Tática passivo-agressiva de gestão, a “demissão silenciosa” acontece quando chefes tornam o ambiente de trabalho desagradável para que o funcionário decide pedir demissão por conta própria. A prática não é nova, mas está se espalhando.
Uma pesquisa feita em 2025 com mais de mil gestores nos EUA mostrou que 53% já usaram a estratégia. Em outra, do LinkedIn, quase metade dos 20 mil entrevistados disse já ter passado por isso. O problema é que a técnica mexe com o emocional das pessoas, gerando dúvidas e estresse, sem que haja conversas francas ou feedback.
“A esperança é que você acabe desistindo”, explicou Jason Walker, professor de Psicologia Organizacional na Universidade Adler, ao USA Today. O jornal conversou com ele e outros especialistas para listar os principais sinais de que você pode estar sendo “demitido silenciosamente”:
Menos apoio e menos tarefas importantes – recursos e responsabilidades somem de repente.
Excesso de trabalho pesado e básico – funções bem abaixo da sua qualificação para gerar frustração.
Exclusão de reuniões e decisões – ficar de fora de discussões e planejamentos futuros.
Avaliações superficiais – feedback mínimo ou inexistente sobre seu trabalho.
Por que os gestores recorrem à demissão silenciosa?
Segundo especialistas, empresas usam a tática para evitar processos e indenizações. Em muitos casos, os gestores não têm preparo para o cargo que ocupam. Também não se pode deixar de considerar os desafios de comunicação enfrentados no modelo híbrido.
Segundo Brandon Dawson, presidente do 10X Health System, para enfrentar a situação: é preciso falar com o gerente, registrar tudo (e-mails, feedbacks, documentos) e guardar cópias pessoais. Demissões silenciosas não são ilegais, apenas se estiverem se ligadas a discriminação ou retaliação.