O Nordeste, historicamente um bastião de apoio a Lula, continua a ser um espaço estratégico nas eleições presidenciais. Apesar do forte favoritismo do ex-presidente, a direita tem a possibilidade de conquistar votos na região, desde que consiga se adaptar à nova realidade política, especialmente com a ausência de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.
Segundo Luciana Santana, doutora em Ciência Política pela UFMG e professora na Universidade Federal de Alagoas, a direita deve focar em uma estratégia eficiente para conquistar eleitores no Nordeste, onde a popularidade de Lula é marcante. "Todos os estados apresentam potencial, mas reverter o apoio ao presidente Lula será um desafio", declara.
A pesquisa mais recente da Real Time Big Data, divulgada em 17 de dezembro, reafirma a liderança de Lula com 51% das intenções de voto na região, enquanto Flávio Bolsonaro, em segundo lugar, tem apenas 11%. Contudo, nas disputas para governador, a situação é diferente, com embates acirrados que podem alterar o equilíbrio de forças.
Na Bahia, por exemplo, ACM Neto (União) e Jerônimo Rodrigues (PT) estão em empate técnico, refletindo uma polarização similar à de 2022. Em Alagoas, Renan Filho (MDB) enfrenta JHC (PL) em uma disputa que evidencia a divisão entre governo e oposição, com JHC liderando nas intenções de voto.
Luciana Santana ressalta a importância do foco econômico para as candidaturas que buscam um desempenho positivo no Nordeste. Com o crescimento do Consórcio Nordeste e novas parcerias internacionais, a região está se posicionando como um polo de inovação e transição energética, o que deve ser explorado nas propostas de campanha.
A cientista política também alerta para a necessidade de compreender as diferentes dinâmicas eleitorais entre as regiões do Brasil. Apesar de compartilharem desafios econômicos, o Nordeste e o Norte apresentam perfis eleitorais distintos, resultado de suas formações políticas e lideranças locais. O conservadorismo que predomina no Norte é um obstáculo diferente do que se observa no Nordeste, onde as gestões petistas influenciaram uma mudança de perspectiva entre os eleitores.