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Trump transforma a Groenlândia em teste geopolítico para o mercado

Victor Rezende é coordenador da cobertura de mercados financeiros e está no Valor desde 2019.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2026 às 13:06 · Atualizado há 1 dia
Trump transforma a Groenlândia em teste geopolítico para o mercado
Foto: Reprodução / Arquivo

Victor Rezende é coordenador da cobertura de mercados financeiros e está no Valor desde 2019.

A investida — por ora apenas verbal — de Donald Trump contra a Groenlândia começa a sair do campo político e a despertar a atenção no mercado financeiro.

Depois do ataque à Venezuela e da deposição de Nicolás Maduro, agentes financeiros começam a levar mais a sério algumas das ameaças feitas recentemente por Trump. É nesse sentido que a Groenlândia passa a ser tema de algumas discussões, ainda que embrionárias.

Somente nos últimos dias, o holandês Rabobank começou a questionar a possibilidade do fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan); o canadense Scotiabank escreveu, com ironia, sobre a ideia de “M&A” aventada por Trump; e o dinamarquês Danske Bank deu um passo além, ao tentar calcular impactos econômicos concretos das relações entre Groenlândia e Dinamarca e entre EUA e Dinamarca.

No caso do Danske, em particular, há algumas preocupações sobre o grau de dependência da Dinamarca em relação aos EUA.

Os EUA são o destino de mais de 20% das exportações de bens da Dinamarca. A maior parte dessas exportações decorre de produção dinamarquesa realizada no exterior, sobretudo dentro dos próprios EUA. A Novo Nordisk, por exemplo, possui grandes unidades produtivas em território americano

— observa o economista-chefe do Danske Bank, Las Olsen.

Caso os EUA recorressem a sanções econômicas contra a Dinamarca em razão da questão da Groenlândia, seria difícil utilizar tarifas, já que elas só afetam bens que efetivamente cruzam fronteiras. Além disso, a União Europeia como um todo provavelmente retaliaria qualquer imposição tarifária, mesmo que direcionada apenas à Dinamarca. Ainda assim, o governo americano poderia criar barreiras mais ou menos explícitas às empresas dinamarquesas com grande presença nos EUA

— diz o economista.

Não são apenas empresas dinamarquesas que têm investimentos nos EUA — os recursos previdenciários também

— Do lado financeiro, também há preocupação. , nota Olsen.

Fundos de pensão detêm 1,4 trilhão de coroas dinamarquesas em investimentos de portfólio nos EUA, dos quais 84% estão alocados em ações. Há relatos de que fundos de pensão dinamarqueses vêm reduzindo suas posições no mercado americano, mas é provável que seja difícil fazer isso em larga escala, dado o tamanho da poupança previdenciária na Dinamarca e a importância das empresas dos EUA no mercado acionário global

— destaca o economista.

Ainda não está claro o que exatamente estará em pauta quando o assunto for a Groenlândia, mas a Dinamarca — e a União Europeia — estão encarando isso como uma ameaça.

— A estrategista macro do Rabobank Molly Schwartz tenta avaliar a situação de forma ainda mais ampla.

mas a movimentação diplomática é outra história

— Para ela, uma tomada militar direta da Groenlândia pelos EUA parece “improvável”, .

A abordagem de Trump à condução da política externa frequentemente foi descrita como ‘muito porrete, pouca cenoura’. No caso da Groenlândia, pode ser que vejamos um pouco mais de cenoura. Ainda assim, com uma população de apenas cerca de 50 mil pessoas, é possível fazer um exercício mental em que, pelo módico preço de US$ 50 bilhões, os EUA ofereçam a cada groenlandês US$ 1 milhão em troca de seu país.

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Depois do ataque à Venezuela e da deposição de Nicolás Maduro, agentes financeiros começam a levar mais a sério algumas das ameaças feitas recentemente pelo presidente americano

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