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Um por cento mais rico do mundo atinge 'cota' anual de emissão de carbono em apenas 10 dias, aponta ONG | Mundo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2025 às 22:31 · Atualizado há 22 horas
Um por cento mais rico do mundo atinge 'cota' anual de emissão de carbono em apenas 10 dias, aponta ONG | Mundo
Foto: Reprodução / Arquivo

Os dez primeiros dias de 2025 foram o suficiente para o 1% mais rico da população mundial atingir o que deveria ser o seu limite anual de emissões de carbono – uma cota calculada por pesquisadores para evitar o aquecimento do planeta para além de 1,5°C, a meta do Acordo de Paris.

Já os 50% mais pobres da população, por outro lado, levariam três anos, ou 1.022 dias, para atingir o mesmo nível.

Com base em dados do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), o "orçamento" anual de carbono para cada habitante da Terra deveria ser de 2,1 toneladas de CO2 (dióxido de carbono). Na prática, no entanto, há desequilíbrio na conta: enquanto o 1% mais rico emite 76 toneladas anuais por pessoa, a metade mais pobre corresponde a 0,7 tonelada per capita.

A análise foi divulgada nesta sexta-feira (10) pela ONG Oxfam em relatório intitulado "Dia dos Ricos Poluidores". Para limitar o aquecimento global em 1,5°C, segundo esse estudo, o grupo precisaria reduzir suas emissões em 97% até 2030.

"O futuro do nosso planeta está por um fio. Os super-ricos continuam desperdiçando as chances da humanidade com estilos de vida extravagantes, investimentos poluentes e influência política nociva", disse Nafkote Dabi, líder de política de mudanças climáticas da Oxfam, em comunicado.

Ano mais quente da história

O ano passado foi o mais quente da história da humanidade, sendo o primeiro a ultrapassar a barreira de 1,5°C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais. Essa cifra é indicada por cientistas como o limite para conter as piores consequências das mudanças climáticas.

Segundo o observatório Copernicus, da União Europeia, 2024 teve temperatura média global 1,6°C superior à média de 1850 a 1900, período antes da emissão em larga escala de gases-estufa.

A campanha da Oxfam aponta que as emissões dos mais ricos desde 1990 causaram prejuízos de trilhões de dólares, perdas agrícolas extensas e milhões de mortes por calor extremo.

Ainda de acordo com a ONG, nos últimos 30 anos, os países de baixa e média-baixa renda sofreram danos econômicos três vezes maiores do que os valores de financiamento climático prometidos pelos países ricos.

Diante desse quadro, a Oxfam prevê que até 2050 as emissões do 1% mais rico podem levar a perdas agrícolas suficientes para alimentar 10 milhões de pessoas anualmente no leste e no sul da Ásia. E 80% das mortes por calor extremo ocorrerão em países de baixa e média-baixa renda.

Como solução, o relatório sugere a criação de impostos sobre renda e riqueza do 1% mais rico, a aplicação de tributações punitivas sobre bens de luxo e a regulamentação de empresas para cortar emissões e aumentar o financiamento climático para os países pobres, que sofrem os piores impactos.

Segundo relatório da ONG Oxfam, o 1% mais rico da população mundial emite 76 toneladas anuais por pessoa, enquanto a metade mais pobre corresponde a 0,7 tonelada per capita — Foto: catazul/Pixabay

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