Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil
Vários produtos eletrônicos, como telefones celulares e TVs, podem ter seu preço impactado por causa da crise global dos chips de memória RAM, segundo TM Roh, CEO da Samsung.
A tecnologia, componente essencial para o funcionamento dos produtos, está em falta no mercado, aumento o custo para a produção dos dispositivos.
Especialistas ouvidos pelo g1 já haviam alertado que celulares e outros eletrônicos podem ficar mais caros em 2026 por causa desse cenário.
Na entrevista, o executivo não descartou o aumento dos preços de produtos como telefones celulares, TVs e eletrodomésticos e afirmou ser "inevitável" que eles sofram algum impacto.
Ao mesmo tempo, TM Roh disse que a Samsung, maior fabricante de TVs do mundo, está trabalhando estratégias de longo prazo com seus parceiros para minimizar esse efeito.
O avanço da inteligência artificial está no centro dessa turbulência. Fabricantes têm direcionado investimentos e produção para chips mais avançados, usados em data centers de IA, o que reduziu a oferta de memórias tradicionais.
Muitas empresas têm investido pesado em chips de inteligência artificial e em grandes data centers, o que reduziu a disponibilidade de componentes para a fabricação de memória RAM, explica Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, uma das principais empresas do setor.
Segundo Vizaco, as fabricantes passaram a priorizar memórias mais avançadas, usadas em data centers de IA, por serem mais lucrativas. Com isso, a produção de modelos mais antigos diminuiu, e os estoques encolheram.
Com menos unidades no mercado, a escassez dos chips pode gerar dois efeitos, segundo especialistas:
O g1 pesquisou o preço de uma memória RAM DDR4 de 16 GB da linha Corsair Vengeance RGB Pro. Na plataforma de comparação de preços Zoom, o produto custava R$ 650 em 10 de novembro. A partir de 2 de dezembro, o valor passou a R$ 1.599, uma alta de cerca de 146%.
Valor de memória RAM passou de R$ 650 para R$ 1.590 em poucas semanas. — Foto: Reprodução/Zoom
No Brasil, o consumidor pode sentir ainda mais no bolso por causa de fatores adicionais, como câmbio, impostos e custos logísticos, o que tende a tornar os reajustes mais agressivos, explica Márcio Andrey Teixeira, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e membro do IEEE.
Paulo Vizaco, da Kingston, afirma ainda que os consumidores podem passar a ver fabricantes entregando celulares com configurações mais simples, mas cobrando o mesmo valor que era praticado antes.
hoje, setores como o de tecnologia e o automotivo correm o risco de sentir esses impactos, especialmente a partir de 2026
— Em um evento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) com jornalistas, no início de dezembro, Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil e que faz parte da Abinee, afirmou que .
Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a crise pode durar alguns anos.
Tudo é muito novo [o crescimento rápido da IA e o aumento da demanda]. Será preciso acompanhar o mercado com atenção
— Paulo Vizaco, da Kingston, afirma que o cenário ainda é incerto. , diz.
Os preços já subiram nas últimas semanas. No médio prazo, precisaremos acompanhar o comportamento do mercado para entender o que irá acontecer. Na Kingston, nosso planejamento de longo prazo atua justamente para minimizar esses problemas e manter o abastecimento no Brasil o mais estável possível durante esse período
— diz Vizaco.
Já a SK Hynix, empresa sul-coreana de chips, afirmou a analistas que a escassez de memória pode durar até o fim de 2027, segundo a Reuters.
Um executivo do setor ouvido pela agência Reuters já adiantou que o problema deve atrasar futuros projetos de data centers.
Memória RAM é uma características responsáveis por aumentar a velocidade do computador. — Foto: Michal A. Valasek/FreeImages
Também chamada de Random Access Memory (RAM), essa tecnologia é responsável por guardar, de forma temporária, os dados que o dispositivo está usando naquele momento.
Ao abrir um jogo ou app, as informações necessárias para ele funcionar ficam na RAM. Quando o aparelho é desligado, esses dados são apagados; por isso, ela é conhecida como uma memória de curto prazo.
A RAM é medida em Megabytes (MB) ou em Gigabytes (GB). Quanto mais GB, melhor será o desempenho do dispositivo. Um celular com 12 GB de RAM consegue executar mais tarefas ao mesmo tempo do que um com apenas 3 GB.
Embora seja mais associada a celulares e computadores, a memória RAM está presente em uma série de outros dispositivos do dia a dia, como:
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