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Empreendedora indígena fatura até R$ 40 mil por mês com restaurante de culinária regional | Mulheres Empreendedoras

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 26/10/2024 às 06:01 · Atualizado há 4 horas

Nascida na aldeia de Igarapé Grande, em Alvarães, munícipio distante de Manaus, Neurilene e sua família enfrentaram inúmeras dificuldades, especialmente no acesso à saúde e educação. “A questão da saúde, educação e sustentabilidade sempre foi muito complicada para as aldeias indígenas", afirma.

Seu pai, Waldemir da Silva, líder da comunidade indígena Três Unidos, foi o responsável por abrir novos caminhos para que seus filhos tivessem melhores oportunidades. Nos anos 1990, a família se estabeleceu às margens do Rio Negro, encontrando ali um lar. "Pedimos permissão à natureza quando chegamos. Mas sempre quis dar o melhor para meus filhos”, relembra Silva.

O ponto de virada para o empreendedorismo de Neurilene veio em 2009, quando um arquiteto responsável pela construção de uma escola na aldeia sugeriu que ela montasse um restaurante para alimentar os trabalhadores da obra. Com um investimento inicial de R$ 5 mil, ela começou atendendo cerca de 20 pessoas diariamente. Em apenas três meses, o restaurante já havia pago o investimento inicial, e o negócio crescia rapidamente, alcançando faturamentos mensais entre R$ 30 mil e R$ 40 mil.

O sucesso foi impulsionado pelo crescente turismo na região. Visitantes do mundo inteiro buscam uma experiência gastronômica única, experimentando pratos tradicionais à base de peixes amazônicos como tambaqui e pacu, além de especiarias regionais. Um dos pratos mais famosos é o fani, típico do povo Kambeba, feito com macaxeira e pirarucu, enrolado e cozido na folha de bananeira. Os preços dos pratos variam entre R$ 40 e R$ 60.

Além de liderar o restaurante, Neurilene também se dedica a fortalecer as mulheres de sua comunidade, oferecendo oportunidades de trabalho e capacitação. Atualmente, o restaurante pode atender até 100 pessoas simultaneamente, mas opera apenas mediante reserva devido à falta de infraestrutura da região, que ainda sofre com o fornecimento precário de energia, afetando a conservação de alimentos.

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