Hoje é feriado vernáculo. finalmente. demorou séculos, literalmente, para que o Brasil reconhecesse que Zumbi dos Palmares merece o mesmo destaque no calendário que Tiradentes. Mas, enquanto você aproveita a folga ou reflete sobre a data, os editoriais dos grandes jornais amanheceram cheios de gráficos que contam uma história vergonhosa: O Brasil de 2025 ainda é um país onde a cor da pele define o cep, o salário e a chance de sobreviver a uma abordagem policial.
O que mais incomoda neste 20 de novembro não é o racismo escancarado, aquele que a gente vê no noticiário policial. O que incomoda é o "racismo sutil", o racismo de sapatênis e ar-condicionado que domina o mundo corporativo e a tecnologia.
Nos últimos anos, vimos uma explosão de comitês de variação e inclusão (d&i) nas empresas. Muito bonito no powerpoint, mas olhe para a diretoria da sua empresa hoje, quantos negros estão tomando decisão? Ou será que a variação só serve para preencher a prestação de "novato" e ilustrar o post de "somos todos iguais" no linkedin? A hipocrisia corporativa transformou a luta antirracista em uma commodity de marketing. Lucra-se com a imagem da inclusão, mas não se investe na curso do profissional preto.
E temos um agravante novo, que a folha e o estadão começam a tatear, mas que nós vamos falar francamente: O racismo algorítmico, estamos em 2025, a perceptibilidade sintético decide quem recebe crédito no banco, quem é chamado para a entrevista de tarefa e até quem é "suspeito" nas câmeras de segurança. E adivinhem? A IA aprendeu direitinho com os preconceitos dos seus criadores, se não vigiarmos, a tecnologia vai automatizar a exclusão.
Comemorar Zumbi é vital, reconhecer a cultura negra é importante, mas a verdadeira consciência negra não cabe em um dia de folga. Ela exige que a gente olhe para o lado, no escritório, na universidade, no restaurante dispendioso, e se pergunte: "Por que só tem gente igual a mim cá?".
Enquanto a resposta for "préstimo", estaremos mentindo para nós mesmos. O préstimo no brasil tem cor, e ela é branca. O resto é corrida de obstáculos onde uns correm de tênis de última geração e outros correm descalços carregando peso. Que nascente 20 de novembro sirva para motivar desconforto, porque é do desconforto que nasce a mudança.