Que leitura os empresários que trabalham com transportes rodoviários de cargas fazem do momento atual da economia? E que perspectiva têm para os próximos seis meses? A Confederação Nacional do Transporte (CNT) realizou recentemente dois levantamentos dispostos a responder a estas perguntas em dois estados estratégicos, Rio Grande do Sul e São Paulo.
As conclusões que eles apontam fornecem um mapa do momento do setor, além de um olhar para o primeiro semestre de 2025. Realizados com o apoio da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) e da Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), os levantamentos apontam que os entrevistados das duas regiões têm olhares levemente diferentes sobre o presente e o futuro.
No Sul, o percentual de empresários que avaliam que as condições atuais melhoraram cresceu de 36,5%, no segundo semestre de 2023, para 39,2% um ano depois. A expectativa para os próximos seis meses cresceu de 50,0% para 52,2% no mesmo período. E o Índice Geral de Confiança avançou de 45,5% para 47,9%.
Apesar da leve melhora, os entrevistados apontam que há motivos para se manterem inseguros: a possibilidade de aumento da tributação sobre o setor, a taxa de juros elevada e os problemas na infraestrutura rodoviária em função das enchentes que ocorreram em maio no estado.
“Os empresários ressaltaram que têm adotado iniciativas nas empresas para fortalecer a competitividade e garantir a continuidade dos negócios, especialmente após o desastre climático de maio”, diz o diretor executivo da CNT, Bruno Batista.
Entre as ações adotadas para fortalecer a competitividade e garantir a continuidade dos negócios, especialmente depois da crise provocada pelas enchentes, destacam-se a busca por novos clientes e nichos de mercado em setores emergentes no Brasil, a reestruturação de processos internos e a implementação de tecnologias inovadoras como parte de seus esforços para se recuperar e crescer em um cenário desafiador.
Já em São Paulo, os transportadores se mostram menos pessimistas em relação à economia e ao desempenho dos seus negócios, mas a avaliação para os próximos seis meses piorou. O índice geral de confiança dos transportadores ao final do segundo semestre de 2024 foi de 51,1%, leve redução em relação ao primeiro semestre do ano, quando o índice foi de 51,9%.
A avaliação dos empresários sobre as condições atuais da economia e dos negócios melhorou, de 42% no primeiro semestre do ano, para 46,3% no segundo. O índice de expectativas para os próximos seis meses caiu 3,4 pontos percentuais, passando de 56,9%, no primeiro semestre de 2024, para 53,5% agora.
“Os empresários estão preocupados com o aumento da carga tributária em função da Reforma, uma vez que a alíquota efetiva ainda não foi divulgada, e com o elevado custo para reposição do capital, pois a taxa de juros está elevada”, ressalta a gerente executiva de Economia da CNT, Fernanda Schwantes.
Tendências de curto prazo
A CNT tem entre suas missões produzir pesquisas que mapeiam o impacto de temas relevantes e atuais sobre o setor de transporte e logística do Brasil. As equipes técnicas são especializadas, dedicadas a apoiar o planejamento e a tomada de decisão do setor.
As pesquisas do Índice CNT de Confiança do Transportador se enquadram neste contexto. Como aponta o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, a confiança dos empresários em relação ao ambiente de negócios e às perspectivas sobre a sua atividade empresarial é determinante para a realização de investimentos e expansão das suas atividades e importante para a CNT desenvolver seus estudos e propostas econômicas.
“Os resultados podem ser utilizados pelos empresários e por empresas fornecedoras e consumidoras dos serviços de transporte, já que, entender a expectativa do setor, é fundamental para antecipar as principais tendências de curto prazo”, finaliza ele.
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