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XP Expert: Gestor da Encore Asset espera ciclo de melhora para a renda variável por causa dos ventos externos | Finanças

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 26/07/2025 às 19:07 · Atualizado há 1 semana
XP Expert: Gestor da Encore Asset espera ciclo de melhora para a renda variável por causa dos ventos externos | Finanças
Foto: Reprodução / Arquivo

"Sei que a bolsa brasileira está barata, não sei quando vai subir, mas já estou comprado", disparou João Braga, sócio-fundador e gestor da Encore Asset Management, numa das apresentações da Expert XP neste sábado. "Acho o cenário maravilhoso, mas a parte recente é incerta, então não estou 'full' [100%] alocado em risco."

Enquanto o brasileiro segue reticente com bolsa e não há dinheiro novo em fundos de ações, é o estrangeiro que tem vindo para a estratégia de arbitragem de ações da gestora. Neste ano, o long bias da casa acumula ganhos de quase 24% até 24 de julho.

A casa foi fundada em meados de 2020 pelo gestor, que era do time de ações da XP, e teve o seu projeto ancorado pela própria plataforma. "Foi só pedreira desde que a gente abriu." A ideia era captar recursos da pessoa física, mas foi o capital externo que permitiu atravessar tantos anos difíceis para a bolsa brasileira. "O gringo pensa dois anos para frente. Então quando cai, por algum motivo de curto prazo, eu compro."

Para Braga há motivos para ser otimista com um ciclo melhor à frente para a renda variável por causa dos ventos externos. Após 17 anos sequenciais da vantagem americana, em que todos os investidores só queriam ir para lá, agora há uma revisão do tamanho da exposição.

O gestor disse ver dois episódios engatarem essa mudança: o fenômeno chinês DeepSeek, que escancarou que a hegemonia dos EUA na tese da inteligência artificial pode não ser tão dominante quanto se imaginava. "Todo mundo achava que os EUA estivessem três anos à frente, talvez não sejam nem três meses, talvez os EUA estejam atrasados", disse. A volta de Donald Trump à Casa Branca, com sua artilharia tarifária, apenas adicionou mais volatilidade num cenário em que o mundo estava "mega over alocado", e daí ele muda.

Ele comparou a revisão de portfólios a tirar cinco baldes de água de uma piscina olímpica para jogar numa banheira que é o Brasil. O nível da primeira parece não mudar, mas o efeito na banheira é perceptível. "O alocador do mundo inteiro odeia investir em países onde os juros estão subindo e o pico da nossa taxa foi no mês passado. A probabilidade do próximo movimento é o juro cair", disse Braga. "O juro é a gravidade dos preços, quanto mais alto, mais puxa os preços para baixo."

Outra variável que ajuda na retórica pró-bolsa é que ninguém tem ações em carteira, todos os perfis de investidores no Brasil estão na porção mínima da carteira. E quando se coloca na conta qual seria o valor justo para as companhias listadas, ainda estão sendo negociadas na B3 com muito desconto.

"É como ir ao supermercado todo mês e um dia ver tudo pela metade do preço, daí você compra a lagosta e o filé mignon, tem um monte de história boa, mas agora estou mais diversificado do que concentrado porque tudo está barato, de certa forma a carteira está balanceada", continou Braga. E repetindo um mantra dos tempos em que trabalhava com a equipe do fundo Verde, de Luis Stuhlberger, na antiga Hedging-Griffo, Braga acrescentou que "bolsa se compra em tempos de juros altos".

Se antes o portfólio estava dividido em partes iguais em commodities, ações defensivas a as que considera "atacantes", hoje ele tem 12% em papéis da Suzano e da Petro Rio, elevou a parcela das atacantes, que podem trazer os melhores resultados, para 50%, com o restante nas defensivas. Nessa caixa entram as concessionárias de serviços públicos, com retornos em dividendos muito acima das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B, atreladas à inflação), que vêm assegurando IPCA mais um prêmio acima de 7%.

Braga disse que o comprador marginal dos últimos anos foi o estrangeiro, os próprios controladores das companhias listadas ou algum investidor estratégico. Então, sim, há escassez de papéis. Colocando na balança a perspectiva de uma troca de comando no Planalto a partir da eleição de 2026, ele acha que pode "raspar o índice com 10% de alta", por ter vários papéis com carrego positivo e que vai ganhar na arbitragem.

O movimento de resgates em carteiras de ações se intensificou, contudo, com a proposta de taxação de títulos isentos pelo governo, que a partir do ano que vem podem ser tributados em 5%. Para os fundos de ações, a alíquota sobe dde 15% para 17,5% se o texto for aprovado pelo Congresso.

"Isso drenou um fluxo gigantesco. Eu tive resgate de investidores locais para aproveitar as incentivadas. O movimento jogou os spreads para baixo num nível que não faz sentido." Os próprios gestores de crédito estão mais cautelosos e vêm mantendo maior parcela em caixa, completou.

No recente revés após o anúncio de tarifas de importação em 50% contra o Brasil ele afirmou que o diagnóstico de um banco estrangeiro foi que na ponta de venda estavam os fundos quantitativos e os seguidores de tendência. "Não foi porque o estrangeiro panicou."

São momentos em que há oportunidades de compra, prosseguiu Braga, de ações que ele consegue avaliar pelo lado micro e têm boa execução da estratégia. O gestor elevou a participação em Localiza após o governo reduzir o IPI e também comprou Arezzo, Smart Fit e se posicionou em XP.

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