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Toxina que levou a suspensão de fórmulas infantis da Nestlé é resistente ao calor e prov

A Nestlé identificou a possível presença da toxina cereulide em lotes de fórmulas infantis e comunicou a Anvisa.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2026 às 16:05 · Atualizado há 3 dias
Toxina que levou a suspensão de   fórmulas infantis da Nestlé é resistente ao calor e prov
Foto: Reprodução / Arquivo

A Nestlé identificou a possível presença da toxina cereulide em lotes de fórmulas infantis e comunicou a Anvisa.

A Anvisa determinou a suspensão preventiva de alguns lotes dos produtos, apesar de não haver casos confirmados de doença até o momento.

A cereulide é produzida por cepas da bactéria Bacillus cereus e resiste ao calor, a variações de pH e a processos de pasteurização.

A toxina pode causar náuseas intensas, vômitos rápidos e, em casos raros, complicações graves, com risco maior para bebês.

A Nestlé informou que está recolhendo voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso aos consumidores.

A substância que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspender a venda de alguns lotes de fórmulas infantis da Nestlé não é tão conhecida pelo público, mas tem sido amplamente estudada pela ciência. Trata-se da cereulide, uma toxina produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus.

A medida, publicada nesta quarta-feira (7), é preventiva e envolve produtos das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino. Segundo a Nestlé, a possível presença da toxina foi identificada em análises de rotina de controle de qualidade, associada a um ingrediente de fornecedor internacional. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de casos de doença relacionados aos lotes afetados.

A Bacillus cereus é uma bactéria em forma de bastonete, capaz de formar esporos (estruturas minúsculas e altamente resistentes). Esses esporos sobrevivem a condições extremas, como calor, variações de pH e processos industriais comuns, incluindo pasteurização.

Algumas cepas da bactéria produzem a cereulide, um pequeno peptídeo (cadeia curta de aminoácido) cíclico altamente tóxico. De acordo com revisões médicas publicadas no StatPearls/NCBI, essa toxina é termoestável, ou seja, não é destruída pelo aquecimento e resiste às enzimas digestivas.

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a infecção em humanos ocorre principalmente pela ingestão de alimentos contaminados, como arroz, massas, vegetais, leite e especiarias.

A contaminação é favorecida pela capacidade dos esporos de sobreviver ao processamento térmico. Quando os alimentos não são resfriados adequadamente ou ficam armazenados em temperaturas acima do recomendado (entre 4 °C e 7 °C), os esporos podem germinar e a bactéria se multiplicar até níveis perigosos.

A EFSA destaca que não existem métodos usuais na indústria capazes de inativar a cereulide depois que ela é formada.

A Bacillus cereus é um agente reconhecido de intoxicação alimentar e pode causar dois quadros distintos:

Além da intoxicação alimentar, a bactéria pode atuar como patógeno oportunista e causar infecções graves em pessoas imunocomprometidas, como septicemia (infecção generalizada grave), meningite (inflamação das meninges), abscessos pulmonares (cavidade no pulmão cheia de pus) e endocardite (inflamação ou infecção do endocárdio, camada interna do coração).

De acordo com o StatPearls, os sintomas da síndrome emética surgem entre 30 minutos e 6 horas após o consumo do alimento contaminado e incluem náusea intensa, vômitos persistentes e, em alguns casos, diarreia. Em geral, os quadros se resolvem em até 24 horas, mas há registros raros de falência hepática grave associada à cereulide, inclusive em pessoas previamente saudáveis.

Em bebês, o risco é maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, com menor capacidade de metabolizar toxinas.

A Anvisa determinou a suspensão da venda porque, uma vez presente no produto, a cereulide não pode ser neutralizada no preparo doméstico, como fervura ou aquecimento. O órgão considerou o risco potencial grave, especialmente para lactentes, e adotou uma abordagem preventiva.

A Nestlé informou que está recolhendo voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso integral, além de reforçar que não houve registro de reações adversas até o momento.

Embora a maioria das contaminações por Bacillus cereus provoque quadros leves, a presença da cereulide em fórmulas infantis é considerada crítica pelo potencial de gravidade e pela impossibilidade de eliminação da toxina no preparo em casa, o que explica a resposta rápida das autoridades sanitárias.

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