A Medida Provisória 1.303/2025, que previa a cobrança de 5% de Imposto de Renda sobre a rentabilidade de aplicações incentivadas, como, Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), a partir de 2026, perdeu validade após ser retirada de pauta pela Câmara dos Deputados, na quarta-feira (8/10). Com isso, os títulos seguem isentos de tributação para pessoas físicas.
A notícia foi considerada positiva por agentes do mercado, como Waldomiro Plácido Neto, diretor de Finanças, Serviços Qualificados e Distribuição da Qore Investimentos. "Trata-se de instrumentos que financiam setores capazes de sustentar o emprego e a renda da população", afirmou o executivo. "A manutenção da isenção de IR desses papéis para pessoas físicas reforça sua atratividade."
A MP foi editada pelo governo federal como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), para aumentar a arrecadação e equilibrar as contas públicas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o governo estudará com calma as medidas a tomar diante da caducidade da MP do IOF. "Nós temos tempo e vamos avaliar e vamos usá-lo para avaliar com muito cuidado cada alternativa", afirmou.
De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o montante financeiro nas mãos dos gestores de patrimônio chegou a R$ 540,3 bilhões ao final do primeiro semestre de 2025. O valor corresponde a um aumento de 7,1% na comparação com o fechamento de 2024.
A renda fixa cresceu 9,4%, totalizando R$ 245,5 bilhões. Com isso, a fatia destinada a essas aplicações nas carteiras dos gestores manteve-se praticamente estável, passando de 44,5% para 45,4%. Entre os destaques estão os títulos incentivados, que, no conjunto, avançaram 15,6%, somando R$ 67,3 bilhões.
As LCIs registraram alta de 43,1% e fecharam o semestre com montante de R$ 17,3 bilhões, enquanto as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) tiveram aumento de 19,7%, totalizando R$ 13,7 bilhões. O crescimento dos CRIs foi de 9,6%, para somar R$ 10,1 bilhões.
Por outro lado, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) recuaram 4%, totalizando R$ 6,1 bilhões. O avanço das Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs) foi tímido (1,3%), fechando o semestre em R$ 4,4 bilhões. Já as debêntures incentivadas cresceram 6,5%, para R$ 15,7 bilhões.
Os gestores se apoiaram em uma estratégia de diversificação para contornar os desafios das conjunturas econômicas doméstica e internacional, com avanços importantes tanto na renda fixa quanto na renda variável
— diz Tatiana Itikawa, superintendente de Representação da Anbima.
Entre os demais produtos de renda fixa, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) terminaram junho com o total de R$ 36,6 bilhões, alta de 31,9%. Os títulos públicos registraram crescimento de 10,7%, somando R$ 42,9 bilhões. Na contramão, os fundos de renda fixa tiveram um leve recuo de 1%, para R$ 58,9 bilhões.
A retração dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) foi de 3,5%, totalizando R$ 11,5 bilhões. Já as debêntures tradicionais terminaram junho com R$ 10,6 bilhões, queda de 11,4% em relação ao fechamento de 2024.
Segundo a B3, o estoque de LCIs e LCAs registradas na bolsa de valores brasileira cresceu de forma expressiva no primeiro semestre de 2025 e liderou a expansão de 15% nos produtos de captação bancária. As LCIs saltaram 25% no período, totalizando R$ 454 bilhões, enquanto as LCAs subiram 24%, alcançando R$ 588 bilhões.
Entre os demais ativos, o CDB teve crescimento de 9%, com estoque de R$ 2,6 trilhões. Os Recibos de Depósito Bancário (RDBs) avançaram 12%, atingindo R$ 532 bilhões. Já a Letra Financeira (LF) apresentou a maior variação percentual, com alta de 29% e estoque de R$ 890,5 bilhões. Os Depósitos Interfinanceiros (DI) também cresceram 15%, somando R$ 697,3 bilhões.
No total, o estoque de produtos de renda fixa bancária chegou a R$ 5,7 trilhões em junho de 2025, ante R$ 5 trilhões no mesmo mêsdia de 2024.
Nos seis primeiros meses de 2025, a B3 também registrou 6,5% de aumento no estoque de títulos de renda fixa corporativos, em comparação com o primeiro semestre de 2024. O montante, considerando as ofertas públicas, somou R$ 1,7 trilhão em estoque no mês de junho, com crescimento em todas as modalidades.
Os produtos de dívida corporativa são títulos emitidos por empresas que utilizam o mercado de capitais para captar recursos e financiar seus projetos. O valor inclui debêntures, CRAs, CRIs e Notas Comerciais (NC).
As notas, títulos emitidos pelas empresas que representam promessa de pagamento pelo emissor, foram as que registraram maior crescimento no semestre, com aumento de 17%. O estoque saltou de R$ 68 bilhões, em junho de 2024, para R$ 80 bilhões, em junho de 2025.
Já o estoque de debêntures alcançou R$ 1,3 trilhão, o que representa aumento de 6% em relação a junho de 2024. No acumulado do primeiro semestre, o estoque de CRIs alcançou R$ 239 bilhões, um aumento de 5%, enquanto o estoque de CRAs chegou a R$ 159 bilhões, o que representa crescimento de 4% na mesma base de comparação, segundo o levantamento da B3.
A manutenção da taxa de juros em patamar mais elevado favorece o mercado de renda fixa, beneficiando os investidores com alta remuneração e, consequentemente, oferecendo boas oportunidades de captação às empresas para financiamento de seus projetos
— explica Leonardo Betanho, superintendente de produtos de Balcão da B3.