O deputado federal Junio Amaral (PL-MG) e sua esposa, Marília Amaral, protocolaram uma denúncia formal contra o padre Júlio Lancellotti ao Vaticano, incluindo a Embaixada da Santa Sé em Brasília. O dossiê, que contém 284 páginas, resgata acusações antigas já arquivadas por falta de evidências.
Entre as alegações, estão insinuações sobre um suposto relacionamento homoafetivo com um ex-interno da antiga FEBEM e uma denúncia de assédio sexual envolvendo um ex-coroinha, todas já descartadas por autoridades competentes. As informações são baseadas em especulações, sem qualquer respaldo em provas concretas, como datas, testemunhos ou decisões judiciais.
Além das acusações mais graves, o dossiê inclui alegações absurdas, como o suposto recebimento de “passe de uma mãe de santo” e críticas à Igreja Católica. A maior parte do conteúdo consiste em recortes de matérias jornalísticas e uma perícia contestada que foi alvo de críticas por sua inconsistência.
O perito responsável pela análise mais controversa, Reginaldo Tirotti, teve seu trabalho questionado em um debate público, onde foram apontadas falhas significativas em sua metodologia. O episódio levanta suspeitas sobre a legitimidade do dossiê, visto como uma estratégia política para prejudicar a imagem do padre Júlio, um importante defensor de causas humanitárias.
Durante uma entrevista ao canal Braddock Show, o deputado e sua esposa sugeriram que a censura imposta ao padre não teria partido do cardeal Dom Odilo Scherer, mas seria resultado de sua intervenção no Vaticano. Marília Amaral chegou a afirmar que o Poder Judiciário estaria protegendo o sacerdote e que novas denúncias estão sendo articuladas.
Vale destacar que Junio Amaral já enfrenta condenações por fake news, tendo sido multado por disseminar informações falsas durante a campanha eleitoral de 2024. Essa trajetória levanta questionamentos sobre a credibilidade das ações e acusações do parlamentar.