Publicidade
Capa / Negócios e Tecnologia

iFood anuncia investimento de R$ 500 milhões em startups e mira em fintechs

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/08/2025 às 18:32 · Atualizado há 2 dias
iFood anuncia investimento de R$ 500 milhões em startups e mira em fintechs
Foto: Reprodução / Arquivo

O iFood anunciou nesta terça-feira (5/8) o plano de investir R$ 17 bilhões até março de 2026, em ações para impulsionar o tráfego na plataforma e aumentar a recorrência de compras no aplicativo. Outros R$ 500 milhões devem ser direcionados para o investimento em startups. Na semana passada, o unicórnio anunciou a aquisição de 20% da CRMBonus, em acordo que pode chegar a R$ 10 bilhões em três anos, e inaugurou os investimentos.
Parte do investimento bilionário também será direcionado para contratações nas áreas de tecnologia e inovação, com a estimativa de aumentar o time em 1,1 mil novos colaboradores. O anúncio acontece em um momento de entrada de concorrentes de peso no mercado brasileiro de delivery – a Meituan anunciou o investimento de R$ 5,7 bilhões para operar com a bandeira Keeta por aqui e a 99 divulgou que investirá R$ 1 bilhão no retorno da operação de delivery.
O iFood afirma que o investimento não é uma resposta ao crescimento da competição, já que, nos últimos anos fiscais, fez investimentos de R$ 10,3 bilhões (2023) e R$ 13,6 bilhões (2024). “A correlação é zero. É uma lógica natural, não estou fazendo nenhum esforço adicional. Os recursos estão indo majoritariamente para o que desenvolvemos nos últimos anos”, afirmou Diego Barreto, CEO do iFood, em conversa com PEGN durante o iFood Move, evento anual da empresa que acontece em São Paulo (SP) até esta quarta-feira (6/8).
Neste ano, nove startups foram selecionadas para expor suas soluções: Falaê, Alô Chefia, Ene Way, YesChef!, Pick n Go!, Faceponto, Kompra.app, Voxel e Estaff. Segundo Barreto a escolha foi feita a partir do programa de inovação aberta do unicórnio, que reúne 200 empresas do segmento.
No evento, o iFood fez alguns lançamentos, como um cartão de crédito e débito para pessoas jurídicas, com a ampliação da oferta de crédito para os restaurantes parceiros da plataforma – o unicórnio afirma que parte dos R$ 17 bilhões serão direcionados para a frente de crédito para restaurantes.
O iFood Pago, frente financeira do unicórnio, tem mais de 175 mil contas ativas e já concedeu R$ 2 bilhões em crédito para 40 mil empreendedores pela plataforma. O cartão foi lançado com 50 mil clientes pré-aprovados e, até março de 2026, o iFood estima que 30 mil estejam utilizando o cartão.
Na entrada do evento, um protesto de motoboys reivindicava participação no encontro e remuneração mais alta. Faixas citavam pagamento de R$ 3,30 por entrega para os profissionais e o “PL do breque”, como ficou conhecido o projeto de lei 2479/2025, apresentado pelo deputado federal Guilherme Boulos para defender um “valor mínimo de remuneração para serviços de trabalhadores de plataformas digitais de entregas e mototaxistas”. A proposta aguarda a designação de relator na Comissão de Comunicação (CCOM) da Câmara dos Deputados.
Quando perguntado, mencionou o grupo de trabalho que conta com lideranças de plataformas, entregadores e líderes do governo. Segundo ele, dos assuntos discutidos, as partes não chegaram a um acordo quanto a contribuição previdenciária. A iniciativa, no entanto, rendeu a abertura de uma comissão especial na Câmara. “O 'PL do Breque' precisa ser discutido. Hugo Motta [Republicanos - PB, presidente da Câmara] criou uma comissão especial e agora o relator vai começar a aglutinação de todos os PLs que existem", falou durante coletiva de imprensa. "Nós chegamos a um acordo em 14 decisões, menos na previdência. Da maneira como a questão foi proposta, eu contribuía, o entregador contribuía, mas só 5% dos entregadores ganhavam o benefício tributário. Eu não vou apoiar se 100% não ganharem", disse.
Barreto afirma que quase R$ 1 bilhao dos R$ 17 bilhões de investimento será destinado a projetos de em proteção e infraestrutura aos entregados, como os pontos de apoio aos motoboys. A expectativa é dobrar o número desses pontos nos próximos 12 meses. Hoje, são 400.
