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Gilson Kleina cita IA e quer usar tecnologia para se reinventar no Boavista

Gilson Kleina faz o panorama dos técnicos no Brasil e fala de passagem pelo Palmeiras

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 12:11 · Atualizado há 2 dias
Gilson Kleina cita IA e quer usar tecnologia para se reinventar no Boavista
Foto: Reprodução / Arquivo

Gilson Kleina faz o panorama dos técnicos no Brasil e fala de passagem pelo Palmeiras

Quinze anos depois de sua primeira passagem pelo Boavista, o técnico Gilson Kleina volta à equipe de Saquarema carregando toda a experiência adquirida de nordeste ao sul do país somada a conceitos novos e uma grande vontade de retomar seu melhor patamar na carreira.

Kleina passou por equipes de expressão no cenário nacional, como o Bahia e Coritiba, e participou da reconstrução da Chapecoense. Mas seu trabalho de maior visibilidade foi no Palmeiras entre 2012 e 2014, momento em que o time começava o processo que o transformou em potência continental. Ele lembra do período como um "divisor de águas", mas admite ter se decepcionado com a gestão do clube.

— Em 2014, que nós íamos iniciar o trabalho, tive uma decepção naquela época, não com o Paulo Nobre, mas com as pessoas que cuidavam do futebol. Nós precisávamos de um aporte financeiro para fazer contratações e eles contrataram no meu lugar o Gareca, um argentino. Nada contra, profissional sensacional, mas não foi bem no Palmeiras. Quase que o Palmeiras volta para a segunda divisão em 2014 — afirmou o técnico.

Kleina foi uma das principais contratações do Boavista visando à disputa do Campeonato Carioca. O treinador não se prende exclusivamente ao currículo e experiência — são mais de 20 anos de carreira. Ele se vê em processo de renovação e, aos 57 anos, ressalta a importância de introduzir tecnologia em seu trabalho e de se aprofundar no contato com as novas gerações.

— A cada ano que passa a gente fica mais preparado. Esse cabelo branco aqui já tem uma experiência que a gente agregou em várias situações. Estou fazendo um processo na minha carreira de renovação. Acho que a gente tem que entender a área digital, IA, tenho que entender essa geração. Isso está me dando o prazer e o entendimento de fazer o Boavista gigante. É entender que cada ano que passa você tem que ter um aprendizado — afirmou o técnico.

Gilson Kleina, técnico do Boavista — Foto: Divulgação: PH Almeida/Boavista SC

Junto da experiência prática que vieram com os "cabelos brancos", o treinador incorporou novos métodos à rotina de trabalho. Entre eles, algumas novidades tecnológicas, como o uso de dois softwares de análise de desempenho. São programas que medem diversas métricas de jogo, mapas de calor, índices físicos e até questões mentais dos atletas, segundo o clube.

Em entrevista ao ge, no novo centro de treinamento do Boavista, na zona sudoeste do Rio, o técnico também falou sobre a chegada dos treinadores ao Brasil, o início reativo de Abel Ferreira no Palmeiras, refletiu sobre a perda de protagonismo do futebol brasileiro e projetou a disputa do Cariocão no comando da equipe de Saquarema. Leia a entrevista completa.

— Depois do 7 a 1, começaram a olhar o treinador brasileiro de outra forma. Não a que a gente não tivesse o estudo e que se qualificasse. Mas isso teve que acelerar o processo. Hoje a gente tem a CBF Academy, tem cursos paralelos, a federação de treinadores está crescendo. Tivemos que buscar um estudo global. Se analisar dez anos atrás, nós tínhamos uma forma de jogar no Brasil. Como era essa forma? A gente priorizava o jogador técnico, para dar criatividade para ele. Esse jogador começou a ir mais cedo para a Europa. E esse jogador começou a trazer um comportamento diferente. Hoje vejo o Brasil jogar muito próximo do que é feito na Europa. A metodologia do trabalho é muito colocada em cima do que foi difundido e desenvolvido lá. A gente busca a intensidade, a gente quer resgatar a nossa essência. O Brasileiro é o melhor do mundo ainda. Infelizmente, a gente não é mais protagonista. Se você pega 2002, tinha seis jogadores que era Melhor do Mundo. Hoje não estamos tendo isso e precisamos buscar. O Vini Jr e o Neymar bateram na trave. Mas é muito pouco. Sempre fomos os protagonistas, temos que buscar isso. Isso fez com que o treinador brasileiro desse um clique. A gente tem que ter mais interação com a base. A formação, para mim, é tudo. Gosto de não engessar a base, não tirar a criatividade. É o que sempre moveu o torcedor. A plasticidade do jogador é o que marca o torcedor. O cara que marca com drible, jogada em movimento, finalização de média distância. Um gol com ousadia, bicicleta, acho que isso que a gente precisa resgatar. É isso que a gente está colocando aqui.

