Em postagens no TikTok, influenciadores brasileiros ensinam homens a conquistar mulheres russas com 'fantasias' lucrativas. Alguns dos conteúdos viralizados destacam as supostas vantagens de se relacionar com russas, como ser atraente sem dinheiro ou 'skin'. Essas alegações são frequentemente acompanhadas de viagens a destinos nos Emirados Árabes Unidos e fotos com carros esportivos.
A jornalista americana Julia Meszaros afirma que esses conteúdos são uma 'venda de fantasias' muito lucrativa. 'Há diversas formas de ganhar dinheiro com isso, é uma venda de uma série de fantasias que é muito lucrativa', diz.
Os conteúdos viralizados no TikTok
Esses conteúdos ressaltam como é 'fácil conseguir uma namorada em uma semana' na Rússia, alegando que é possível ser atraente no país mesmo 'sem dinheiro' e 'skin'. Ao mesmo tempo, as mulheres brasileiras são desqualificadas de uma série de maneiras, inclusive, como 'interessadas só em dinheiro', 'vulgares' e 'promíscuas', ao passo que as russas seriam 'ligadas a valores mais tradicionais e à feminilidade'
Por trás da manipulação de conteúdo
Algumas pessoas ligadas ao tema afirmaram que esses conteúdos são frequentemente manipulados para promover uma ideologia de que as mulheres não são 'femininas' em casa. Além disso, há preocupações de que esses conteúdos possam incentivar outros tipos de abuso, inclusive, o turismo sexual.
A resposta dos influenciadores
O único influenciador que respondeu aos contatos da BBC News Brasil negou que haja problema com os conteúdos e afirmou que sua namorada é russa.
O contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia
A guerra entre Rússia e Ucrânia nunca é descrita como um problema ou desafio na maioria desses perfis. Normalmente, é tratada como um meme, e brincadeiras sobre terminar no Exército sob o comando do presidente russo, Vladimir Putin, são comuns.
O que você precisa saber
Atuamente, o Itamaraty cita oficialmente 30 brasileiros mortos na guerra entre Rússia e Ucrânia, quase todos pelo lado ucraniano. Além disso, há registros de grupos recrutando voluntários em redes sociais na região ucraniana, o que não teria ocorrido na intensidade na região russa.