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Príncipe William em salões de beleza e restaurantes brasileiros? Imagens de IA viralizam e levantam alerta

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 11/11/2025 às 17:10 · Atualizado há 1 dia
Príncipe William em salões de beleza e restaurantes brasileiros? Imagens de IA viralizam e levantam alerta
Foto: Reprodução / Arquivo

Os pequenos negócios aproveitaram o período em que o príncipe William esteve no Brasil para participar de eventos relacionados à COP30, em Belém (PA), para criar posts virais. As publicações são semelhantes: uma imagem dele gerada por inteligência artificial em restaurantes, farmácias e cabeleireiros. As imagens têm chamado a atenção nas redes sociais. Especialistas apontam, no entanto, que é preciso cuidado no compartilhamento de criações como essas.
Estabelecimentos, em especial, do Rio de Janeiro (RJ) e de Belém, cidades por onde o príncipe William passou, apostaram em imagens do monarca em seus estabelecimentos ou de desenhos dele criados por IA.
Os memes começaram após o príncipe William visitar o boteco Belmonte, um dos bares mais tradicionais do Rio de Janeiro. Acompanhado de um grupo de cerca de 20 pessoas, ele teria experimentado quitutes brasileiros na unidade de Ipanema, Zona Sul da cidade, como linguiça, bolinho de bacalhau, empadas, chope e caipirinhas, conforme relata matéria publicada no O Globo.
Na legenda, empreendedores que entraram na trend fizeram piadas: “Invejosos dirão que é IA, mas a gente prefere acreditar que o Príncipe William não deixaria de provar a comida brasileira mais saborosa de Botafogo”, escreveu um estabelecimento carioca. “As nossas ofertas da Black Friday estão tão incríveis que até o Príncipe William retornou ao Brasil e veio aproveitar!”, brincou outro. Alguns empreendedores chegaram até mesmo a elogiar a simpatia e elegância do britânico.
Uso de imagens de celebridades sem autorização podem gerar consequências jurídicas
Reprodução/Instagram
Uma das publicações alcançou mais de 1,6 mil comentários no Instagram. “Eu já IA acreditando”, brincou um usuário. “O espelho denunciou”, escreveu outro sobre um suposto “defeito” da imagem.
Apesar de gerar conexão com o consumidor, a prática deve ser evitada. Segundo especialistas, empreendedores podem usar figuras geradas por IA em suas redes sociais, porém, o uso de imagens de celebridades pode violar direitos de imagem, privacidade e até de propriedade intelectual.
"Em relação à utilização de imagem de famosos e celebridades, é importante esclarecer a necessidade de autorização expressa, ainda que seja criada por inteligência artificial. Isso ocorre pois o direito de personalidade e imagem são garantias invioláveis segundo a Constituição Federal", explica a advogada Nahla Ibrahim.
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Regras da Família Real
Além das leis brasileiras, a própria Família Real britânica tem orientações sobre o uso de imagens de membros da família. Embora não haja citação direta sobre fotos geradas por inteligência artificial, o documento oficial da realeza impede o uso publicitário de imagens dessas pessoas.
Imagens de qualquer membro da realeza não devem ser utilizadas em publicidades, a não ser em livro, artigo de jornal ou revista sobre um membro da Família Real.
"Em geral, exceto ao anunciar um livro, artigo de jornal ou revista sobre um membro da Família Real, imagens da realeza não podem ser usadas para fins publicitários em nenhum meio, embora uma referência incidental, sem relação direta com o produto anunciado, possa ser aceitável", diz documento oficial.
A regra ainda diz que um anúncio não deve incluir fotografias de membros da Família Real visitando instalações, estandes de exposição ou se envolvendo publicamente com produtos ou serviços de uma empresa. "Os profissionais de marketing são aconselhados a buscar orientação da equipe de Conselhos sobre Redação do CAP antes de incluir ou mencionar a Família Real em suas campanhas publicitárias", finaliza o documento.
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Como usar IA sem infringir regras
Há outras maneiras de aproveitar imagens geradas por inteligência artificial no seu negócio. “O uso ético e criativo de ferramentas de IA permite aumentar o alcance e o engajamento nas redes sociais, oferecendo conteúdos inovadores e visualmente atrativos”, opina Priscila Rezende da Costa, coordenadora do Instituto Científico e Tecnológico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). O uso dessa ferramenta também possibilita a economia de tempo e a criação de campanhas personalizadas, que ampliam a conexão com o público.
"Uma estratégia para a utilização para fins comerciais é recorrer-se à adoção de licenciamentos a fim de proteger direitos de eventuais criadores, ou, até mesmo demonstrar a colaboração entre humano e inteligência artificial para garantir que uma imagem gerada por IA tenha direitos autorais reconhecidos por um órgão de propriedade intelectual", sugere Nahla Ibrahim.
“No entanto, o conteúdo deve ser ético e verdadeiro, evitando manipulações que possam gerar desinformação ou prejudicar terceiros”, diz Costa. Veja algumas dicas e cuidados para aproveitar o uso de IA:
Transparência: informe que um conteúdo foi criado com inteligência artificial para evitar interpretações erradas;
Respeite direitos autorais: garanta que marcas, pessoas e obras protegidas não sejam usados em imagens geradas por IA sem autorização;
Autenticidade: não manipule imagens de forma que possa prejudicar o entendimento do consumidor.
"Caso o empreender opte por usar uma imagem de pessoa pública feita por IA sem prévia autorização, poderá incorrer em violação de direito de imagem, que pode resultar na condenação de indenização de dano moral ou dano material", esclarece a advogada. Costa, da ESPM, aponta que a consequência também pode ser reputacional, diminuindo a credibilidade de uma empresa em casos em que o uso não seja explícito e gere desinformação.

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