— Você sabe que foi um divisor de águas na minha carreira. Eu era o sexto colocado fazendo um trabalho brilhante na Ponte Preta, em 2012, quando o Palmeiras me faz o convite. Quando um gigante faz o convite, você tem que avaliar várias situações. Eu entendi naquele momento que nós já tínhamos vice do Paulista, da Sul-Americana, tinha colocado a Ponte Preta na Série A. Entendi que era a hora de sair e dar o próximo passo. Só que eu chego no momento que o Palmeiras estava passando por uma transição política, a parte financeira caiu bastante e nós ficamos dois anos. Para mim, o grande mérito foi dar o título para o Palmeiras voltar para a primeira divisão, jogar uma Libertadores, colocar na Copa do Brasil, no Paulista, voltar com o calendário. O Palmeiras sempre foi gigante, não foi porque caiu. A torcida comprou a ideia e foi um trabalho muito bom. Naquela época conseguimos colocar jogadores da base, que não era como é hoje, que é muito bem avaliado. Hoje o trabalho da base do Palmeiras é sensacional. E naquela época a gente buscou essa situação de trazer jogadores que estavam lá fora sem serem utilizados e que viraram protagonistas. É o caso do Kardec, fizemos o Valdivia voltar para a Seleção do Chile. Lembro que o auxiliar do Sampaoli ficava no ct para entender o que estava acontecendo com o Valdivia. Ele entendeu que o trabalho traria uma melhoria para ele. Colocamos o Henrique na Copa do Mundo, depois vendemos para o Napoli. Colocamos o Luiz Felipe no Benfica. Depois trouxemos o Lúcio, zagueiro da Seleção. Coisas pontuais, que a gente cresceu e demos identidade ao clube. Em 2014, que nós íamos iniciar o trabalho, tive uma decepção naquela época, não com o Paulo Nobre, mas com as pessoas que cuidavam do futebol. Nós precisávamos de um aporte financeiro para fazer contratações e eles contrataram no meu lugar o Gareca, um argentino. Nada contra, profissional sensacional, mas não foi bem no Palmeiras. Até porque não conhecia o futebol brasileiro. Em 10 jogos, se não me engano, 10 derrotas. Quase que o Palmeiras volta para a segunda divisão em 2014.

— Ali foi um divisor e pude trabalhar em grandes clubes, como o Bahia, a Portuguesa, pude participar da reconstrução da Chapecoense, que está marcada na minha história. Junto com o Boavista quero retomar esse patamar. Acho que cada vez mais a gente se prepara para isso. O futebol dá essa condição. Muita coisa mudou nesses 10 anos. Hoje o treinador precisa de uma organização muito forte fora de campo. Uma gestão muito transparente. O que era disciplina há um tempo, hoje tem que ser de uma outra forma. Eu fui moldado a cobrar coletivamente, hoje tem que cobrar individualmente. O atleta, uma geração, ele se constrange se fizer uma cobrança forte. Claro que existe uma cobrança coletiva, mas se você quiser realmente um resultado, você tem que chamar e saber conversar com essa geração, que eles dão o retorno. É uma geração brilhante. Esses meninos têm tudo para crescer. Mudou muito o futebol, como mudou o comportamento do cidadão. Isso que a gente veio buscar. A gente foi buscar as licenças, hoje eu tenho a PRO.

— O projeto Boavista me encantou pela conversa que tive com os gestores. Com o Boavista, você consegue ter um crescimento com o clube. Entendo que hoje no futebol, a estrutura faz diferença para qualquer profissional. Vejo com bons olhos o que está acontecendo. Hoje o clube tem uma estrutura sensacional, que bate de frente com grandes clubes do Brasil. E vai crescer ainda para ser uma excelência num complexo que vão fazer não só para formar jogadores mas que dê totais condições para um treinador exercer sua profissão. Como eu já havia disputado duas vezes o Cariocão e muitos paulistões, eu vejo com muito equilíbrio isso. Se nós conseguirmos implementar nossas ideias de jogo e convicção de trabalho, entendo que a gente possa deixar o Boavista não só com o calendário de elite, mas um time forte.

— O Boavista já nasceu grande. As pessoas que comandam o Boavista são muito bem sucedidas e eles querem trazer isso para o futebol. Jogamos em Saquarema, queremos atrair cada vez mais o torcedor, está sendo montado o nosso palco. Nosso ct fica aqui, mas os jogos são lá. A nossa perspectiva é que possamos fazer um campeonato seguro. A gente sabe que o Carioca tem quatro clubes que investem muito forte. Os quatro grandes. E equipes que mantiveram base e que estão no Brasileiro, que é o caso do Volta Redonda, do Maricá. Equipes tradicionais, como o Madureira, a própria Portuguesa fazendo campeonatos bons. Temos dentro de Saquarema um clássico também, com o Sampaio Corrêa. Mas a nossa preocupação é fazer um Boavista forte e competitivo. E, claro, fazer as vitórias para a gente atingir um objetivo maior.

