A jornalista Malu Gaspar, do Globo, pode ter desvendado uma teia de problemas ou apenas arranhado a superfície de uma questão mais complexa do que se imagina.
A reportagem destaca a atuação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, em contato direto com o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo. Foram três conversas telefônicas e uma visita pessoal de Moraes ao presidente da instituição.
É evidente que um ministro da Suprema Corte não deve intervir em favor de ninguém junto a outras estruturas do Estado, especialmente quando a pessoa em questão está sendo julgada pelo próprio tribunal. E, ainda mais preocupante, se essa pessoa for cliente da esposa do ministro.
A esposa de Moraes, Viviane Barci, era advogada do Banco Master, que foi liquidado pelo Bacen. Nos bastidores, fala-se que Moraes “gosta de Daniel Vorcaro”, o proprietário do Master, que enfrenta sérios problemas financeiros.
O apreço de Moraes por Vorcaro se torna mais claro quando se observa que a esposa do ministro firmou um contrato de assessoria jurídica com o banco, recebendo expressivos R$ 3.600.000,00 mensais, totalizando R$ 129.000.000,00 em três anos.
Ainda que Vorcaro esteja com uma tornozeleira e recluso em sua mansão, suas ações no meio financeiro geraram um rombo de mais de R$ 16 bilhões, envolvendo possíveis políticos em manobras ilícitas.
Se o envolvimento de Moraes for confirmado, estaremos diante de um ministro que, além de seus poderes, busca também ganhos financeiros exorbitantes.
Na Roma Antiga, quem era escolhido como imperador enfrentava a vaidade, a ambição e o abuso de poder. A cada passo rumo ao trono, o aviso era claro: memento mori – lembra-te que és mortal.
Esse hábito romano ainda se aplica aos que exercem poder, lembrando-nos que, como disse Lorde Acton, o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.