Há cerca de cinco anos, a pandemia de covid-19 transformou as dinâmicas de trabalho para as empresas. Agora, a presença física nos escritórios parece restabelecida. Os dados do relatório ‘Panorama da Empregabilidade 2025/2026’, divulgado pela HRTech Gupy nesta terça-feira (11/11) indicam que entre julho de 2024 e junho de 2025, em torno de 75% das vagas publicadas na plataforma (1,4 milhão de posições) eram para trabalho presencial.
De acordo com projeções da startup, o modelo híbrido – que atualmente representa entre 10% e 15% das vagas na plataforma – deve chegar a 20% até 2026. O trabalho remoto, que hoje totaliza entre 15% e 20% das posições disponíveis, deve permanecer nichado para áreas como tecnologia, marketing digital, atendimento online e gestão de projetos.
"É um sinal de enrijecimento do modelo de trabalho e um dos fatores que geram contraste e ansiedade para o colaborador que espera um modelo mais flexível, com mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional", pontuou Guilherme Dias, CMO e cofundador da Gupy, em encontro com a imprensa.
Na semana passada, a decisão do Nubank de fazer a transição entre o modelo majoritariamente remoto – com uma semana presencial por trimestre – para o híbrido fez barulho nas redes sociais. O novo formato será implantado a partir de julho de 2026, com dois dias presenciais na semana, e ser ampliado para três dias em janeiro de 2027.
A novidade desagradou parte dos funcionários do banco digital, que se manifestaram durante a reunião sobre o anúncio, que terminou com 12 pessoas demitidas. O relatório da Gupy aponta que o Brasil é o país com uma das maiores taxas de turnover do mundo – 56% –, acima de França (51%) e Reino Unido (43%).
Apesar das quedas nos índices de desemprego (5,6% no terceiro trimestre) e de empregos informais (37,8% no mesmo período), as empresas estão enfrentando desafios para reter os talentos.
De acordo com Dias, os principais fatores de insatisfação apontados por colaboradores de empresas clientes da Gupy são: falta de oportunidades internas, como novos projetos e movimentações horizontais e verticais dentro da companhia; senso de justiça; e relacionamento com a liderança.
O estudo também indica que o setor de serviços liderou a geração de empregos formais no período de julho de 2024 a junho de 2025, com a criação de 920 mil vagas na plataforma e 677 mil contratações. Em seguida, aparecem indústria (292 mil vagas abertas) e comércio (277 mil). O Nordeste aparece como a região mais competitiva para conquistar uma vaga e o Sul como onde há menor concorrência.