Interferência dos EUA nas Eleições Brasileiras
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a decisão dos Estados Unidos de designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras foi uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro com o objetivo de ajudar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A avaliação foi feita à BBC News Brasil por interlocutores do presidente que acompanham as discussões sobre a relação entre Brasília e Washington.
Segundo um desses auxiliares, o governo brasileiro avalia que a possibilidade de que essa decisão não tenha tido o aval explícito do presidente Donald Trump é muito remota, comparando-a ao tarifaço imposto pelos EUA contra produtos brasileiros no ano passado, que abriu a pior crise diplomática da história entre os dois países.
Preparação para Novas Ações de Trump
O governo agora tenta se preparar para o caso de os EUA adotarem novas medidas durante o período eleitoral.
A mais imediata poderia ser a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros com base em investigações pela seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, algo que o governo vem tentando evitar a todo custo.
Interferência nos Assuntos Brasileiros:A nota do governo brasileiro não classificou formalmente a decisão norte-americana como interferência eleitoral, mas criticou a ação de atores domésticos que pediam a adoção da medida, em referência à ação da família Bolsonaro.