anos, mais de 4.300 matérias mencionaram vício em redes sociais, enquanto unicamente 50 falaram em “hábito do dedo”. Conteúdos que utilizam a termo vício também geraram mais de 70 milénio interações.

A diferença entre hábito e submissão — e porquê mudar o uso do Instagram

O estudo destaca que hábito e vício são fenômenos completamente distintos. Hábito envolve ações repetidas em contextos específicos — porquê transfixar o Instagram ao convencionar ou enquanto espera por um tanto. É um comportamento automático, reconhecido por quase metade dos usuários. Já o vício exige sintomas porquê jejum, perda de controle e prejuízo significativo na rotina, critérios presentes unicamente em 2% dos participantes.

instagram
Hábito e vício são comportamentos distintos e não devem ser confundidos (Imagem: Charles-McClintock Wilson/Shutterstock)

Para os pesquisadores, a maior segmento das pessoas deveria se concentrar em estratégias de mudança de hábito, que são mais simples e eficazes. Entre as práticas recomendadas estão:

  • reduzir notificações;
  • reorganizar a tela inicial;
  • deixar o celular fora de vista em horários específicos;
  • usar o modo em tons de cinza;
  • substituir o impulso automático de transfixar o app por outra ação.

Essas medidas ajudam a quebrar gatilhos e aumentar a sensação de controle, diferentemente de abordagens baseadas na lógica do vício, que podem gerar ainda mais frustração para quem não possui submissão real.

Mulher jovem usando celular
Reduzir notificações e reorganizar a tela inicial podem ajudar a mourejar com o uso excessivo das redes sociais (Imagem: Dragana Gordic/Shutterstock)

O estudo também aponta que usuários frequentes têm maior chance de confiar que são viciados e maior risco médico real, enquanto idade e gênero não influenciaram a percepção. Pesquisas paralelas mostram que jovens universitários tendem a superestimar o “vício” em outras plataformas, porquê o TikTok, reforçando que a distorção na autoavaliação não é exclusiva do Instagram.

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A estudo conclui que plataformas poderiam contribuir oferecendo ferramentas que interrompam hábitos automáticos, mas isso contraria modelos de negócios baseados em engajamento contínuo. Assim, mudanças mais profundas podem depender de políticas públicas que forcem empresas a disponibilizar recursos mais claros de gestão de uso.

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