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Cristóvão Borges aposta em projeto e vive calmaria do interior após três anos fora do mund

A tranquilidade pessoal aliada à calmaria de uma cidade do interior de Minas Gerais e ao projeto de um campeão nacional que vive um mau momento esportivo, ma...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 04:26 · Atualizado há 3 dias
Cristóvão Borges aposta em projeto e vive calmaria do interior após três anos fora do mund
Foto: Reprodução / Arquivo

A tranquilidade pessoal aliada à calmaria de uma cidade do interior de Minas Gerais e ao projeto de um campeão nacional que vive um mau momento esportivo, mas tem estrutura para retomar os dias de glória. Foi esta a receita que Cristóvão Borges, ex-treinador de Vasco, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Bahia e Athletico-PR, escolheu para voltar ao futebol após três anos sem trabalhar.

Novo morador de Tombos, cidade que fica na Zona da Mata de Minas Gerais e que conta com menos de 9 mil habitantes, o treinador do Tombense, que estreia no Mineiro neste sábado contra o Uberlândia às 16h, fora de casa, conversou com o ge.

Cristóvão Borges, técnico do Tombense — Foto: Victor Souza/Tombense

Ele se disse animado com o novo projeto, explicou as razões para encerrar o período sabático e disse que quer aproveitar a estrutura que o campeão da Série D do Brasileiro de 2014 e conquistas estaduais tem para retomar o espaço que perdeu como treinador no futebol brasileiro.

Porém, antes de falar sobre as razões que levaram o técnico a voltar ao futebol é preciso entender o que fez ele dar pausas na carreira por várias vezes.

Após seis anos na primeira prateleira do futebol nacional, onde se destacou no Vasco e teve oportunidades em times como Flamengo, Fluminense, Corinthians, Bahia e Athletico-PR, Cristóvão Borges começou a ter hiatos longos entre um trabalho e outro.

Cristóvão Borges trabalha em Tombos, cidade mineira com menos de 9 mil habitantes — Foto: Victor Souza/Tombense

O treinador deixou o Furacão em 2017 e só voltou a trabalhar em 2020, no Atlético-GO. Após o fim do ciclo em Goiânia, que culminou com o título do Campeonato Goiano, ele parou por mais três temporadas e comandou o Figueirense em 2023, também por pouco tempo. Em seguida, decidiu ficar parado até o fim de 2025, quando aceitou o convite do Tombense para comandar o time em 2026.

De acordo com ele, os períodos maiores sem comandar equipes foram planejados e tiveram causas e consequências. Apesar de ter estudado e ter se mantido atualizado, ele reconhece que perdeu tempo e espaço no mercado.

— Eu já tinha feito isso antes, por minha própria vontade. Esta coisa de ficar trabalhando seguidamente, ainda mais em espaços curtos pequenos, com muitas trocas de clube em uma mesma temporada, te faz não parar e você não tem tempo para refletir, analisar, corrigir e melhorar. Coincidentemente, neste momento do futebol brasileiro em que parei, houve uma renovação grande, graças á capacitação e os cursos promovidos pela CBF, e o aumento do número de estrangeiros.

Último trabalho do treinador foi no Figueirense em 2023 — Foto: Patrick Floriani/FFC

— Pude estudar o futebol brasileiro, o futebol mundial e fui acompanhando tendências, tudo o que poderia ser novidade. Estive sempre atualizado, com estudos, avaliações, comparações para que pudesse ser colocado no jogo que eu quero jogar, para me adaptar e trabalhar de uma maneira melhor e mais próxima do que eu desejava — completou.

Agora, Cristóvão encontrou um projeto que ela considera que vale a pena para retornar á rotina como treinador. Anunciado pelo Tombense em novembro, ele terá uma temporada com calendário cheio, mas não dá forma como o torcedor carcará gostaria.

Apesar do time vir de conquistas e boas campanhas no Campeonato Mineiro — com títulos do Mineiro do Interior em 2013, 2020, 2021, 2024 e 2025 e do Troféu Inconfidência, em 2023 —, o Gavião amargou recentemente o rebaixamento da Série C para a Série D do Brasileiro, divisão que o time não disputava desde 2014, quando foi campeão. Há três anos, o time estava na Série B do Brasileiro, torneio que disputou por duas temporadas consecutivas (2022 e 2023).

Apesar do momento esportivo ser desafiador e ruim, o Tombense tem estrutura. O projeto é comandado pelos sócios Eduardo Uram, empresário reconhecido no futebol nacional e dono da Brazil Soccer, e Lane Gaviolle, presidente do Tombense.

Além do Almeidão, estádio próprio com capacidade para 6 mil espectadores, o time conta com Centro de Treinamento, com alguns campos, academia e instalações para os departamentos do futebol. O clube é apenas profissional e não conta com categorias de base.

De acordo com Cristóvão Borges, tudo isso, aliado à expertise de mercado de Uram e Lane Gaviolle, foi suficiente para que ele deixasse o período sabático de lado e voltasse à beira do gramado.

Cristóvão Borges foi anunciado em novembro — Foto: Tombense/Divulgação

— O que é importante para um treinador é que ele tenha condições de trabalho e algo próximo de estabilidade. No Brasil, historicamente, não existe isso. Mas o Tombense tem um histórico de dar esta possibilidade em termos de tempo e condição para os treinadores. Isso me atraiu bastante. Depois desta campanha que não foi boa, o desejo da direção é de refazer este caminho do clube, reestruturando o elenco mesmo com as dificuldades financeiras do descenso para fazer uma boa temporada e um acesso à Série C.

O Tombense está no Grupo B do Campeonato Mineiro, ao lado de América-MG, Betim e Pouso Alegre e não enfrenta estes adversários na primeira fase. A equipe encara os outros oito times, que estão distribuídos nas outras duas chaves.

Classificam-se para as semifinais os primeiros colocados de cada grupo e o melhor segundo colocado dentre as chaves.

Além do Campeonato Mineiro, o time de Cristóvão Borges terá a Copa do Brasil e a Série D do Brasileirão pela frente.

Ex-jogador de clubes como Fluminense, Atlético-MG, Portuguesa, Guarani e de outras equipes do futebol nacional, Cristóvão iniciou a carreira em comissões técnicas como auxiliar, em trabalhos com Bangu, Sport, Vitória, Fluminense, Vasco e seleção brasileira sub-20.

A primeira oportunidade dele como técnico foi no Cruz-Maltino, entre 2011 e 2012. A primeira passagem do comandante foi muito boa. O técnico ficou à frente do Vasco em 78 partidas, com 41 vitórias, 18 empates e 19 derrotas, com 60,2% de aproveitamento. Além de ficar na segunda colocação do Campeonato Brasileiro de 2011, a equipe com Cristóvão chegou à semifinal da Copa Sul-Americana do mesmo ano.

Cristóvão Borges foi muito bem com o Vasco na primeira passagem — Foto: Carlos Gregório Jr. / Vasco

Ele voltaria ao time carioca em 2017, para uma passagem mais curta, de apenas 11 jogos. Neste intervalo, o treinador rodou e teve experiências em outros clubes importantes como Bahia, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Athleteico-PR, onde foi campeão estadual.

Depois de 2017, o treinador acumulou períodos longos sem treinar equipes. Em 2020, Cristóvão conquistou o Campeonato Goiano pelo Atlético-GO. Em seguida, foram mais três anos sem comandar equipes, até a chegada ao Figueirense, última equipe onde trabalhou.

Cristóvão Borges também dirigiu o Corinthians — Foto: Marcelo Braga

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