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Aos 98 anos, Vó Pati conquista clientes com amigurumis feitos à mão

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 26/07/2025 às 06:01 · Atualizado há 6 dias
Aos 98 anos, Vó Pati conquista clientes com amigurumis feitos à mão
Foto: Reprodução / Arquivo

No Dia dos Avós comemorado hoje (26/7), a história de Aspasia d’Avila, conhecida como Vó Pati, chama a atenção pelo recomeço na terceira idade. Moradora de Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), ela aprendeu a fazer amigurumis aos 92 anos e transformou a nova habilidade em um negócio. Hoje, aos 98, comanda o Vó Pati Atelier (@vopatiatelier), ateliê de crochê que envia bonecos para diversas partes do país e também para o exterior.
“Para mim, foi uma surpresa. Nessa idade, consegui uma coisa que nunca tinha conseguido antes: fazer um trabalho e ganhar um dinheirinho. Foi ótimo. Eu adorei”, afirma.
De apelido carinhoso a marca registrada
O nome Vó Pati veio de um dos netos, que não conseguia dizer o nome dela quando era pequeno. “Ele me chamava de Pati. Quando parou, senti falta. Então, quando me perguntaram que nome eu queria dar pro negócio, não tive dúvida: é Vó Pati. Agora todo mundo me conhece assim.”
A artesã vive sozinha no Rio, no mesmo prédio onde moram filhos e netos. “Eu moro sozinha, mas nunca estou só. Minha filha e minha neta estão sempre por perto. Todos têm muito cuidado comigo. Eu sou uma mulher feliz”, afirma.
Primeiro pedido, primeira venda
A empreendedora sempre foi dona de casa e nunca trabalhou fora. A paixão pelos amigurumis surgiu por acaso, quando viu um boneco comprado pela neta Fabiana Barros. “Minha filha procurou na internet como fazia e me mostrou. No começo, as primeiras peças não ficaram tão boas. Mas eu fui melhorando. Agora faço muito bem”, diz com orgulho.
A primeira produção foi parar no trabalho da neta, que mostrou para os colegas. Logo vieram os pedidos. “Eu nem sabia quanto cobrar. Pedi R$ 40, só para pagar a linha. Aí começou a crescer. Um pedia pro outro, e assim foi.”
Hoje, as peças custam a partir de R$ 160. “Tem gente que cobra R$ 250, R$ 300. É um trabalho delicado, feito com uma agulha pequena, e a linha é cara. Mas eu prefiro manter esse preço”, explica. A produção é intensa: entre 15 e 20 bonecos por mês. Vó Pati calcula que já fez mais de mil entre todos esses anos. “Já mandei para os EUA, Espanha, Portugal... Vai para muitos lugares.”
Crochê em família
Para dar conta das encomendas, tudo é feito com a ajuda da filha, Angela d’Avila, e da neta. Ela compartilha que faz a base do boneco, que leva um dia e meio, e a filha ajuda com os acabamentos, já a neta, recebe os pedidos e organiza tudo. O dinheiro das vendas vai todo para a artesã. “Ninguém aceita nada, é tudo meu”, diz, rindo.
A neta Fabiana Barros foi a presenteada com a primeira Nossa Senhora de Fátima confeccionada pela Vó Pati
Fabiana Barros
Laços e memórias
Avó de sete e bisavó de três, Vó Pati fala com carinho sobre a família. “Gosto de conversar, ouvir, ensinar. Sempre digo que a gente precisa ser amigo e ouvir o que o outro tem a dizer.”
Netos e bisnetos da Vó Pati realizaram uma festa em comemoração aos 98 anos da avó em junho
Reprodução/Instagram @vopatiatelier
"É isso que me dá vida"
Apesar da idade, parar nunca passou pela cabeça.
“Eu gosto de fazer. É um prazer. O que eu ia fazer sem isso? Só olhar o tempo passar? Não. Eu fico sentadinha, ligo a televisão, mas tenho que prestar atenção para contar os pontos. Esse trabalho me dá vida.”
Quando perguntada sobre o que espera que as pessoas sintam ao receber um amigurumi, a resposta vem rápida: “Eu quero que sintam carinho. Alguns me ligam agradecendo, dizem que é lindo, que vão guardar. Eu fico muito feliz com isso.”
Pontos marcantes de uma trajetória
Entre os trabalhos mais marcantes do Vó Pati Atelier, está a criação de um boneco do cantor Milton Nascimento, feito especialmente para uma exposição em comemoração aos 50 anos de carreira do cantor. A peça foi confeccionada em tamanho maior que o usual e exigiu atenção redobrada nos acabamentos.
“Tive que fazer o chapéu, os óculos e até o jeito dele se vestir. Coloquei um casaquinho cinza e uma calça bem parecida com a que ele usa. Ficou muito parecido, todo mundo reconheceu. Deu trabalho, mas valeu a pena”, lembra ela, com orgulho.
O boneco foi doação para a exposição de 50 anos da carreira de Milton Nascimento, na Bahia
Fabiana Barros
Quando o assunto é o seu amigurumi favorito, ela não hesita: o anjo. Feito com vestido branco, asas e cabelo de lã bem enroladinho, é um dos mais pedidos por clientes que buscam peças delicadas e simbólicas. “É o que eu mais gosto de fazer. Todo mundo acha bonito. Dá um pouco mais de trabalho, mas o resultado compensa”, conta.
Os anjos são os bonecos mais pedidos no Vó Pati Atelier
Reprodução/Instagram @vopatiatelier
Entre fios, novelos e encomendas, ela também acompanha o movimento das redes sociais, onde as criações do Vó Pati Atelier são divulgadas pela neta. O perfil hoje conta com mais de 7 mil seguidores, e a artesã adora ver os comentários e reações de quem recebe seus bonecos. “É bom saber que o que faço chega em tanta gente.”
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