— Quando trabalhamos aqui em 2009 e 2010, por muito pouco não levamos (o time) para o Brasileiro. Era uma outra situação, porém entregamos muito resultado. Este ano, fizemos um grande trabalho no Itabaiana e agora espero que possa trazer toda minha experiência para o Boavista possa ser vencedor.

Paulo Nobre, Omar Feitosa e Gilson Kleina — Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

— Os treinadores estrangeiros invadiram aqui e a legislação para eles é diferente da nossa. Brigo por essa isonomia. Nós vamos fazer um contrato, a gente não tem a validação que tem para eles. Se você contratar um treinador estrangeiros, a Fifa se responsabilizar se o clube não pagar. Inclusive, eles chegam a dar transfer ban. Nós não temos isso. Às vezes você quer colocar 2 ou 3 meses de multa, para eles, é o contrato todo. E outra. Quando fiz a licença pró, a exigência é que tinha que ter cinco anos na Série A. Muitos estrangeiros que chegaram aqui não treinavam em seus países. Você quer qualificar para seu campeonato? Não é que o estrangeiro que não tem qualificação. Tem nomes que chegaram aqui que eu aplaudo, que nos ajudou. Sampaoli, Jorge Jesus. O próprio Abel, que não tinha uma notoriedade lá fora, nos mostrou uma metodologia interessante. A gente vê a geração do Brasileiro. Este ano, nunca teve tanto treinador estrangeiro. Este ano, quem ganhou o Brasileiro foi o Filipe Luís e a revelação foi o Guanaes, do Mirassol.

— Quando você fala sobre o que está acontecendo com o Flamengo e Palmeiras, se chama gestão. O Bandeira do Flamengo organizou a casa, entendeu que a marca era forte e que podia trazer receita. E o Palmeiras usou também uma mega empresa, com uma presidente super inteligente. Hoje para você acompanhar, os outros clubes forte do país, se não tiver gestão para arrecadar e investir no futebol vai ficar para trás. Nas últimas seis, cinco libertadores só está dando brasileiro e no Brasileiro, estão chegando os clubes que mais têm investido.

— Quando o Abel chegou, como conheço bem o Palmeiras...no Palmeiras, você tem que conquistar. Time grande você tem que conquistar, não pode só participar. Ele foi muito inteligente quando ele começou a fazer uma equipe reativa, ele não colocou a equipe para frente. Pelo contrário, foi uma equipe segura. Diferente do Filipe Luís, que foi jogador e conhecia seus companheiros e a metodologia. Ele implementou a convicção dele. Ver o Flamengo jogar...Nunca trabalhei contra o Filipe Luís - quando era jogador do Figueirense, acho que sim - mas como treinador, as ideias de jogo dele são sensacionais. Muita gente criando no time dele. Isso é bacana. Faz com que a camisa Flamengo cresça. Quando não veio resultado, alguém no clube falou: "veja bem, ele faz jogo de time grande, alguma coisa está acontecendo. Ou é jogador que não está tentando assimilar ou os resultados não vieram porque o futebol é o único esporte que se o cara chutar do meio de campo, a bola bater na cabeça de um e entrar você pode ganhar o jogo. A probabilidade de um time maior, com investimento ganhar é maior, mas o futebol te dá essa situação. Por isso eles avaliaram o trabalho.

— Por isso é importante quem está acima do treinador ter um conhecimento do futebol. Entender o vestiário, dia a dia, metodologia de trabalho, tecnologias, a correção de rota. Muitas vezes, você fica refém do seu elenco e precisa trocar. Aí você tem que ter alguém que aposte. O treinador vive no campo. A gente chega de manhã aqui para contextualizar tudo que aconteceu no dia anterior e organizar o dia. As reuniões permitem essa correção. Às vezes você está colocando e o atleta não consegue desenvolver. O Palmeiras e o Flamengo fazem muito bem isso. O Palmeiras tem um adendo. A formação da base pelo João Paulo (Sampaio), um expert de base, fez muita diferença para o trabalho do Abel. O Abel vendia, os meninos já viravam protagonistas. O Palmeiras hoje a gente sabe que não houve desequilíbrio técnico. O Palmeiras foi vice-campeão e parece que não valeu nada. Mas quanta coisa o Palmeiras fez para ser o segundo. Mas isso é coisinha que a gente precisa ter sua leitura e entender que segundo lugar vale, sim.

— Espero que a família Boavista consiga dar um calendário expressivo. Uma equipe forte no Carioca. Criar essa mentalidade. Fazer com que a equipe participe todo ano da Copa do Brasil, que consiga prosseguir e fazer jogos decisivos. Fazer com que estejamos no Brasileiro com ambição de ascender para as séries C e B. São pessoas sérias. É bom para o Rio e para CBF um clube desse no cenário nacional.

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