O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar nesta sexta-feira que vai adotar a lei de reciprocidade com os Estados Unidos, após a imposição de tarifa de até 50% sobre os produtos brasileiros.
"Tem muita gente incomodada, mas o governo tem tomado todas as medidas para proteger os nossos empresários exportadores e para proteger os nossos trabalhadores. É por isso que a primeira medida que nós tomamos foi fazer uma reunião e colocar R$ 30 bilhões de crédito para fazer o primeiro enfrentamento aos possíveis prejuízos que nossas exportações tenham no exterior", disse Lula, durante evento em Contagem.
"Mas não é só o dinheiro que eu vou ver. A gente não tem que ficar chorando o leite derramado, vamos procurar outro comprador para o nosso produto, e é isso que nós vamos fazer. E também a gente pode taxar os produtos americanos", afirmou.
O presidente disse que colocou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para negociar com o governo americano, mas que os EUA não querem negociar. "Na semana passada, o secretário de Tesouro americano tinha uma audiência por telefone com o ministro Fernando Haddad às quatro horas da tarde. Ele suspendeu a reunião e foi atender o Eduardo Bolsonaro para contar mentiras para ele lá nos Estados Unidos. Então o Brasil não quer ser tratado como moleque", criticou Lula.
O presidente voltou a dizer que, quando quiserem negociar, "o Lulinha paz e amor estará de volta".
Ele lembrou que, em 15 anos, os Estados Unidos tiveram um superávit na balança comercial com o Brasil de US$ 410 bilhões, não havendo portanto motivo para sobretaxar o Brasil.
"A segunda coisa grave é que eles resolveram se meter na nossa soberania e na soberania da nossa Justiça. Eles querem que a gente pare um processo contra o [ex-presidente Jair] Bolsonaro que está na Suprema Corte. E a gente não pode aceitar que um deputado federal como o filho dele, que ficava enrolado na bandeira brasileira para dizer que era patriota fique agora enrolado na bandeira americana denunciando o Brasil", disse Lula.
Ele disse ainda que o deputado Eduardo Bolsonaro deve ser gravado como o maior traidor da história do país.
Quanto à reciprocidade em relação às medidas dos EUA, o presidente disse que vai brigar "do jeito que a lei manda".
"O que nós vamos fazer é usar a reciprocidade. Porque a média de imposto que pagam os americanos por nosso produto é de 12,7%. Dos 10 produtos mais importantes que o Brasil exporta para os Estados Unidos, oito não têm imposto nenhum", afirmou
Lula disse ainda que tem interesse em aumentar o comércio com os Estados Unidos. "Mas queremos ser tratados em igualdade de condições. Isso aqui é uma república, não é uma republiqueta. Isso aqui é uma nação", afirmou.