Veja a seguir os destaques da entrevista:
“Existe um projeto muito maduro, que será referência em uma comissão especial, que vamos apoiar”, disse sem dar detalhes. quase 1 bilhao de reais (dos 17) de investimento em proteção e infraestrutura, como pontos de apoio aos motoboys, que devem dobrar nos próximos 12 meses (são 400 hoje)
A concorrência está se intensificando com a volta da 99Food e a chegada de outras plataformas ao Brasil, como a Keeta, especialmente nas capitais. Vocês costumam dizer que a competição é positiva, mas há alguma estratégia em curso para esse novo momento?
Diego Barreto: Como líder, eu não acredito em reagir à competição. Para mim, esse é o maior erro que uma liderança pode cometer. Você não reage à competição; você se torna mais forte. E isso independe da presença de concorrentes. A lógica é melhorar todos os dias. Então, me perguntar qual é a nossa reação estratégica à entrada de novos players? Nenhuma. Temos ajustes táticos, como quando um restaurante é abordado por um competidor, mas isso é diferente de mudar nossa estratégia.
Os novos produtos que vocês estão anunciando agora têm relação com esse cenário de concorrência?
DB: Nenhuma. Um dos produtos, que lançaremos amanhã (6/8), está sendo testado desde 2018. Deu errado várias vezes, até que em 2024 começou a funcionar. Isso é resultado de persistência, aprendizado e melhoria contínua, não de reação ao mercado.
Como vocês pretendem atrair novos restaurantes, já que agora há mais opções de plataformas para eles escolherem?
DB: O restaurante entra na plataforma se ele vende. Simples assim. Mas precisamos qualificar: existe venda sustentável, em que o consumidor certo encontra o restaurante certo e volta. E existe venda artificial, com cupom e incentivo, em que o cliente não retorna. Nosso foco é criar ferramentas para os restaurantes venderem de forma consistente.
Existe uma meta de número de restaurantes que vocês querem atrair?
DB: Não temos uma meta fixa de número de restaurantes. Não faz sentido ter 200 sushis no mesmo bairro, por exemplo. Hoje temos cerca de 400 mil restaurantes em 1,5 mil cidades. Esse número ainda vai crescer, mas o importante é ocupar a capacidade ociosa dos restaurantes já cadastrados.
Dos R$ 17 bilhões anunciados em investimentos, tem algo específico para pequenos empreendedores?
DB: Sim, temos várias iniciativas. Um exemplo é a ferramenta Cris, que transforma a navegação na plataforma em uma experiência conversacional. O usuário consegue acessar informações e diagnósticos de forma muito mais simples. Exemplo: identificar quais itens do cardápio não vendem ou entender o impacto das promoções.
O evento conta com uma vila de startups expositoras. Como foi feita a curadoria?
DB: A gente tem um programa de inovação aberta. Não investimos diretamente em todas as startups que participam, mas damos acesso, visibilidade e conexões. Hoje nosso ecossistema tem cerca de 200 startups mapeadas, e essas 9 que estão aqui fazem parte disso.
E em relação aos R$ 500 milhões que vocês anunciaram para investimento em startups? Existem conversas avançadas?
DB: O primeiro investimento foi na CRMBonus. Estamos com outras startups no pipeline, a maioria desenvolvendo soluções com IA aqui no Brasil. São diferentes pontos da jornada onde a inteligência artificial pode melhorar a operação.
Quais lacunas específicas vocês querem preencher com essas aquisições?
DB: A IA generativa está mudando tudo. Então, em teoria, tudo o que ainda não foi feito com essa tecnologia é uma lacuna. Estamos olhando para tudo. Se algo estiver operando melhor que a gente no mercado, a gente se interessa. O iFood Pago é uma das prioridades. Estamos conversando com cerca de cinco startups do segmento de fintechs.
Os investimentos continuarão a ser feitos diretamente ou pensam em estruturar um fundo de Corporate Venture Capital (CVC)?
DB: Diretamente. A gente não tem intenção de estruturar um CVC. Preferimos fazer investimento direto, com liberdade para integrar, operar, estar próximo. O CVC é mais passivo e o nosso objetivo não é só retorno financeiro, é retorno estratégico para o ecossistema iFood.

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade