É nas proximidades do Mercado Municipal, da estação de metrô São Bento e da Praça da Sé que se localiza a Rua 25 de Março, no centro da capital paulista. A área comercial é conhecida como um dos grandes polos de moda popular do país. Também considerado o maior centro comercial a céu aberto da América Latina, o local recebe um fluxo diário de aproximadamente 200 mil pessoas e tem sido alvo de investigações sobre práticas comerciais no Brasil, conduzidas pelo governo norte-americano, sob a gestão de Donald Trump.
A busca por possíveis irregularidades e indícios de desvantagens tarifárias também ampliou as investigações sobre os serviços de pagamento eletrônico no Brasil.
O espaço, que celebrou 160 anos em 2025, reúne cerca de 3.800 estabelecimentos espalhados por 17 ruas. Entre os lojistas, destacam-se setores como comércio eletrônico, moda, utilidades e bijuterias. A região também é muito frequentada em períodos festivos, como Carnaval, Natal e Páscoa, impulsionando a busca por fantasias, itens de decoração e presentes com preços mais acessíveis do que em outras áreas da cidade.
No documento elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), a Rua 25 de Março é apontada como um ponto de venda de produtos falsificados e réplicas, além de levantar preocupações quanto à proteção dos direitos de propriedade intelectual de marcas norte-americanas.
“O Brasil adota uma série de atos, políticas e práticas que aparentemente negam proteção e aplicação adequadas e eficazes aos direitos de propriedade intelectual. Por exemplo, o país não conseguiu combater de forma eficaz a importação, distribuição, venda e uso generalizados de produtos falsificados, consoles de videogame modificados, dispositivos de streaming ilícitos e outros dispositivos de violação”, pontua o documento.
Saiba Mais
Em 2025, o Departamento de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo apreendeu 3,4 milhões de itens falsificados na região. Já a Receita Federal, entre outubro e novembro do ano passado, confiscou outras 650 toneladas de mercadorias irregulares, avaliadas em cerca de R$ 500 milhões.
Nesta quinta-feira (17/7), em entrevista à TV Globo, o prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que o comércio popular não pode ser considerado ilegal. “Se em algum local existir venda de produtos falsificados, inclusive na 25, cabe à Receita Federal e aos órgãos de combate à pirataria fiscalizar. E todos continuarão tendo, como sempre, apoio total da Prefeitura de São Paulo.”
Por sua vez, a União dos Lojistas da 25 de Março (Univico25) reconhece a existência de pontos isolados de comércio irregular, mas ressalta que as práticas são continuamente fiscalizadas. Em nota, a associação pontua que: “[o mercado local] segue forte, diversificado e comprometido com a legalidade“ e que os empreendimentos “geram empregos, pagam impostos e oferecem produtos de qualidade para consumidores de todas as regiões do Brasil.”
25 de Março na mira do USTR
A atenção às práticas comerciais brasileiras não é recente. Já em janeiro deste ano, um relatório do USTR identificou diversos pontos críticos de pirataria na capital paulista. Entre as áreas citadas estão o Centro Histórico, Santa Ifigênia e o Brás, incluindo estabelecimentos como o Shopping 25 de Março, Galeria Pagé Centro, Galeria Santa Ifigênia, Shopping Tupan, Shopping Korai, além da Feira da Madrugada e da Nova Feira da Madrugada.
Segundo o relatório, marcas originais classificam a região como "um dos maiores mercados de atacado e varejo de produtos falsificados no Brasil e na América Latina, com mais de mil lojas comercializando produtos falsificados de todos os tipos."
História da 25 de Março
Uma das ruas mais emblemáticas do comércio popular brasileiro, a Rua 25 de Março foi oficialmente registrada em 1865. Seu nome homenageia a data em que Dom Pedro I outorgou a primeira Constituição brasileira, em 25 de março de 1824, de acordo com a Prefeitura.
Localizada próxima ao rio Tamanduateí — que antes corria ao lado da via, abaixo do Mosteiro de São Bento — a região abrigava o Porto Geral, ponto de desembarque de produtos vindos do porto de Santos. Esse porto deu nome à atual Ladeira Porto Geral, uma das principais travessas da 25.
A presença marcante de imigrantes sírios e libaneses, que chegaram a São Paulo por volta de 1880, foi essencial para o desenvolvimento comercial da região, atraídos pelos baixos custos da área. Com o tempo, a rua passou a ser visitada por paulistanos de diversas regiões e por consumidores de todo o país.
Comércio em frente ao Mercado Municipal, Esquina da rua 25 de Março com General Carneiro, em 1910
Vincenzo Pastore / Acervo Instituto Moreira Salles
Até hoje, a tradição de comércio de produtos importados permanece, consolidando a 25 de Março como o maior centro comercial a céu aberto da América Latina.
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