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Empreendedor angolano cria plataforma de empregos para imigrantes no Brasil e deve faturar R$ 100 mil neste ano | Ideias de negócios

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 26/02/2025 às 06:01 · Atualizado há 1 hora

Depois de enfrentar diferentes barreiras para se inserir no mercado de trabalho brasileiro, Frederico Eurico, 31 anos, natural de Luanda, em Angola, enxergou em sua dor uma oportunidade de negócio. Decidido a apoiar outros imigrantes na busca por uma vida digna no Brasil, ele criou a Vem Bumbar, uma plataforma que conecta profissionais a empresas que valorizam a diversidade, prepara imigrantes para processos seletivos e oferece treinamentos de letramento racial para as companhias.

A trajetória de Eurico no Brasil começou em 2013, quando veio à cidade de São Paulo (SP) em busca de melhores condições de vida. A escolha pelo país veio das semelhanças culturais, como a língua portuguesa como idioma oficial. Aqui, ele se formou em Tecnologia da Informação e se especializou em Engenharia de Redes e Sistema de Telecomunicação. Contudo, mesmo com a capacitação profissional, as oportunidades demoraram a chegar.

“Fui discriminado pelo meu sotaque, por ser negro. As empresas não valorizavam meu potencial, falavam coisas como ‘Você é africano, no seu país tem computador? Será que você vai se adaptar?’ Foi quando comecei a pensar em quantos imigrantes também passavam por isso”, conta.

A percepção de Eurico encontrou força em dados sobre o cenário: em 2022, ano em que a Vem Bumbar foi lançada, apenas 17,3% dos imigrantes e refugiados no Brasil tinham emprego com carteira de trabalho assinada, segundo estatísticas da Polícia Federal e da Coordenação Geral do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

Segundo o empreendedor, a ideia do negócio surgiu seis anos antes, em 2016. Sem experiência no setor de recursos humanos e no ecossistema do empreendedorismo, ele se dedicou aos estudos para garantir o sucesso da proposta. “Precisei estudar o mercado de RH, conversar com profissionais da área, entender melhor as dificuldades que as empresas têm para ser mais inclusivas e fazer cursos para empreendedores”, diz

Com um investimento inicial de cerca de R$ 10 mil, a empresa começou como um negócio com fins lucrativos — proveniente do modelo B2B —, mas com uma frente de atuação apenas com fins sociais — do B2C. A plataforma, que conta um canal próprio de vagas e banco de talentos com mais de dois mil imigrantes, recebe uma taxa das empresas a cada contratação. Também fatura com serviços de letramento racial para as companhias.

Para os imigrantes, a Vem Bumbar (nome que na Angola significa "Vem Trabalhar") oferece de forma gratuita treinamentos profissionais e de interculturação, orientação jurídica e regularização de documentos. “Notei a importância dessa frente a partir de estudos que fizemos. Vimos que muitos imigrantes não tinham e não sabiam como montar um currículo e, muitas vezes, não sabiam como se portar em uma entrevista, por causa das diferenças culturais”, diz Eurico. De acordo com o empreendedor, os cursos são oferecidos nas modalidades online e presencial, com foco em comunidades e centros de acolhimento de imigrantes.

As vagas ofertadas pela plataforma contemplam desde cargos operacionais até posições de gestão, com a participação de empresas que vão de pequeno a grande porte. A carteira de clientes inclui marcas como McDonald’s, Atacadão, Laager, Museu da Língua Portuguesa e Museu da Imigração do Estado de São Paulo. “Hoje estamos buscando investimentos para aumentar a equipe e investir em inteligência artificial para otimizar os serviços na plataforma e disseminar a marca”, aponta. Para 2025, a expectativa é de um faturamento de R$ 100 mil.

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