Nesta semana, a TV Mundo lançou a sua primeira romance vertical, “Tudo por Uma Segunda Chance”, interpretada por Jade Picon, Débora Ozório e Daniel Rangel. O novo protótipo, porém, já tem ganhado as redes sociais nos últimos anos e é uma forma de engajar os internautas e faturar. Segundo a Media Partners Asia, essas produções movimentaram US$ 1,4 bilhão em 2024, sem recontar a China, país em que as novelinhas ganharam destaque primeiro em meados de 2020.
No Brasil, a tendência também tem se consolidado. Somente o Kwai acumulou 60 bilhões de visualizações de microdramas entre 2023 e 2024 e diz recontar com 5 milénio criadores parceiros dedicados ao formato. Contatado por PEGN, o TikTok não quis responder sobre o tema. “O TeleKwai, lançado em 2022, é um projeto proprietário da empresa e que consolidou o formato dentro da plataforma, e se tornou um dos principais pilares de entretenimento do app, concentrando muro de 20% de todo o investimento no Brasil”, conta Heloísa Goldman, head de agências do Kwai for Business.
Além de iniciativas próprias lançadas dentro de plataformas que agregam diferentes tipos de teor, já existem aplicativos próprios para os microdramas, porquê o ReelShort e a DramaBox, que teriam somado US$ 700 milhões em compras dentro dos aplicativos no primeiro trimestre de 2025, segundo o Valor Econômico.
Para João Finamor, professor de marketing do dedo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a adoção do protótipo pela TV Mundo mostra a consolidação das novelas verticais. “Trata-se de mais um olhar para a dramaturgia, que pode conectar um público nascido no meio do dedo ou que simplesmente deseja novelas mais rápidas, para serem vistas a qualquer hora do dia, e na tela ou plataforma que for mais útil”, declara o diretor artístico da romance global, Adriano Melo.
Finamor ainda analisa que o primeiro lançamento da empresa teria sido estratégico. “A escolha da Jade Picon é calculada, porque ela tem um apelo poderoso na produção de teor vertical e atrai o público jovem.”
Porquê monetizar
Segundo especialistas, o que engaja é o combo de narrativas “absurdas” e o tempo pequeno das novelinhas, que costumam ter até três minutos em cada incidente. “O formato mais pequeno e dinâmico respeita uma tendência de consumo universal, sendo mais fácil de encaixar no dia a dia do que as novelas tradicionais. Enquanto isso, as histórias fora da caixa criam conexão e engajamento”, aponta Finamor.
As visualizações que o protótipo pequeno proporciona podem gerar monetização pelas próprias plataformas onde o drama foi publicado. O dispêndio de produção mais reles que o das novelas tradicionais ainda facilita a geração de produção independente e de profissionais que estão no início de curso.
Há ainda possibilidades publicitárias e parcerias com marcas. “Marcas podem trabalhar da mesma forma que trabalham em uma romance tradicional, com aparição de produtos durante a trama ou porquê patrocinadoras da produção. As marcas ainda podem produzir suas próprias novelas para campanhas de marketing”, analisa o professor.
O Kwai revela que, em sua plataforma, marcas porquê Maizena, Samsung, ELO, Skol, Cheetos, Tang, Honda e Coca-Cola já utilizaram mininovelas para produzir campanhas. “O TeleKwai de O Farmacêutico criou uma mininovela que não somente promoveu seus produtos, mas também serviu porquê inspiração para as revendedoras da marca no Setentrião e Nordeste. Ao verem histórias que refletiam suas próprias realidades, essas empreendedoras se sentiram representadas e motivadas a expandir seus negócios”, exemplifica Goldman.
A plataforma de vídeos curtos também revela que tem tentado estimular novas formas de monetização para criadores de microdramas. “Exploramos novas formas de monetização, porquê licenciamento de direitos e atração de investidores do setor audiovisual, e integração com outras frentes da plataforma, criando um envolvente completo que conecta entretenimento, transacção e oportunidades econômicas.”
TV Mundo e consolidação dos microdramas
As narrativas exageradas também compõem a romance produzida pela TV Mundo. “‘Tudo Por Uma Segunda Chance’ é um melodrama que vai ter uma grande intensidade. Temos um pouco de thriller psicológico também. É uma trama muito histriônica, que tem elementos absurdos, mas com os quais nos deparamos cotidianamente nos jornais”, aponta o responsável Rodrigo Lassance.
A cada semana, sempre às terças-feiras, 10 capítulos são publicados em todas as redes sociais. Os conteúdos divulgados nesta terça-feira (25/11) estão com uma média de 800 milénio a 1 milhão de visualizações.
Para Finamor, a produção por grandes marcas da TV representa a consolidação do mercado de novelas verticais, que não é mais “uma tendência passageira”. Para dezembro, por exemplo, a Globoplay já anunciou “Cinderela e o Sigilo do Pobre Milionário”, sua novelinha original, que será protagonizada por Gustavo Mioto – e mais dez produções estão previstas para 2026.
As ambições das plataformas também são grandes. “Queremos solidificar no Brasil um ecossistema semelhante ao já existente na China, onde o formato tem mais de 6 milénio produções por ano. Também ampliamos parcerias com produtoras, roteiristas profissionais e agências especializadas, principalmente quando falamos de branded content”, diz Goldman.
Ainda, a previsão mudial da Media Partners Asia é de que as movimentações totais alcancem US$ 9,5 bilhões em 2030.
Leia também
Juntar Link
Quer ter entrada a conteúdos exclusivos de PEGN? É só clicar cá e assinar!
Siga PEGN: