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Aposentado de 68 anos viraliza vendendo os próprios livros nas ruas e pela internet | Ideias de negócios

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 15/08/2025 às 06:00 · Atualizado há 1 dia
Aposentado de 68 anos viraliza vendendo os próprios livros nas ruas e pela internet | Ideias de negócios
Foto: Reprodução / Arquivo

Em Ribeirão Preto (SP), é comum encontrar o escritor Cavalheiro Verardo Neto, de 68 anos, caminhando pelas ruas com uma cesta cheia de livros. Natural de São Vicente de Minas (MG), ele se formou cirurgião-dentista e, após se aposentar aos 53 anos, decidiu trocar o consultório pela literatura. A paixão pela escrita começou cedo: aos 16 anos, ganhou do pai uma máquina de datilografia Remington e passou a escrever seus primeiros versos. Poucos anos depois, em 1978, ainda na faculdade, lançou o primeiro livro de poesia, "Um mar sem margens".

Hoje, acumula 50 livros impressos e um e-book, todos publicados de forma independente. Até agora, nenhuma editora se interessou por suas obras — e isso, segundo ele, tem um lado desafiador: “Ao mesmo tempo, precisamos escrever, publicar, divulgar e vender. É tudo por nossa conta”. No entanto, ele ganhou um empurrãozinho das redes na divulgação: alguns vídeos que mostram o empreendedor vendendo livros nas ruas ultrapassam 3 milhões de visualizações.

Produção independente e logística de vendas

Para imprimir os livros, Verardo conta com a ajuda de um amigo que possui uma gráfica e cobra entre R$ 9 e R$ 12 por tiragem. Depois, ele mesmo autografa, embala e envia cada exemplar pelos Correios. Com a repercussão nas redes sociais, o ritmo aumentou muito, e hoje ele entrega cerca de 10 livros por dia.

O escritor recebe encomendas de estados como Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Sempre que os clientes enviam fotos dos livros recebidos, ele compartilha nas redes sociais, valorizando o reconhecimento e a interação direta com os leitores.

Ritmo das vendas 'presenciais'

Manter o negócio vivo envolve rotina e estratégia. Quase todos os dias, ele sai de casa para oferecer os livros pessoalmente. A rotina vai de duas a três horas de vendas nas ruas, com cerca de 10 a 15 livros. Os preços variam de R$ 15 no contato direto a R$ 20 pela internet, sempre com frete pago por ele. Apenas dois títulos, mais extensos, custam R$ 35. “Mesmo com os aumentos dos Correios e da gráfica, mantenho o valor para que mais pessoas possam comprar”, explica.

A internet, no entanto, é uma aliada importante. Sua conta no Instagram reúne mais de 148 mil seguidores e alguns vídeos alcançam números impressionantes, um deles, em que ele comemora ter vendido três livros na rua, já passou de 3 milhões de visualizações. “Se não fossem as redes sociais, eu já teria parado. Foi nelas que encontrei apoio e reconhecimento”, conta. Ainda assim, ele garante que o contato olho no olho continua sendo essencial.

Desde que começou a vender diariamente nas ruas, em 2020, o empreendedor não mede o faturamento. “Nunca pensei em anotar. O que realmente me motiva é ver meus livros chegando às mãos das pessoas e sentir essa conexão com cada leitor”, diz.

Entre os títulos mais procurados estão "O taxista" (romance), "Passagem Proibida" (suspense), "Leitura para crianças" (poemas e histórias infantis) e o próprio "Um mar sem margens". Seu preferido, porém, é "O Evangelho de Jesus Cristo segundo eu mesmo", que considera o mais importante de sua trajetória.

Um movimento maior no Brasil

O trabalho do escritor se conecta a um movimento maior no Brasil. Segundo a plataforma Clube de Autores, uma das principais plataformas de autopublicação online no país, já foram publicados mais de 95 mil livros por 65 mil autores independentes nos últimos dois anos. Mesmo assim, os desafios são grandes: uma pesquisa do Instituto Pró-Livro mostrou que 53% da população não leu nenhum livro nos últimos três meses. Para Verardo, esses números reforçam a importância de continuar escrevendo e chegando a novos leitores, seja nas ruas ou nas redes.

“Cada livro que vendo é uma conversa que começa. E enquanto houver leitores, continuarei escrevendo”, resume.

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