A relação entre população e criminalidade nas metrópoles é um tema bastante discutido e estudado no mundo. Neste contexto, o professor do Centro de Ciências Tecnológicas da Universidade de Fortaleza, Carlos de Oliveira Caminha Neto, decidiu estudar essa relação em micro-escala no Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Informática Aplicada da Unifor.
Já no meu doutorado, eu quis entender o que acontece dentro de uma cidade. Eu escolhi Fortaleza e dividi-a em várias formas diferentes. O que eu percebi foi que a mobilidade das pessoas faz com que esse crimes aconteçam de forma desproporcional
— Os estudos existentes apontam que há uma relação de crescimento desproporcional do número de crimes em função do crescimento populacional de grandes cidades, em outras palavras, se o número de pessoas de uma cidade dobra, espera-se que a quantidade de crimes mais do que dobre nessa cidade. Contudo, essa análise em macroescala dificulta a implementação efetiva de políticas públicas. , afirma Carlos Caminha.
Com base nessa teoria, eu não levei em consideração apenas a população residente, mas também a população flutuante, desta forma, foi também considerada a movimentação das pessoas. Os crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos, não podem ser explicados pela população residente de um bairro. Por exemplo, no centro da cidade acontecem muitos desses crimes, porém poucas pessoas residem lá
— A Teoria das Atividades Rotineiras aponta que um crime ocorre pela convergência espaço-temporal de três agentes: uma vítima, um agressor e a ausência de um guardião. , explica o docente. A conclusão é que um número desproporcional de crimes ocorre em áreas onde o fluxo de pessoas é maior, por isso a importância de regiões autônomas nas cidades.
O Cláudio foi a pessoa ideal para avaliar o trabalho, pois está lidando diretamente com isso todos os dias
— A partir dessa constatação, é possível entender melhor a situação e saber de que modo esse conhecimento pode ser aplicado em políticas públicas, como alocação policial. Por esse motivo, o secretário de Segurança de Belo Horizonte e professor da UFMG, Cláudio Chaves Beato Filho, foi convidado para participar da banca de Defesa do Doutorado. , destaca Carlos Caminha.