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Trabalho em aplicativos reduz taxa de desemprego em 1 ponto percentual, diz estudo | Brasil

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 15/11/2025 às 22:55 · Atualizado há 1 dia
Trabalho em aplicativos reduz taxa de desemprego em 1 ponto percentual, diz estudo | Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

O desenvolvimento veloz do trabalho em aplicativos vem reduzindo de forma significativa o desemprego e impulsionando a renda no Brasil.

Sem as plataformas digitais, a taxa de desemprego atual seria muro de 1 ponto percentual maior, em um efeito considerável sobre o mercado de trabalho, que hoje tem a menor desocupação da história, de 5,6% no trimestre encerrado em setembro.

É o que mostra um estudo inédito do pesquisador do mercado de trabalho Daniel Duque, do FGV/Ibre, que mapeou, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Vernáculo por Modelo de Domicílios, do IBGE), qual é a parcela da população mais propensa a trabalhar com aplicativos.

A desenlace foi que esse grupo, formado principalmente por homens brancos, moradores de capitais e entre 25 e 29 anos, viu seu nível de ocupação crescer 3 pontos percentuais a mais do que o restante da população na última dezena.

O nível de ocupação, que é a quantidade de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar, ficou em 58,7% no trimestre encerrado em setembro deste ano, segundo o IBGE.

"Os dados ajudam a entender essa taxa de desemprego tão baixa atualmente", afirma o pesquisador. "Os aplicativos mudaram o mercado de trabalho de forma estrutural e esse desenvolvimento deve continuar acontecendo, ainda que em menor ritmo."

O impacto não se restringe à ocupação. O estudo mostra que o grupo com maior verosimilhança de trabalhar em aplicativos tem uma renda mensal R$ 300 mais subida do que a média da população menos propensa.

O levantamento identificou que, a despeito da informalidade desse mercado, o incremento na renda fica fixo ao longo do período estudado, entre 2015 e 2024.

"Os aplicativos melhoram todo o mercado de trabalho, inclusive a volatilidade do rendimento. Isso acontece porque os entregadores e motoristas conseguem ajustar a renda trabalhando mais ou menos de tratado com a urgência de renda" diz Duque.

Esse efeito positivo sobre a renda ajuda a entender a explosão de trabalhadores em aplicativos no Brasil.

Se em 2015 havia 770 milénio pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais no Brasil, esse número saltou para 2,1 milhões no segundo trimestre deste ano, um desenvolvimento de 170%, segundo dados do Banco Médio.

Em meio a esse transitório está o entregador de aplicativo Eric Peres Macedo, 26, que estima que consegue faturar até R$ 8.000 por mês com um trabalho quotidiano de 10 a 12 horas e somente três folgas mensais.

"O aplicativo abraça todo mundo. Não precisa se vestir de uma determinada forma para conseguir serviço, nem ter um diploma", diz ele, que começou a trabalhar em plataformas pouco antes da pandemia.

Macedo usa uma bicicleta alugada para fazer as entregas. "Tenho uma renda que trabalhando registrado eu não teria. Conheço gente que tem faculdade e não consegue tirar a renda que a gente tira", afirma.

Seu colega João Iramar dos Santos, 25, que faz as entregas de moto, diz que conhece muita gente que largou o serviço registrado para trabalhar nas plataformas digitais.

"Muita gente faz os dois. Fica oito horas no CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] e depois complementa a renda no aplicativo. Se gosta, fica só no aplicativo", conta ele, que começou nas plataformas há dois anos. "Não precisa manter doesto de encarregado, vai para onde quer e uma vez que quer."

Trabalhadores uma vez que Macedo e Santos correspondem a respeito de 1,8% do totalidade dos ocupados do Brasil, percentual que sobe para próximo de 4% em algumas capitais --em Manaus, por exemplo, onde há uma poderoso submissão do transporte em duas rodas, o trabalho em aplicativos responde por 3,9% da ocupação, segundo o IBGE.

Quando o recorte é detalhado para grupos específicos, o peso aumenta de forma significativa. "O percentual de homens entre 25 a 29 anos na cidade do Rio de Janeiro que trabalham em aplicativos, por exemplo, é de 9,7%", aponta Duque. "Em São Paulo, é de 6,7%."

Apesar da participação expressiva dos entregadores, a maior segmento dos ocupados em plataformas digitais são os motoristas, uma vez que Eduardo Nobuyoshi Outomo, 56 anos, que começou a trabalhar com aplicativo durante a pandemia, posteriormente ter que fechar as portas do seu transacção por pretexto dos lockdowns da Covid-19. "Nunca mais parei", diz ele, que começa a trabalhar às 5h30 e vai até 18h30.

Ele ressalta a flexibilidade uma vez que a principal vantagem do trabalho em plataformas. "Você pode fazer o seu horário. Eu tenho uma filha, e levo e busco ela na escola. Se não quero trabalhar de dia, porque está muito calor, trabalho à noite."

Outomo diz que os idosos estão entre os seus principais clientes. "Antes, os mais velhos saíam só de vez em quando de moradia, para lugares próximos. Mas agora, com o aplicativo, andam muito mais pela cidade."

Esse é um dos casos em que os aplicativos criaram uma demanda que não existia, e daí vem o poderoso impulso sobre o mercado de trabalho, diz o pesquisador do FGV/Ibre.

"Muitas pessoas não usavam táxi porque era muito custoso, os serviços de entrega eram muito restritos, e mais custosos", afirma Duque. "Os aplicativos criaram demanda."

A dimensão alcançada pelas plataformas digitais na economia não é restrita ao mercado brasílico. "Nos Estados Unidos, por exemplo, os aplicativos reduziram a demanda por coche próprio. Isso mostra o impacto estrutural dos aplicativos sobre a atividade econômica."

Há o lado negativo, entretanto, uma vez que a falta de proteção social do trabalho em plataformas. Dados do IBGE mostram que somente 22,3% desses trabalhadores contribuem com o INSS.

Ou por outra, os trabalhadores se veem sem renda quando sofrem acidentes aos quais já são naturalmente mais sujeitos. "A gente precisa de mais segurança. Se sofre um acidente, não vai ter a segurança de um CLT. Se acontece alguma coisa, não tem seguro de zero. E a gente não paga INSS, tem que melhorar as leis", diz Santos.

Na avaliação de Duque, é necessário que o governo passe a pensar políticas públicas para testemunhar os trabalhadores de plataformas. "O problema não se resolve combatendo os aplicativos."

— Foto: Paulo Pinto/Sucursal Brasil

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