O que diferencia uma empresa de outras? De acordo com um levantamento global da consultoria McKinsey, a resposta para a pergunta está na capacidade de fazer o melhor uso da tecnologia e da conectividade, elevando a eficiência das operações e gerando negócios resilientes e competitivos. Mais de três quartos das companhias ouvidas pela pesquisa apontam que, sem inovação, os modelos de gestão atuais não se sustentam no longo prazo.
Essa transformação via tecnologia e conectividade foi justamente o tema que permeou os debates no espaço exclusivo da Claro empresas no Web Summit Rio 2025, de 28 a 30 de abril no Riocentro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um exemplo disso foi o painel com lideranças de duas instituições brasileiras centenárias, os Correios e o Banco do Brasil (BB), que discutiu a importância estratégica das redes na prestação de serviços para o cidadão em um país continental.
No Banco do Brasil, a conectividade alimenta o pipeline de dados da instituição, permitindo a entrega de produtos no momento exato da necessidade, como é o caso da oferta de seguro-viagem no instante da compra de passagens. “Se a gente perde o timing do cliente, perde o negócio”, explicou o gerente geral de TI do BB, Paulo André Rocha Alves.
Os Correios, estatal presente em mais de 5 mil municípios brasileiros, trouxe o exemplo do uso das redes SD-WAN para separar tráfego operacional do comercial, reduzindo custos de banda e aumentando a eficiência.
No mesmo painel, Gustavo Busse, gerente de Produtos de Dados da Claro empresas, lembrou que a companhia traz consigo o legado da Embratel, responsável pelo lançamento do primeiro satélite brasileiro, em 1985.
Os desafios que o setor financeiro enfrenta para oferecer uma melhor experiência aos clientes foi tema de um debate que reuniu uma instituição financeira conhecida pela presença física e pela capilaridade em todo o Brasil, a Caixa Econômica, e um banco nativo digital, o Inter.
Os participantes concordaram que banco digital não é banco virtual. “Não ter agências não significa abrir mão do contato humano. Usamos inteligência artificial (IA) para instrumentalizar colaboradores, não para automatizar relações”, enfatizou Bárbara Pamplona, head de Experiência do Cliente do Banco Inter.
O acolhimento também é o foco da Caixa, como apontou Edilson Vianna, gerente nacional de Canais Remotos da Caixa, que segue investindo em uma plataforma unificada de atendimento, que conecta CRM, front-end web, TI e força de vendas. “Até ligações telefônicas fazem parte dessa jornada. O cliente exige continuidade.”
Para Andrea Mannarino, diretora de Operações de TI da Claro empresas, a hiperpersonalização ganha destaque. “O mundo caminha para o figital (físico + digital) e, assim, o desejo é que a experiência dos clientes seja a mesma em qualquer canal.”
Com mediação de Hamilton Pereira da Silva, diretor de Infraestrutura, Logística e Administrativo da Claro, o painel “O watt invisível: tech contra o desperdício” trouxe uma pauta urgente: a eficiência energética.
“São as soluções digitais que tornam os sistemas de energia mais eficientes, e isso tanto para a oferta aos consumidores finais – empresas e pessoas físicas – quanto para a própria infraestrutura elétrica”, pontuou Silva.
A geração distribuída é crucial neste contexto, segundo Maurício Dall’agnese, diretor de Sustentabilidade, Estratégia e Inovação da Cemig. “Saímos de 80 para 400 mil usinas conectadas à nossa rede, majoritariamente painéis solares em residências. A tecnologia é essencial para gerenciar essa complexidade.”
“Infraestruturas robustas de energia são indispensáveis para suportar tecnologias como IA e computação em nuvem, demonstrando a complementaridade entre energia e inovação”, apontou, por sua vez, Rita Knop, diretora Comercial da Neoenergia.
Paulo Martins, diretor de Segurança da Informação da Claro empresas, e Rony Vainzof, advogado especializado em direito digital e sócio do VLK Advogados, se reuniram em um painel que tratou da ambiguidade que a inteligência artificial significa hoje para qualquer negócio. “De um lado temos os criminosos entendendo esse cenário e usando cada vez mais IA para realizar ciberataques de outro temos a possibilidade de as empresas utilizarem a tecnologia para detectar o que está sendo feito contra elas e continuar ampliando produtividade”, avaliou Martins.
Ambos os especialistas chamaram atenção para o papel central da governança em IA, que deve ser priorizada, partindo do princípio de que as informações confidenciais devem ser compartilhadas apenas em sistemas seguros. Infraestrutura robusta de proteção e qualificação dos colaboradores também são essenciais.
Para Vainzof, conceituar a inteligência artificial corretamente, sem maniqueísmos, é o primeiro passo para entender como ela pode agir positiva ou negativamente na cibersegurança. “A IA calcula a probabilidade para encaixar uma palavra depois da outra e com isso constrói sentenças gramaticalmente perfeitas, mesmo sem saber o sentido das palavras, frases ou qualquer conteúdo que produz. Ela também não tem qualquer entendimento do mundo, nem senso comum e muito menos compromisso com a realidade.”
Com esse entendimento claro, é possível avançar para um uso produtivo e seguro da IA, mitigando riscos e colhendo benefícios.