Um post no X (antigo Twitter), realizado pela usuária @Cah_Azevedo na última quarta-feira (20/8), viralizou ao relatar o que chamou de “CLT Premium” em seu novo emprego. O termo, que se refere a um emprego com benefícios adicionais aos tradicionais, viralizou no ano passado, mas voltou à tona por conta do post. Entre os benefícios listados pela usuária estavam férias sem necessidade de completar um ano, folga extra a cada feriado em fim de semana, R$ 250 mensais para gastar em happy hour e três dias de descanso aleatórios ao ano.
O post de @Cah_Azevedo ultrapassou 4 milhões de views e levantou uma discussão: afinal, isso existe mesmo?
Nas respostas, os comentários misturaram ironia e curiosidade. “Gente, CLT é CLT, não há CLT Classic e Premium”, escreveu um usuário. Outro destacou: “Adorei o 5x2 como se não fosse o mínimo. O resto é top mesmo”. A reação mostra que o público adere a ideia, mas também questiona até que ponto as empresas não estão apenas embalando o óbvio como se fosse privilégio.
O post de Camila Azevedo no X acumula mais de 1 mil comentários
Reprodução/X
De onde vem o termo “CLT Premium”?
Apesar do buzz atual no X, o termo ganhou força no ano passado em uma trend do TikTok, que popularizou a expressão. Jovens passaram a mostrar a rotina de trabalho recheada de regalias: vale-refeição e alimentação maiores que dois salários mínimos, home office, academia, espaços de lazer e outros mimos corporativos. Era quase uma ostentação de benefícios, em contraste com a realidade da maioria dos trabalhadores brasileiros.
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Mas afinal, é um novo regime de trabalho?
Não. A CLT continua a mesma. O que acontece, segundo a especialista em liderança e futuro do trabalho Luciane Botto, é que empresas estão “embalando” pacotes de benefícios extras como um diferencial para atrair talentos. “É como dizer: ‘aqui você tem o básico da lei, mas também algo a mais’”, explica.
Ela lembra que esse movimento responde a uma mudança no perfil dos profissionais. “Se antes a estabilidade bastava, hoje as pessoas comparam propostas, analisam o ambiente e escolhem onde realmente querem estar. O básico já não diferencia empresa nenhuma”, aponta.
Funciona mesmo?
Na prática, pode funcionar para atrair candidatos, sobretudo os mais jovens, que valorizam qualidade de vida e flexibilidade. Mas, segundo Botto, não basta oferecer vantagens no papel: é preciso ter cultura organizacional sólida e coerência no dia a dia. “Benefício chama atenção no processo seletivo, mas o que mantém o profissional é a cultura, o clima e a liderança empática”, afirma.
Ela também alerta para os riscos de exagerar no discurso. Quando a empresa vende a ideia de algo “premium” e não entrega, a consequência é frustração, aumento de turnover e até prejuízo para a reputação da marca empregadora. “Em tempos de redes sociais e sites como Glassdoor, o que acontece dentro da empresa pode ser exposto para todo mundo ver”, lembra.
Até onde a empresa pode ir?
Ainda segundo a especialista, não há problema legal em oferecer folgas extras, férias adicionais ou até benefícios de lazer, desde que eles respeitem os direitos mínimos já garantidos pela CLT. O que não pode acontecer é confundir obrigação com diferencial.
“Direito adquirido não pode ser vendido como benefício extra. Quando isso acontece, a confiança do colaborador fica abalada”, diz.
Para ela, a tendência é que esse tipo de proposta siga crescendo, mas não necessariamente com o nome “CLT Premium”. “As novas gerações pressionam por ambientes saudáveis, flexíveis e que façam sentido para sua vida real. No futuro do trabalho, a regra é simples: atrair com criatividade e reter com consistência.”
PEGN tentou contato com a autora do post, mas não teve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
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