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Pesquisa aponta fatores de risco para doenças cardiovasculares em crianças

Muitas vezes, na “correria” do dia a dia, os alimentos industrializados são uma solução prática e saborosa para os filhos. Transformá-los em protagonistas da...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 19:30 · Atualizado há 43 minutos
Pesquisa aponta fatores de risco para doenças cardiovasculares em crianças
Foto: Reprodução / Arquivo

Muitas vezes, na “correria” do dia a dia, os alimentos industrializados são uma solução prática e saborosa para os filhos. Transformá-los em protagonistas da alimentação, contudo, pode trazer sérios prejuízos à saúde dos pequenos, ainda mais se essa combinação envolver sedentarismo. Professora do curso de Medicina da Unifor, a pediatra geral e especialista em Nutrologia Virna Costa e Silva, realizou uma pesquisa que constatou fatores de risco para doenças cardiovasculares em crianças. O resultado é preocupante: existem evidência cada vez mais cedo da manifestação das doenças.

O estudo, resultado do doutorado da professora Virna na Universidade de São Paulo (USP), teve como público-alvo crianças de escolas públicas de Fortaleza, com idade entre 5 e 9 anos. Foram avaliadas 500 crianças. Destas, 39,8% apresentaram sobrepeso e obesidade; 22%, aumento de gordura corporal; 10,2% tinham síndrome metabólica; e 36,2% apresentaram espessamento da artéria carótida, que foi correlacionado ao sobrepeso e à obesidade, com hipertensão na infância e com atividade inflamatória.

Ou seja, essas crianças já têm um reflexo do espessamento da carótida associada aos fatores de risco

— conta a pediatra. O sedentarismo, aliado a uma alimentação pobre em nutrientes e rico em açúcares e gorduras, foi um dos principais fatores apontados na pesquisa. “Foi verificado que 70% das crianças eram sedentárias, a grande maioria passava mais de 10 horas na frente da tela. São crianças com alto índice de alimentação de produtos industrializados com carboidratos simples”, prossegue a professora.

A facilidade da vida moderna tem levando às crianças uma qualidade de saúde inadequada, desde muito cedo. Elas estão expostas aos fatores até mesmo dentro do útero: má alimentação da mãe, obesidade materna, tabagismo ativo e passivo, stress emocional

— Um fato que chamou a atenção da pesquisadora foi que todas as crianças pesquisadas eram assintomáticas, ou seja, aparentemente estavam saudáveis, pois não manifestavam quaisquer sintomas. , explica.

As evidências indicam que pode existir a reversão do quadro e a redução dele através da não exposição aos riscos: prática de atividade física, melhora na qualidade da alimentação. Apenas o hábito de vida modificado pode reverter esse quadro

— Contudo, a professora enfatiza que é possível reverter a situação, com reconhecimento prococe para prevenção de danos que podem ser evitados. .

A recomendação é otimizar o tempo, reorganizar a estrutura familiar, buscar valorizar o que realmente tem valor, que é a saúde dos filhos, a sua. Eu recomendo abrir menos, desempacotar menos e descascar mais. Acostumar a criança a hábitos saudáveis desde o início. Quanto mais cedo, melhor. E vale ressaltar que muitas vezes, alimentos saudáveis são bem mais baratos do que um produto industrializado

— Melhor do que tratar um quadro estabelecido ou tentar revertê-lo é prevenir a exposição aos riscos. , finaliza a pesquisadora.

O que fazer quando a criança se recusa a comer alimentos saudáveis?

Desde cedo, é importante que a criança adquira hábitos saudáveis para evitar o surgimento de doenças cardiovasculares. De acordo com a professora Virna Costa e Silva, oferecer alimentos novos constantemente e, principalmente, ter persistência são dicas importantes.

É preciso persistir, porque o resultado final vai ser de grande valia para a vida das crianças, que hoje já têm expectativa de vida de mais de 100 anos. A qualidade de vida desde o começo reflete no futuro

— - Não desista quando a criança se recusa a comer ou a experimentar coisas novas. , orienta.

Às vezes nós queremos um resultado imediato, mas a mudança de hábitos é gradual. Quem sabe, só na adolescência a criança esteja pronta, com uma construção interna pronta para se alimentar melhor. Não podemos ser imediatistas

— - O processo é gradual e contínuo. O ponto zero é conversar com a criança, explicar o que está acontecendo, o motivo da mudança de hábitos. Aos poucos, ela vai compreendendo. .

A palavra, a criança escuta, mas o exemplo é o que move. Os hábitos têm que vir dos pais, eles têm que ter essa consciência. Não adianta eu insistir para que meu filho tome suco se eu bebo refrigerante

— - O exemplo é muito importante, pois as crianças tendem a seguir ações e hábitos dos pais. Portanto, adquirir hábitos saudáveis é essencial para que a criança adquira também. .

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