O Brasil conta com 113 iniciativas de parques tecnológicos, sendo 64 em operação, 42 em implantação e sete em planejamento. Desses, 39 estão no Sul, 35 no Sudeste, 19 no Nordeste, 12 no Norte e oito no Centro-Oeste. Juntos, os centros abrigam 2,7 mil empresas e organizações. Os dados constam no livro “Evolução, Impacto e Potencial dos Parques Tecnológicos do Brasil”, lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) durante a 35ª Conferência Anprotec, que acontece até a próxima quinta-feira (16/10) em Foz do Iguaçu (PR).
Entre 2017 e 2023, as empresas vinculadas aos 64 parques em operação aumentaram seu faturamento em 170%, de R$ 5,63 bilhões para R$ 15,19 bilhões. O faturamento médio por empresa cresceu 30% durante os seis anos. Também houve avanços no desenvolvimento de tecnologias — o número de patentes, por exemplo, dobrou — e o número médio de colaboradores aumentou 10%. Atualmente, mais de 4,5 mil empreendimentos são atendidos por esses parques, em comparação a 2 mil em 2017.
Apesar do crescimento, o livro destaca que os parques tecnológicos brasileiros ainda são jovens, com idade média de 12 anos. Os estudos econômicos apresentados indicam que um parque tecnológico atinge um ponto de virada por volta do 12º ano e alcança seu total desenvolvimento após cerca de 20 anos de funcionamento.
“Se nós obtivemos esses resultados com os nossos parques ainda jovens, imagine daqui a 10, 15 ou 20 anos, quando esse sistema de parques tecnológicos que estamos semeando hoje se tornar maduro e alcançar seu potencial”, comenta Adriana Ferreira de Faria, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).
Apesar da perspectiva de crescimento, o estudo também destaca os principais desafios enfrentados por esses centros de inovação. 70% dos parques relataram escassez de recursos financeiros, e 47% perceberam pouco interesse dos empresários. Apenas 2,3% afirmaram não enfrentar dificuldades.
Com o mapeamento qualitativo e quantitativo, a expectativa é aprimorar o funcionamento dos parques tecnológicos. “Esse documento é muito importante para nós, gestores, pois nos auxilia na administração do nosso parque e do nosso ambiente”, afirma Faria. “Fora do empreendedorismo de base tecnológica, nós vamos perecer”, complementa.
* A jornalista viajou a convite da Anprotec