Um vídeo que registra o choro intenso de uma criança e ameaças verbais feitas pela madrasta gerou ampla repercussão nas redes sociais e levou o caso ao conhecimento das autoridades nesta semana, em Fortaleza. A gravação foi feita por Camila Brandão, profissional da área da saúde, que relatou ter escutado os gritos enquanto visitava o namorado no mesmo prédio onde a situação ocorreu.
Segundo Camila, ela se preparava para sair do apartamento quando, ao aguardar o elevador, ouviu o choro e os gritos da criança. Imediatamente, iniciou a gravação, buscando entender o que estava acontecendo. Nas imagens, não há registros visuais de agressões, mas é possível ouvir a madrasta ameaçando a criança com frases como:
“Quem apanha é você. É você que sente a dor, tá ouvindo?”
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Em outro momento, aos gritos, a mulher questiona:
“Você vai dizer ao seu pai que você apanhou? Porque senão você vai apanhar na frente dele, de cinturão. Eu vou mandar ele bater em você.”
Com o aumento da intensidade dos gritos, Camila e o namorado decidiram intervir e bateram na porta do apartamento. Outros moradores também se aproximaram. A polícia foi acionada e conversou com os responsáveis. A madrasta negou ter cometido agressões e alegou que a criança não apresentava marcas físicas.
Confira o vídeo:
Diante da ausência de evidências imediatas, a polícia deixou o condomínio. A ampla circulação do vídeo nas redes sociais impulsionou a repercussão do caso, que passou a ser acompanhado pelo Conselho Tutelar.
Camila informou que, inicialmente, tentou localizar a mãe da criança, mas posteriormente soube que ela já havia falecido. A família materna da criança foi informada sobre a situação.
Segundo Camila, o casal tinha uma cerimônia de casamento marcada para os próximos dias, mas, conforme relatado, o padre responsável pela celebração cancelou o evento após tomar conhecimento dos fatos.
A Polícia Civil informou que o boletim de ocorrência foi convertido em inquérito e está sendo investigado pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), unidade especializada da PCCE. O caso segue em segredo de justiça.
Como denunciar casos de violência contra crianças
Os cidadães que queiram relatar situações semelhantes de forma anônima, podem acionar o Disque 100 (Direitos Humanos) e o Conselho Tutelar.
“Seja criança, mulher ou idoso, não se calem diante de uma agressão. Denunciar salva vidas”, reforça Camila, em um dos vídeos.
Estagiária sob supervisão do editor Emerson Rodrigues*
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