Item presente em quase toda bolsa, estojo ou bancada de maquiagem, o batom já foi símbolo de status, objeto de rituais e até usado como proteção. Hoje, ele é parte da rotina de muita gente e ganha destaque neste 29 de julho, Dia do Batom.
No início de 2024, a revista Scientific Reports publicou o artigo "Uma tinta labial da Era do Bronze do sudeste do Irã", sobre o batom mais antigo já descoberto, de cerca de 4 mil anos atrás.
O item foi encontrado por arqueólogos, químicos e especialistas em mineralogia da Universidade de Pádua, em colaboração com a Faculdade de Arqueologia da Universidade Iraniana de Teerã. De acordo com a descrição do estudo, o item era "um pequeno frasco de clorita (...), contém uma preparação cosmética vermelho-escura que provavelmente é uma tinta ou pasta para colorir lábios".
"Os traços mínimos de minerais de chumbo sugerem que tais artesãos entendiam os perigos da ingestão direta de chumbo. Também sugere a possibilidade de que cosméticos fossem usados em contextos sociais formais e cerimoniais, como um componente importante da manifestação pública do papel dominante de um estrato de elite da população", comentou o professor Massimo Vidale, ao site da Universidade de Pádua.
A história do produto vem de longe e carrega mais do que cor. Na antiga Mesopotânia, que remonta a 3500 a.C, a rainha Puabi usava uma mistura de chumbo brando e pedras vermelhas trituradas para tingir os lábios e simbolizar seu status de poder. Já Cleópatra, no Egito Antigo, preferia o carmin, feito de um pigmento vermelho.
Com o tempo, o produto foi ganhando novos significados. Na Europa do século 16, a rainha Elizabeth I popularizou o batom vermelho como símbolo de elegância, mas durante séculos ele esteve restrito a um padrão muito específico de beleza, usado principalmente pela realeza e pela elite, e nem sempre foi bem-visto.
Foi apenas no século 20 que o batom se popularizou de verdade. Em 1870, a marca francesa Guerlain lançou o primeiro batom comercial, embrulhado em papel de seda, mas sem preço fixo devido a baixa procura pelo produto. Depois, marcas como Estée Lauder e Revlon ajudaram a consolidar o item no mercado global.
"Ne m'oubliez pas" em tradução livre "Não me esqueças", foi o primeiro batom em tubo da história
Reprodução/Guerlain
Hoje, ele está por toda parte: seja como um toque final na maquiagem, um símbolo de estilo ou um gesto de autoestima. Existem batons para todos os gostos, tons de pele e estilos de vida. No Brasil, empresas como Avon, Natura e O Boticário foram fundamentais para tornar o batom acessível e presente no dia a dia de milhões de mulheres.
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