O levantamento “Empresas que geram valor: o impacto da relação financeira na prosperidade das PMEs” analisou dados de mais de 1,7 milhão de empresas clientes da instituição financeira, com faturamento anual de até R$ 60 milhões, no período de 2019 a 2024. Foram cruzadas informações do banco com bases públicas da Receita Federal, Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (28/8), na sede do Itaú BBA, na Faria Lima, na capital paulista.
Os dados mostram que a taxa de continuidade já é 8,6% maior no primeiro ano de relacionamento com o banco. No quinto ano, a probabilidade de sobrevivência aumenta para 30%. O estudo mostra ainda que as empresas atendidas registram, em média, 25% mais atividades econômicas formalizadas (CNAEs), refletindo maior diversificação. Outro efeito observado foi o aumento da inserção internacional: empresas clientes têm 70% mais chance de se tornarem exportadoras e 50% mais de se tornarem importadoras em comparação às que não recebem o mesmo tipo de suporte.
A análise também estimou os efeitos agregados do crédito sobre a economia. Entre 2019 e 2024, os empréstimos analisados representaram impacto médio anual de R$ 97 bilhões no PIB, 1,2 milhão de empregos mantidos, R$ 45 bilhões em renda das famílias e R$ 31 bilhões em arrecadação tributária. No acumulado de cinco anos, o impacto chega a R$ 486 bilhões no PIB, mais de 6 milhões de empregos, R$ 227 bilhões em renda e R$ 156 bilhões em tributos.
O efeito multiplicador do crédito foi calculado em 1,56, indicando que cada R$ 1 concedido gera R$ 1,56 no PIB – o equivalente a 0,85% do PIB brasileiro em 2024. Na avaliação de Cadu Peyser, diretor do Itaú Unibanco para PMEs, o crédito pode ser tanto um motor de crescimento quanto um fator de risco para a sobrevivência das empresas. Por isso, a consultoria é fundamental para os negócios.
“O crédito bem utilizado é um combustível para expandir a capacidade do cliente, mas o crédito mal utilizado, em geral, é o que faz com que ele quebre. Às vezes, o papel do consultor é justamente dizer: ‘Sim, esse é um bom momento para investir com crédito’, ou, em outros casos, ‘não, não é a hora certa’. Dizer não também pode ser o que garante a sobrevivência do negócio”, afirmou.
Isso também é possível com o uso de inteligência de dados — que permite que o Itaú perceba quase automaticamente quando o faturamento de um cliente está diminuindo, observando a redução de transações na maquininha da rede, boletos bancários e pagamentos recebidos. Segundo Peyser, isso acende um sinal amarelo e, se o cliente tem alto nível de endividamento, um gatilho é enviado ao gerente, que entra em contato com o cliente para oferecer soluções preventivas, como alongamento de dívida, antes mesmo que o problema se agrave.