O Natal é um dos períodos de melhor faturamento para o negócio, que chega a ser entre 30% e 40% a mais do que em outros meses. Nos dias 23 e 24 de de dezembro do ano passado, a empresa vendeu 250 sobremesas, o que rendeu uma receita de R$ 55 mil. "São os dias que têm mais saída, mas vendemos sobremesas natalinas durante todo o mês para confraternizações de amigos e familiares", afirma Leandro, de 38 anos. Para este ano, a expectativa é vender 400 doces.
Segundo os empreendedores, o período natalino tem se mostrado mais relevante do que a Páscoa para os negócios. “Ambas as datas são importantes, mas enfrentamos uma concorrência muito maior na Páscoa. Durante a pandemia, muitas pessoas que não eram confeiteiras começaram a vender chocolates como forma de complementar a renda, e muitas continuam até hoje. Isso reduziu nosso faturamento nesse período”, explica Gabriela, 35.
“Como advogado, eu era especialista em marcas e patentes, e sabia que tinha que criar um CNPJ e registrar a marca", diz Leandro, acrescentando que o crescimento do negócio se deu especialmente por divulgação boca a boca. Eles seguiam com seus empregos durante o dia, e à noite preparavam os confeitos.
Ao mesmo tempo, Gabriela estava passando por um momento de burnout no escritório. “Eu estava procurando emprego e fazendo entrevistas, mas não consegui", diz a empreendedora, que optou por pedir demissão em agosto e 2016, três meses antes do casamento. “Decidimos que íamos tentar fazer o negócio dar certo. Caso não fosse pra frente até a volta da lua de mel, eu voltaria a procurar emprego em janeiro de 2017. Mas deu certo e não foi preciso voltar à carreira de advogada", afirma.
Gabriela se dedicava à produção durante o dia, enquanto Leandro era responsável pelo atendimento e entregas. Porém, conforme o negócio foi crescendo, ele percebeu que também teria que pedir demissão do escritório que trabalhava em 2017. “Mantive alguns clientes fixos que optaram por continuar trabalhando comigo, e não peguei mais casos novos", afirma.
“Gastamos todo nosso dinheiro para abrir o espaço, mas continuamos otimistas porque a Páscoa, em abril, nos daria um fôlego no caixa", diz a empreendedora. Porém, antes disso, a pandemia do coronavírus forçou o negócio a se adaptar.
“Não tínhamos delivery, e fizemos o cadastro nos aplicativos Rappi e iFood. Também contratamos um entregador", diz a empreendedora, que começou a receber cerca de 50 pedidos por dia. “Acho que a comida, e especialmente o doce, se tornou um afago em um momento difícil. Os clientes começaram a mandar doces de presente para as pessoas queridas."