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Feira de Juazeiro do Norte bate recorde de visitantes e movimenta R$ 2,3 milhões em três dias de evento

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/12/2024 às 13:03 · Atualizado há 1 semana
Feira de Juazeiro do Norte bate recorde de visitantes e movimenta R$ 2,3 milhões em três dias de evento
Foto: Reprodução / Arquivo

Tradicional encontro comercial do Cariri reúne expositores de 40 cidades cearenses e atrai público recorde com artesanato, gastronomia e produtos regionais

Juazeiro do Norte, CE – A tradicional Feira de Juazeiro do Norte encerrou sua edição de dezembro com números que celebram não apenas o comércio, mas a força cultural e econômica do Cariri cearense. Entre os dias 6 e 8 de dezembro de 2024, o evento recebeu mais de 15 mil visitantes e movimentou cerca de R$ 2,3 milhões, consolidando-se como um dos principais encontros comerciais e culturais do interior do Ceará.

Realizada no Centro de Convenções Mestre Noza, a feira reuniu expositores de 40 municípios cearenses, apresentando desde artesanato tradicional até produtos gastronômicos típicos da região. O evento, que acontece semestralmente, tem sido palco de valorização da produção local e de fortalecimento das cadeias produtivas do sertão.

Diversidade e tradição em cada barraca

Caminhar pelos corredores da feira é mergulhar na identidade cultural do Cariri. Bordados em ponto cruz feitos por artesãs de Barbalha, esculturas em madeira de umburana vindas de Crato, cerâmicas de Campos Sales, rendas de bilro de Acopiara e a tradicional rapadura de engenhos familiares dividem espaço com produtos inovadores, como cosméticos naturais à base de plantas do sertão e alimentos orgânicos certificados.

Dona Maria das Dores Silva, artesã de 62 anos natural de Nova Olinda, participou da feira pela quinta vez. "Esse evento é uma bênção pra gente. Aqui eu vendo mais em três dias do que em um mês na minha cidade. E o melhor: as pessoas valorizam, perguntam como é feito, querem saber a história por trás de cada peça", conta, enquanto organiza seus crochês coloridos e bonecas de pano.

A gastronomia regional também marcou presença forte. Barraca de tapioca recheada, cuscuz com carne de sol, buchada de bode, paçoca de carne seca e doces de frutas do sertão como umbu, cajá e seriguela atraíram filas constantes. O público, formado por moradores locais e turistas vindos de Fortaleza, Recife e até de outros estados, elogiou a autenticidade dos sabores.

Movimentação econômica e geração de renda

Os R$ 2,3 milhões movimentados representam mais do que números: são famílias que garantem o sustento, pequenos negócios que conseguem capital de giro, artesãos que vendem meses de trabalho acumulado. Segundo a organização do evento, cerca de 180 expositores participaram desta edição, e a média de faturamento por barraca ficou em torno de R$ 12 mil.

José Almeida, presidente da Associação dos Feirantes do Cariri, destaca o impacto social do evento. "A feira não é só venda. É oportunidade. Muita gente aqui depende desses dias pra pagar contas, investir no negócio, comprar material pra próxima produção. E tem o lado do comprador também: ele encontra produto de qualidade, feito com carinho, por um preço justo. Todo mundo sai ganhando."

Além dos expositores, a feira gerou empregos temporários para carregadores, seguranças, equipe de limpeza e alimentação, beneficiando indiretamente dezenas de famílias da região.

Cultura como pilar de resistência

Mais do que um espaço comercial, a Feira de Juazeiro do Norte se consolidou como território de resistência cultural. Em tempos de produção industrial em massa e consumo acelerado, o evento reafirma a importância de preservar técnicas artesanais, receitas tradicionais e saberes passados de geração em geração.

A programação cultural paralela incluiu apresentações de repentistas, grupos de reisado, mamulengo e sanfoneiros, resgatando manifestações populares que correm o risco de desaparecer diante do avanço da modernidade. Para muitos visitantes, especialmente os mais jovens, foi a primeira oportunidade de contato direto com essas expressões artísticas.

"É lindo ver a molecada parando pra assistir o mamulengo, tirando foto com os bonecos, perguntando como funciona. A gente precisa desses espaços pra cultura não morrer", afirma o mestre Zé de Lourdes, bonequeiro há mais de 30 anos.

Perspectivas para 2025

Com o sucesso desta edição, a organização da feira já planeja a próxima, prevista para junho de 2025. A expectativa é ampliar o número de expositores, incluir mais atrações culturais e fortalecer parcerias com prefeituras e órgãos de fomento ao empreendedorismo regional.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Juazeiro do Norte informou que estuda a criação de um calendário permanente de feiras temáticas ao longo do ano, diversificando produtos e períodos de realização para atender diferentes perfis de público.

Para Antônio Carlos Mendes, secretário municipal, o caminho é claro. "Eventos como esse mostram que temos potencial econômico gigantesco no interior. Precisamos valorizar, dar estrutura, divulgar. O sertão tem produto, tem qualidade, tem gente talentosa. Falta só oportunidade e visibilidade."

Vozes da feira

Entre os visitantes, o sentimento comum era de orgulho e pertencimento. Francisca Oliveira, professora aposentada de 58 anos, fez questão de levar a neta de 10 anos pela primeira vez ao evento. "Quero que ela conheça de onde a gente vem, valorize o trabalho do povo daqui. Hoje em dia tá tudo muito pronto, muito fast. Aqui ela vê que cada coisa tem tempo, tem mão, tem alma."

Já o turista pernambucano Roberto Farias, de passagem por Juazeiro a trabalho, surpreendeu-se positivamente. "Eu esperava algo menor, mais simples. Mas a organização, a variedade, a qualidade dos produtos... superou muito. Já comprei presentes pra família toda, e vou voltar na próxima edição com certeza."

O que esperar da próxima edição

A edição de junho de 2025 promete novidades: área kids com oficinas de artesanato para crianças, espaço gourmet com chefs locais preparando pratos ao vivo, e um pavilhão dedicado exclusivamente à agricultura familiar, reunindo produtores de mel, queijos, cachaças artesanais e outros derivados.

Também está prevista a criação de um selo de certificação para produtos autênticos do Cariri, ajudando consumidores a identificar itens genuinamente regionais e incentivando a produção sustentável.

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