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'Sentimento horrível. Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pel

Usuários do X têm usado o Grok, IA de Elon Musk, para gerar imagens falsas de mulheres reais nuas ou de biquíni, sem o consentimento delas.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2026 às 05:06 · Atualizado há 3 dias
'Sentimento horrível. Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pel
Foto: Reprodução / Arquivo

Usuários do X têm usado o Grok, IA de Elon Musk, para gerar imagens falsas de mulheres reais nuas ou de biquíni, sem o consentimento delas.

Vítimas relatam choque e medo ao descobrir a manipulação e especialista alerta para a responsabilidade de usuários e da plataforma.

A prática virou uma espécie de "trend" no fim de 2025, se espalhou por vários países e já levou reguladores internacionais a sinalizar investigações.

No Brasil, a criação e o compartilhamento desse tipo de imagem é crime e pode resultar em multa e prisão, alerta a advogada especialista em direito digital Patrícia Peck.

'Sentimento horrível. Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pel

A brasileira é mais uma vítima de usuários do antigo Twitter que pegam fotos que anônimos (e também famosos) postam nas redes e mandam a Grok, a inteligência artificial da plataforma de Elon Musk, alterar as imagens para exibir nudez ou pouca roupa.

Esse tipo de manipulação, conhecido como deepfake (quando imagens reais são alteradas por inteligência artificial), não é novidade, mas se espalhou no X no mês passado e virou uma espécie de "trend" tanto no Brasil quanto em outros países.

No Brasil, a prática ganhou repercussão quando a jornalista Julie Yukari denunciou à polícia que teve fotos manipuladas pela mesma ferramenta, no último dia 2.

Ela postou uma imagem deitada na cama com sua gata na noite de 31 de dezembro e, quando acordou, no dia seguinte, descobriu que a foto tinha sido manipulada diversas vezes e postada como se ela estivesse nua e com trajes sensuais.

Pela lei brasileira, a criação e o compartilhamento de imagens íntimas falsas sem autorização é crime e pode levar à punição dos responsáveis — inclusive de quem apenas replica o conteúdo, explica a advogada especialista em direito digital Patrícia Peck (saiba mais abaixo).

Giovanna (nome fictício) teve sua foto modificada por usuário do X usando o Grok. — Foto: Reprodução/Redes sociais

Reguladores de países como Reino Unido, França, Índia e Malásia pretendem investigar a empresa de Musk por causa dessas imagens, apontou a agência de notícias France Presse.

falhas nos mecanismos de proteção

— No mesmo dia em que Julie fez a denúncia à polícia do Rio de Janeiro, o Grok afirmou que iria corrigir, com urgência, que levaram à geração de imagens sexualizadas de crianças usando "roupas mínimas".

A França já tinha denunciado a IA de Musk por esse tipo de caso.

O Grok oferece um 'modo picante' que exibe conteúdo sexual explícito, incluindo material gerado a partir de imagens com aparência infantil. Isso é ilegal. É revoltante

— disse Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para assuntos digitais.

As mulheres continuam sendo constrangidas no X, e num ritmo acelerado.

Entre os últimos dias 5 e 6, a IA do X criou 6.700 imagens por hora identificadas como sexualmente sugestivas ou de nudez, reportou a agência Bloomberg, citando um levantamento feito pela pesquisadora de mídias sociais e deepfakes Genevieve Oh.

Paralelamente, Oh acompanhou cinco sites que oferecem esse tipo de conteúdo (e costumam cobrar por isso): eles tiveram uma média de 79 novas imagens de nudez por IA por hora no mesmo período.

A imagem de Giovanna* que foi manipulada tinha sido publicada recentemente em seu perfil público no Instagram. Uma conta no X chamada @endricklamar__ repostou essa imagem no X e pediu que a Grok a retratasse de biquíni.

Nesse perfil criado no X em junho de 2025 havia imagens de outras mulheres, cuja identidade não foi possível confirmar (veja os prints abaixo). Não foram encontradas manipulações semelhantes envolvendo homens.

Conta X vinha publicando imagens de outras mulheres e pedindo para o Grok deixar elas seminuas. — Foto: Reprodução/X

Ao ser contatada, Giovanna* disse que ficou assustada ao saber do uso da própria imagem sem consentimento e afirmou não conhecer o perfil em questão.

Eu nunca imaginei que isso aconteceria comigo, porque normalmente isso é feito mais com artistas e influenciadores

— completou a vítima, que disse já ter denunciado o post e afirmou que pretende registrar um Boletim de Ocorrência.

No próprio X, o g1 tentou contato com o responsável pela conta @endricklamar__, mas recebeu apenas a resposta "??". Algumas horas depois, ele excluiu as fotos e o perfil (veja na imagem abaixo).

qualquer pessoa que use ou incentive o Grok a criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências que quem enviar conteúdo ilegal

— O g1 procurou o X, que respondeu com uma publicação que já existia em sua página de segurança. No post, a empresa afirma que (leia a íntegra ao final da reportagem).

Perfil excluído logo após o contato do g1. — Foto: Reprodução/X

tomar ações não autorizadas em nome de terceiros

— Em sua Política de Uso, a xAI, empresa de Musk responsável pelo Grok, afirma que proíbe o uso da IA para , "retratar imagens de pessoas de forma pornográfica" e para "a sexualização ou exploração de crianças".

O g1 encontrou também alguns exemplos em que a IA ignorou o pedido de alteração da imagem (veja abaixo).

Exemplo que mostra que Grok ignorou pedido de nudez. — Foto: Reprodução/X

No Brasil, esse tipo de conduta é considerado crime. O problema não está apenas no uso da imagem real, mas na criação de uma falsa situação de intimidade, explica Patrícia.

A advogada ainda lembra que, desde o ano passado, com a Lei nº 15.123/2025, o Código Penal passou a abordar explicitamente o uso de inteligência artificial em casos de dano emocional à mulher. A pena prevista é de prisão de seis meses a dois anos, além de multa.

A advogada explica que, no entendimento do Direito brasileiro, quem faz o "prompt", ou seja, o pedido à IA, é considerado o autor direto do crime, já que usa a ferramenta como meio para cometer injúria ou violar a intimidade da vítima.

O ato de replicar conteúdo íntimo falso é tão grave quanto o de criá-lo, porque amplia o dano à vítima

— Segundo a especialista, quem compartilha esse tipo de conteúdo também comete crime. , afirma.

Interação no X para recriar imagem de mulher de biquíni usando o Grok — Foto: Reprodução/X

"Tomamos medidas contra conteúdos ilegais no X, incluindo Material de Abuso Sexual Infantil (CSAM), removendo-o, suspendendo permanentemente contas e trabalhando com governos locais e autoridades policiais conforme necessário.

Qualquer pessoa que use ou incentive o Grok a criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências que se enviar conteúdo ilegal.

Para mais informações sobre nossas políticas, consulte nossas páginas de ajuda para as Regras X completas e a variedade de opções de fiscalização."

*Giovanna é nome fictício para preservar a identidade da vítima.

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